
EUA matam dois em novo ataque a barco suspeito de narcotráfico no Caribe
Ofensiva militar americana já soma mais de 200 mortos desde setembro, enquanto críticos denunciam execuções extrajudiciais e falta de provas.
A 21 de junho, o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) realizou um ataque cinético letal contra uma embarcação no mar do Caribe, matando dois homens e deixando seis sobreviventes. Segundo o comunicado militar, a ação visou um navio operado por “organizações terroristas designadas” que transitava em rotas conhecidas de narcotráfico, mas não foram apresentadas provas de que transportasse drogas. Este é o mais recente de mais de 60 ataques conduzidos desde setembro de 2025, elevando o total de mortos para mais de 200 pessoas no âmbito da operação “Southern Spear”.
A administração Trump enquadra a campanha como um “conflito armado” contra cartéis, justificando-a como escalada necessária para conter o fluxo de drogas e as overdoses fatais nos EUA. Em contrapartida, organizações de direitos humanos, responsáveis da ONU e legisladores norte-americanos — entre os quais o senador Rand Paul — classificam os ataques como execuções extrajudiciais, questionando a legalidade e a ausência de devido processo. Juristas internacionais sublinham que um ataque de seguimento contra sobreviventes, como o relatado num incidente anterior, seria ilegal em qualquer circunstância. O órgão inspetor do Pentágono abriu uma avaliação centrada no ciclo de seleção de alvos, mas não na legalidade das operações.
Na perspetiva de Brasília, diplomatas manifestam apreensão com o precedente de uso unilateral da força militar no hemisfério, sobretudo tendo em conta as extensas fronteiras marítimas brasileiras e os desafios internos com o crime organizado. Observadores em Lisboa notam que as operações, conduzidas sem apresentação de provas ou supervisão judicial, podem violar o direito internacional e enfraquecer os esforços multilaterais de interdição de drogas. Os países africanos de língua oficial portuguesa, embora distantes do teatro de operações, acompanham com preocupação a erosão das normas sobre o uso da força no mar, com potenciais implicações para a soberania de Estados mais pequenos.
A ofensiva representa um afastamento da prática histórica norte-americana de interdição e detenção, substituída agora pelo uso letal da força. A administração não forneceu provas de que as embarcações visadas estivessem efetivamente envolvidas em tráfico, e críticos recordam que o fentanil responsável pela crise de overdoses é maioritariamente traficado por via terrestre a partir do México. Após o ataque, a Guarda Costeira foi notificada para ativar o sistema de busca e salvamento, mas permanece incerto o destino dos seis sobreviventes. O dossiê continua em aberto, com congressistas a exigirem a divulgação de vídeos não editados do primeiro ataque e a revisão do Pentágono em curso, enquanto a campanha não dá sinais de abrandamento.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As forças armadas dos EUA atacaram uma embarcação suspeita de tráfico de drogas no Caribe, matando dois supostos narcoterroristas e deixando seis sobreviventes. A operação faz parte de uma campanha em andamento que já resultou em mais de 210 mortes. Nenhum militar americano ficou ferido.
Um ataque dos EUA contra uma embarcação suspeita de transportar drogas matou duas pessoas. Os Estados Unidos realizaram mais de 60 ataques desse tipo, com mais de 210 mortos, sem nunca apresentar provas das acusações. Organizações de direitos humanos condenam as operações como execuções extrajudiciais.
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