
Reino Unido sanciona cientistas russos por desenvolvimento de armas químicas usadas contra Navalny e em Salisbury
Londres impõe congelamento de bens e proibições de viagem a sete indivíduos e dois institutos de pesquisa, às vésperas da cimeira da NATO em Ancara.
O Reino Unido anunciou esta segunda-feira sanções contra sete cidadãos russos e dois institutos de investigação estatais, acusando-os de envolvimento direto no desenvolvimento dos agentes neurotóxicos Novichok e epibatidina. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, as medidas — que incluem congelamento de ativos e proibição de viagens — visam os responsáveis pela produção das substâncias utilizadas no envenenamento do opositor Alexei Navalny, em 2024, e no ataque com Novichok em Salisbury, em 2018, que matou a cidadã britânica Dawn Sturgess. As entidades sancionadas são o centro científico estatal SC Signal e o Instituto Estatal de Investigação e Testes de Medicina Militar (GNIII VM), além de diretores e peritos técnicos como Andrei Antokhin, Viktor Taranchenko e Vladimir Kondratyev, este último coautor de um artigo sobre a toxicidade da epibatidina.
Na perspetiva de Londres, a decisão insere-se numa estratégia mais ampla de dissuasão e exposição do uso recorrente de armas químicas pela Rússia, classificado pela ministra do Interior, Yvette Cooper, como “violação repugnante do direito internacional” e “ameaça direta à segurança global”. Bruxelas alinhou-se na semana passada com sanções próprias contra seis outros cidadãos russos ligados ao desenvolvimento da epibatidina, embora as listas não coincidam. Moscovo, através da sua embaixada em Londres, não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters, e nega sistematicamente qualquer envolvimento nos casos, qualificando as acusações como propaganda antirrussa. Observadores em Lisboa notam que a coordenação de sanções entre o Reino Unido e a União Europeia, mesmo após o Brexit, sinaliza uma convergência de posições sobre a responsabilização de Moscovo por violações da Convenção sobre Armas Químicas.
O anúncio ocorre num momento de tensão acrescida: na véspera, o Ministério da Defesa britânico divulgara imagens de caças F-35 a intercetar uma aeronave russa de patrulha marítima que se aproximou “de forma insegura e desnecessariamente próxima” do porta-aviões HMS Prince of Wales, no mar da Noruega. A coincidência temporal com a cimeira da NATO, que decorre terça e quarta-feira em Ancara, sublinha a centralidade da ameaça química russa na agenda aliada. O encontro, que terá a guerra na Ucrânia como tema dominante, poderá servir de palco para novos anúncios coordenados de sanções ou de reforço da assistência militar a Kiev.
O historial dos casos reforça a gravidade das acusações. Em 2018, o ex-agente duplo Sergei Skripal e a sua filha Yulia sobreviveram a um envenenamento com Novichok em Salisbury, mas Dawn Sturgess morreu após entrar em contacto com um frasco de perfume contaminado. Uma investigação pública britânica concluiu no ano passado que o Presidente Vladimir Putin “deve ter ordenado” o ataque, executado por agentes dos serviços secretos militares russos (GRU). Já Alexei Navalny, principal rosto da oposição a Putin, morreu numa colónia penal no Ártico em fevereiro de 2024, depois de, segundo laboratórios independentes citados por aliados europeus, ter sido exposto à epibatidina, uma toxina extraída de rãs venenosas. O Reino Unido já sancionou mais de 3.400 indivíduos e organizações desde o início da invasão da Ucrânia, e o dossier químico deverá continuar a alimentar novas rondas de medidas restritivas, com a cimeira de Ancara a funcionar como catalisador de eventuais decisões adicionais.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.90 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
O Reino Unido condena veementemente a Rússia pelo uso bárbaro de armas químicas e impõe sanções direcionadas.
Ao enfatizar as vítimas e a linguagem moral, a narrativa equipara o desenvolvimento de armas químicas ao terrorismo de Estado.
A negação russa das acusações não é mencionada.
A Europa registra as sanções britânicas como um ato devido contra a proliferação química russa.
Ao apresentar os fatos sem pathos, a cobertura legitima as sanções através do consenso multilateral.
O Brasil relata as sanções britânicas, mas destaca a negação russa, mantendo uma posição de equidistância.
Ao incluir a negação russa, a narrativa evita tomar partido e deixa espaço para dúvida.
O envenenamento de Salisbury e a morte de Dawn Sturgess são omitidos, focando apenas em Navalny.
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