
FAS russa acusa seis operadoras de postos em Moscovo de cartel nos preços dos combustíveis
Autoridade antitruste abre processos por aumentos simultâneos, enquanto crise de abastecimento se agrava após ataques ucranianos a refinarias.
A autoridade antitruste da Rússia (FAS) abriu processos contra seis operadores independentes de postos de combustível na região de Moscovo, acusando-os de aumentarem simultaneamente os preços da gasolina e do gasóleo, em violação da lei da concorrência. As empresas visadas — Aist, Toplivny Sindikat, Serpukhovnefteproduktservis, Vitaoil, Elegant e um empresário individual — gerem 25 estações de serviço. O regulador invocou o artigo que proíbe acordos de cartel entre concorrentes. Paralelamente, a FAS detetou práticas semelhantes em três grossistas de gasóleo na região de Orenburg e emitiu uma advertência à empresa Alkorr, que domina o mercado retalhista no distrito de Engels, na região de Saratov, por subida de preços da gasolina, exigindo a correção até 31 de julho.
A ofensiva regulatória surge num contexto de crise de abastecimento de combustíveis na Rússia, agravada desde maio por ataques de drones ucranianos a refinarias e infraestruturas petrolíferas. De acordo com dados oficiais citados pela imprensa russa, o preço médio da gasolina a retalho subiu 11,6% desde janeiro, atingindo 72,38 rublos por litro no final de junho. Em várias regiões, incluindo a Crimeia anexada, foram impostas restrições à venda de combustível, e há relatos de longas filas e escassez pontual. O presidente Vladimir Putin reconheceu uma “certa escassez” e estimou as reservas totais de gasolina em 1,7 milhões de toneladas, uma quebra de 4% face ao período homólogo. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitiu que Moscovo está disposta a importar combustível se forem acordados preços aceitáveis, sem especificar os países fornecedores.
Na perspetiva de analistas em Moscovo, a atuação da FAS insere-se numa estratégia mais ampla do governo para conter o descontentamento social e a pressão inflacionista, num momento em que a economia de guerra enfrenta estrangulamentos logísticos. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak determinou a monitorização contínua dos preços e ordenou ao Ministério da Energia e às petrolíferas que estabilizem o mercado, sobretudo nas regiões sem presença de grandes empresas. A FAS tem vindo a intensificar a fiscalização desde 2023, com processos contra a Lukoil e outras distribuidoras, e realiza inspeções em mais de 12 mil postos em todo o país. A lei russa pune cartéis e abusos de posição dominante, mas a eficácia destas medidas é posta em causa pela dimensão da crise de oferta.
Para países lusófonos importadores de energia, como Brasil e Portugal, a instabilidade no setor petrolífero russo tem efeitos indiretos. Observadores em Brasília notam que, embora o Brasil não dependa diretamente do crude russo, a perturbação num dos maiores produtores mundiais pode influenciar as cotações internacionais do barril, com impacto nos preços internos dos combustíveis. Em Lisboa, fontes do setor energético sublinham que a União Europeia reduziu drasticamente as importações de petróleo russo, mas a volatilidade global persiste, afetando os custos de refinação e distribuição. A crise russa ocorre num momento de elevada procura sazonal, com a época de férias e a campanha agrícola a pressionarem o consumo.
O desfecho dos processos agora abertos é incerto. A FAS deu à Alkorr até 31 de julho para corrigir os preços, e as investigações em Moscovo e Orenburg podem resultar em coimas ou outras sanções. O governo russo continua a procurar soluções de curto prazo, incluindo a possibilidade de importações, enquanto os ataques ucranianos prosseguem. A próxima reunião de coordenação entre o Ministério da Energia e as empresas está prevista para as próximas semanas, segundo a imprensa russa.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
A Rússia combate a especulação interna enquanto enfrenta uma crise energética causada por ataques externos.
Ao ligar o caso antitruste aos ataques de drones, a narrativa cria uma cadeia causal da agressão externa aos aumentos de preços internos, justificando a resposta do Estado.
O bloco omite a possibilidade de que a investigação da FAS seja independente da crise externa, o que enfraqueceria a justificativa de segurança.
A FAS age contra o conluio para proteger os consumidores.
Ao apresentar o caso como uma ação legal rotineira, a narrativa normaliza a intervenção estatal e evita vinculá-la a tensões geopolíticas mais amplas.
O bloco omite o contexto da crise de combustível causada por ataques a depósitos, o que poderia justificar os aumentos de preços como resposta a interrupções no fornecimento.
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