
UNICEF contabiliza mais de 330 crianças mortas ou feridas no Sudão em 2026 e Conselho da ONU investiga violência em El-Obeid
Ataques com drones causam 60% das baixas infantis na região do Cordofão, enquanto o Conselho de Direitos Humanos aprova inquérito urgente sobre abusos das Forças de Apoio Rápido.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) reportou esta segunda-feira que mais de 330 crianças foram mortas ou feridas no Sudão apenas no primeiro semestre de 2026, com a região do Cordofão a concentrar o maior número de vítimas. Em comunicado, a agência atribuiu 60% das baixas infantis a ataques com drones, que têm atingido escolas, mercados, centrais elétricas e sistemas de abastecimento de água. O representante do UNICEF no Sudão, Sheldon Yett, descreveu as crianças como “presas num ciclo implacável de violência, deslocação e privação”, sublinhando que são mortas e feridas “em casa, nas estradas, nos mercados e quando tentam aceder a serviços essenciais”.
Na mesma jornada, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou por consenso uma moção apresentada por cinco países europeus que condena a escalada de violência cometida pelas Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e seus aliados em El-Obeid, no Cordofão do Norte, e ordena um inquérito urgente a alegados crimes de guerra. A embaixadora britânica para os Direitos Humanos, Eleanor Sanders, justificou a iniciativa alertando que “estes horrores não se podem repetir”, numa referência ao cerco de El-Fasher, no Darfur do Norte, onde uma investigação da ONU encontrou “marcas de genocídio” após a ofensiva das RSF em outubro de 2025. O embaixador da África do Sul, Zaheer Laher, classificou a situação como um “alerta vermelho”, afirmando que as RSF estão a recorrer ao “mesmo manual genocida usado em El-Fasher”.
A resolução foi adotada sem votação, mas a China distanciou-se da decisão, argumentando, segundo diplomatas em Genebra, que não apoia investigações dirigidas a países sem o seu consentimento. Organizações africanas de defesa dos direitos humanos, como a DefendDefenders, criticaram o Conselho por não ter “aproveitado plenamente o momento”, apontando a omissão de referências explícitas ao apoio externo que, na sua perspetiva, tem alimentado o conflito. O governo sudanês, alinhado com o exército, acusa os Emirados Árabes Unidos de fornecerem armamento às RSF — alegação que peritos da ONU e legisladores norte-americanos consideraram credível, mas que Abu Dhabi nega reiteradamente. As RSF, por seu lado, rejeitam as acusações de abusos, classificando-as como fabricadas pelos seus inimigos.
O conflito, que opõe o exército sudanês às RSF desde abril de 2023, já provocou pelo menos 59 mil mortos — embora estimativas de organizações humanitárias apontem para mais de 200 mil — e deslocou cerca de 13 milhões de pessoas. Cerca de 30 milhões de sudaneses necessitam de assistência humanitária e várias regiões enfrentam condições de fome. Em El-Obeid, onde as RSF mantêm um cerco há mais de um ano, meio milhão de civis estão em risco iminente, com relatos de execuções sumárias, raptos, tortura e violência sexual documentados pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. O UNICEF estima que 4,2 milhões de crianças poderão sofrer de subnutrição aguda este ano e que oito milhões estão fora da escola.
O inquérito urgente agora ordenado pelo Conselho de Direitos Humanos deverá centrar-se nos acontecimentos em El-Obeid e arredores, mas o seu calendário e mandato exato ainda não foram divulgados. Diplomatas europeus indicam que a pressão sobre as partes em conflito deverá intensificar-se nas próximas semanas, com possíveis novas sanções e apelos ao fim da interferência externa. A comunidade internacional mantém o foco na proteção de civis e na garantia de acesso humanitário seguro e desimpedido, enquanto o drama das crianças sudanesas se agrava num conflito que, segundo observadores em Lisboa e Brasília, continua a receber menos atenção global do que outras crises de dimensão comparável.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.10 | neutral |
| Imprensa israelense | −0.70 | critical |
UNICEF e a comunidade internacional pedem proteção para as crianças apanhadas no fogo cruzado da guerra no Sudão.
Ao focar nos dados humanitários neutros e evitar atribuição de culpa, o bloco posiciona o conflito como uma tragédia compartilhada que requer uma resposta global, não uma questão partidária.
Omite qualquer menção de qual lado é responsável pelos ataques de drones ou da investigação específica da ONU contra as RSF, e não inclui o contexto geopolítico do alarme internacional sobre as RSF.
A comunidade internacional, liderada pela ONU, EUA e Reino Unido, alerta para potenciais atrocidades enquanto o conflito se intensifica em torno de El Obeid.
Ao ligar os dados de vítimas infantis à batalha estratégica e ao alarme internacional, o bloco desloca subtilmente o foco do humanitarismo puro para um quadro de segurança e responsabilização.
Omite a investigação específica do Conselho de Direitos Humanos da ONU e a condenação explícita das RSF, e não menciona o contexto histórico do cerco de al-Fashir.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU, apoiado pela Grã-Bretanha e outros estados, exige uma investigação urgente sobre as atrocidades das RSF no Sudão.
Ao destacar a investigação formal e o precedente histórico de al-Fashir, o bloco constrói uma narrativa com um claro perpetrador (RSF) e uma resposta legal internacional, tornando o quadro moralmente inequívoco.
Omite qualquer menção do papel do exército no conflito ou de vítimas infantis causadas por ações do exército, e não relata os dados gerais da UNICEF sobre vítimas infantis, concentrando-se apenas na violência das RSF.
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