
Ataque russo com drone incendeia navio no Mar Negro e mata cozinheiro egípcio
Cargueiro de bandeira panamenha foi atingido quando se dirigia a portos ucranianos; Kiev denuncia escalada contra rotas comerciais e pede reação internacional.
Na noite de 22 de junho, um ataque com drone atribuído às forças russas atingiu o navio cargueiro Victress, de bandeira panamenha, quando este navegava em direção a portos da região de Odessa, no Mar Negro. O impacto provocou um incêndio a bordo e causou a morte de um tripulante — o cozinheiro da embarcação, um cidadão egípcio de 58 anos. Os outros oito integrantes da tripulação, de nacionalidades egípcia, turca e indiana, foram resgatados, mas a embarcação ficou inoperável, segundo a Marinha ucraniana. O vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Oleksii Kuleba, confirmou que duas outras naves, com bandeiras de Belize e Palau, também foram alvejadas na mesma ofensiva, sofrendo danos mas sem registo de vítimas.
As autoridades ucranianas, incluindo o governador da região de Odessa, Oleg Kiper, classificaram os ataques como uma violação deliberada das rotas comerciais e humanitárias, e apelaram a uma “reação decisiva da comunidade internacional”. Kuleba afirmou que a ação representa “uma ameaça direta à segurança alimentar e económica global”. Até ao momento, Moscovo não comentou publicamente os incidentes. Observadores em capitais ocidentais interpretam a ofensiva como parte de uma estratégia para asfixiar a capacidade de exportação da Ucrânia, intensificada desde que a Rússia abandonou, em julho de 2023, o acordo de cereais mediado pela ONU. Na perspetiva de Brasília, a repetição de ataques a navios civis acende alertas sobre a volatilidade dos preços dos alimentos, com impacto potencial em países importadores da África lusófona e no próprio mercado brasileiro de fretes e seguros.
O Mar Negro é uma artéria vital para o escoamento de cereais ucranianos, dos quais dependem numerosos países do Médio Oriente e de África. Após o fim do acordo, Kiev estabeleceu um corredor unilateral para embarcações civis, enquanto a Rússia passou a atacar infraestruturas portuárias e navios mercantes. Em paralelo, a Ucrânia tem conduzido ataques contra petroleiros da chamada “frota sombra” russa, utilizada para contornar sanções. O episódio de 22 de junho sucede-se a outro ataque, a 19 de junho, que também vitimou um tripulante de um cargueiro com bandeira do Panamá e feriu outros cinco marinheiros. Analistas em Lisboa sublinham que a militarização das rotas comerciais no Mar Negro encarece os seguros marítimos e desincentiva o tráfego, com efeitos em cadeia sobre o abastecimento global de grãos. Para países como Moçambique e Angola, fortemente dependentes de importações de trigo, a perturbação logística pode agravar a insegurança alimentar.
O dossiê permanece em aberto, sem mecanismos de desescalada à vista. A Ucrânia não anunciou retaliações específicas, mas o padrão de ataques recíprocos contra a marinha mercante sugere a continuação da escalada. A Organização Marítima Internacional e as Nações Unidas poderão enfrentar renovados apelos para condenar a militarização das rotas comerciais. O Brasil, membro dos BRICS e exportador agrícola de peso, tem historicamente defendido soluções diplomáticas para o conflito, enquanto Portugal, no quadro da União Europeia, apoia sanções e assistência a Kiev. A próxima reunião do Conselho de Segurança da ONU poderá incluir o tema na agenda, mas não há indicação de medidas vinculativas iminentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um drone russo atingiu um navio cargueiro civil no Mar Negro, causando um incêndio e matando um marinheiro egípcio. As autoridades ucranianas relataram que a vítima era um cozinheiro de 58 anos. O incidente destaca os perigos para a navegação comercial na zona de conflito.
Um ataque de drone russo a um cargueiro de bandeira panamenha no Mar Negro matou um marinheiro egípcio e provocou um grande incêndio. O vice-primeiro-ministro ucraniano confirmou a morte do cozinheiro de 58 anos, enquanto outros oito tripulantes foram evacuados. O navio ficou inavegável, destacando a ameaça crescente a embarcações civis.
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