
Aos 100 anos, morre Alan Greenspan, o 'Maestro' que moldou a economia americana e carregou a sombra da crise de 2008
O ex-presidente do Federal Reserve, que guiou a maior expansão económica dos EUA e depois foi criticado por políticas que contribuíram para a crise financeira global, faleceu de complicações do Parkinson.
Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal dos EUA entre 1987 e 2006, morreu esta segunda-feira aos 100 anos em sua casa, em Washington, devido a complicações da doença de Parkinson, confirmou a sua mulher, a jornalista Andrea Mitchell. O Federal Reserve emitiu um comunicado em que lamenta "com profunda tristeza" a morte do seu 13.º presidente, sublinhando que o seu legado "perdura na instituição, nos economistas e funcionários públicos que inspirou e nos quadros e práticas que ajudou a moldar". A notícia desencadeou uma vaga global de reações e reavaliações de um percurso que durante quase duas décadas o colocou no centro do poder económico mundial.
A longa gestão de Greenspan coincidiu com um período de notável estabilidade e crescimento nos EUA, conhecido como a "Grande Moderação". Sob a sua liderança, a economia americana registou uma expansão ininterrupta de dez anos, entre 1991 e 2001, com o índice S&P 500 a quase quadruplicar e o desemprego a cair para mínimos históricos. O antigo vice-presidente da Fed, Roger Ferguson, recordou que Greenspan "foi dos primeiros a reconhecer o impacto da tecnologia no aumento da produtividade", permitindo um crescimento mais rápido sem inflação. A sua comunicação enigmática — de que a expressão "exuberância irracional", cunhada em 1996, se tornou emblemática — e a perceção de que a Fed interviria sempre para suster quedas bruscas dos mercados (a chamada "Greenspan put") granjearam-lhe os epítetos de "Maestro" e "Oráculo", com distinções como a Legião de Honra francesa e o título de cavaleiro britânico.
A reputação de Greenspan sofreu um golpe severo pouco depois da sua saída, quando o rebentamento da bolha imobiliária nos EUA desencadeou a crise financeira global de 2007-2009. Críticos nos EUA e na Europa atribuíram parte da responsabilidade às taxas de juro baixas mantidas durante a sua presidência e à sua defesa da desregulamentação financeira. A Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira do Congresso americano concluiu que mais de 30 anos de desregulamentação, "defendida pelo antigo presidente da Fed Alan Greenspan e outros", tinham removido salvaguardas essenciais. O próprio Greenspan admitiu, em 2008, ter cometido um "erro" ao acreditar que os bancos se autorregulariam. Apesar das críticas, o antigo alto funcionário da Fed Stephen Oliner considerou que "a deificação antes da crise nunca foi totalmente merecida, tal como as críticas posteriores nunca foram inteiramente justas".
O desaparecimento de Greenspan ocorre num momento em que a Fed, agora liderada por Kevin Warsh, procura redefinir a sua comunicação e o seu papel. Warsh, que tomou posse recentemente, elogiou a abordagem de Greenspan e manifestou a intenção de reduzir a orientação prospetiva dada aos mercados, num regresso a um estilo mais próximo do do antigo presidente. O próximo marco factual será a forma como a nova liderança da Fed equilibrará a herança de Greenspan — entre a estabilidade de preços e a gestão de expectativas — num contexto de tensões sobre a independência do banco central.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Alan Greenspan, presidente do Fed por quase duas décadas, morreu aos 100 anos. Uma figura gigantesca que moldou o capitalismo americano moderno, ele presidiu uma das mais longas expansões econômicas da história, mas seu legado é obscurecido pela crise financeira global de 2008, que muitos ligam às suas políticas de desregulamentação e juros baixos. Sua morte reabre o debate sobre uma era de prosperidade e seus custos ocultos.
Alan Greenspan, economista judeu e o presidente do Fed com mais tempo no cargo, morreu aos 100 anos. Figura proeminente para a comunidade judaica global, ele liderou o banco central americano sob quatro presidentes, tornando-se um dos homens mais poderosos das finanças mundiais. Sua morte é notada com orgulho por sua herança e com consciência de seu impacto nas economias interconectadas, incluindo a de Israel.
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