
General dos EUA que ameaçou Kaliningrado deixa comando em meio a expurgos no Pentágono
Christopher Donahue, último soldado a sair do Afeganistão em 2021, abandona o cargo de comandante das forças terrestres na Europa e África, no contexto de uma vaga de afastamentos promovida pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth.
O general Christopher Donahue, comandante do Exército dos EUA para a Europa e África e das forças terrestres da NATO, deixará o posto em julho, após apenas 18 meses no cargo. A saída, confirmada pelo Pentágono, insere-se numa série de afastamentos de altas patentes militares desde que Pete Hegseth assumiu a Secretaria da Defesa. Donahue ficou conhecido como o último militar norte-americano a abandonar o Afeganistão, a 30 de agosto de 2021, numa imagem noturna que simbolizou o fim de duas décadas de guerra. A sua partida é interpretada por fontes do Pentágono como mais um passo na reestruturação em curso, que visa reduzir o número de generais e alinhar a cúpula castrense com a visão do presidente Donald Trump.
Na perspetiva de Washington, a decisão reflete a determinação de Hegseth em responsabilizar oficiais associados à retirada do Afeganistão, operação que o secretário e Trump criticaram repetidamente, apesar de o acordo com os talibãs ter sido negociado durante o primeiro mandato republicano. O Pentágono ordenou uma nova revisão da evacuação, mesmo após múltiplos inquéritos anteriores. Paralelamente, discute-se a despromoção do comando Europa-África de uma estrutura de quatro estrelas para três, e a fusão dos comandos europeu e africano, o que poderá reduzir a presença militar dos EUA no continente europeu. Hegseth anunciou ainda uma auditoria de seis meses às forças na Europa, com o objetivo de transferir a responsabilidade primária da defesa para os aliados.
Observadores em Lisboa e outras capitais europeias notam que a revisão do dispositivo militar norte-americano gera inquietação entre os membros da NATO, num momento em que a administração Trump pressiona por um aumento das despesas de defesa. A eventual fusão de comandos e a redução de efetivos são vistas como sinais de um possível desengajamento dos EUA, com implicações para a segurança do flanco leste e para a capacidade de dissuasão da Aliança. Para os países africanos de língua oficial portuguesa, como Moçambique e Angola, onde os EUA mantêm programas de cooperação em segurança, a reorganização do comando África poderá alterar as prioridades de assistência militar. Já a imprensa russa, em particular o portal Lenta.ru, recorda que Donahue afirmou em 2024 que a NATO dispunha de meios para “apagar Kaliningrado do mapa”, recorrendo a plataformas de inteligência artificial como a Palantir, declaração que Moscovo explora para enquadrar a sua saída como parte de uma “purga” de figuras hostis à Rússia.
A vaga de afastamentos abrangeu já o chefe do Estado-Maior do Exército, o responsável pela transformação e treino, o capelão-mor, o diretor da inteligência militar e a representante no comité militar da NATO. Hegseth, ele próprio sob escrutínio devido a fugas de informação e a um ambiente de “caos total” no Pentágono, promove uma redução de pelo menos 20% dos generais e almirantes. O lugar de Donahue será ocupado interinamente pelo major-general Christopher Norrie, enquanto o tenente-general Kevin Admiral é apontado como potencial sucessor, sem nomeação formal. O Pentágono não comentou oficialmente os motivos da saída, mas o processo de revisão das forças na Europa prossegue, com conclusões esperadas dentro de seis meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma cascata de demissões atinge o Pentágono: o último a sair é o general que foi o último soldado americano a deixar o Afeganistão. Sua saída repentina, disfarçada de aposentadoria, esconde na verdade conflitos com o novo chefe do Pentágono e expõe o fracasso da estratégia americana.
O comandante das forças dos EUA na Europa e África deixará o cargo neste verão, apanhado na expurgação ordenada pelo novo chefe do Pentágono. O general, conhecido por ameaçar apagar Kaliningrado do mapa e por apoiar a Ucrânia, está sendo removido também pelo desastroso recuo do Afeganistão.
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