
Banco Mundial deixará de conceder empréstimos à China até 2031
A instituição reduzirá gradualmente o financiamento a Pequim, que passará a receber apenas assistência técnica, num movimento que ecoa pressões de Washington e o novo estatuto económico do país.
O Banco Mundial planeia encerrar, até 2031, a concessão de novos empréstimos à China, no âmbito do novo Quadro de Parceria com o País acordado entre as duas partes. A partir de agora, o financiamento anual será limitado a um máximo de dois mil milhões de dólares, valor que será progressivamente reduzido até zero dentro de seis anos. A decisão, que não exige votação formal pelo Conselho de Administração da instituição, será apresentada ao órgão na semana de 20 de julho, segundo fontes próximas ao processo.
A medida consolida uma trajetória de declínio acentuado dos empréstimos à segunda maior economia mundial. Os desembolsos anuais do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) à China caíram de 2,4 mil milhões de dólares em 2017 para 750 milhões em 2025. Em paralelo, Pequim deixou de receber, no início do século, assistência da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), o braço concessional do Banco, e tornou-se o quinto maior doador desse fundo, com uma contribuição de 1,5 mil milhões de dólares na mais recente ronda de reposição.
A mudança de estatuto da China — de mutuário a doador e parceiro de conhecimento — é o argumento central invocado pela administração do Banco Mundial. “A China fez progressos significativos em termos de desenvolvimento nas últimas décadas, progressos que o Banco Mundial apoiou. Estamos agora a entrar numa nova fase da nossa relação, que reflete essa realidade”, afirmou um responsável da instituição, sob anonimato. A partir de 2031, a assistência a Pequim limitar-se-á a serviços de consultoria e cooperação técnica, um modelo que o Banco já aplica a outras economias em transição, como a Polónia, cujo programa de empréstimos também será extinto no mesmo horizonte temporal.
A decisão surge num contexto de pressão continuada por parte de Washington. Durante o seu primeiro mandato, o presidente norte-americano Donald Trump exigiu o fim dos empréstimos à China, considerando que um país com aquela dimensão económica não deveria beneficiar de financiamento multilateral para o desenvolvimento. Embora não tenha reiterado publicamente a exigência no segundo mandato, a administração Trump mantém uma postura de firmeza face a Pequim. Um porta-voz do Tesouro dos EUA classificou a medida como “um passo na direção certa” e defendeu que outras instituições multilaterais sigam o exemplo.
Para os países lusófonos, o precedente é observado com atenção. O Banco Mundial mantém carteiras ativas em nações como Moçambique, Angola e Timor-Leste, onde os empréstimos continuam a ser instrumentos centrais de financiamento ao desenvolvimento. A transição chinesa, contudo, é vista como um caso particular, reflexo da ascensão de Pequim a doador global, inclusive através da sua própria iniciativa de infraestruturas, as Novas Rotas da Seda. O próximo marco factual será a revisão do Quadro de Parceria pelo Conselho de Administração do Banco, na segunda quinzena de julho, sem necessidade de aprovação formal.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O plano do Banco Mundial de encerrar os empréstimos à China até 2031 é retratado como consequência da pressão sustentada dos EUA, particularmente do governo Trump, que via Pequim como um rival econômico estratégico. Embora o banco cite oficialmente os avanços no desenvolvimento chinês, a medida é enquadrada como uma vitória da postura mais dura de Washington.
A eliminação progressiva dos empréstimos do Banco Mundial à China é apresentada como um passo rotineiro, espelhando um plano idêntico anunciado para a Polônia. A decisão é enquadrada como uma consequência natural do amadurecimento econômico, desprovida de qualquer subtexto geopolítico.
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