
Lumumba Vea, a estátua viva do Congo, estreia no Mundial em derrota para a Colômbia
O torcedor-símbolo Michel Kuka Mboladinga, que homenageia Patrice Lumumba com imobilidade total, finalmente chegou ao México, mas não evitou o 1-0 sofrido pelos Leopardos.
A imagem que correu o mundo na terça-feira, 24 de junho, não foi a de um golo, mas a de um homem imóvel. Michel Kuka Mboladinga, o adepto da República Democrática do Congo conhecido como “Lumumba Vea”, estreou-se no Mundial 2026 no Estádio Akron, em Guadalajara, vestido com as cores da bandeira nacional — casaco vermelho, camisa amarela, calças azuis — e o braço direito erguido, replicando a pose da estátua de Patrice Lumumba em Kinshasa. A sua presença, contudo, não inspirou a equipa: a Colômbia venceu por 1-0, com um golo de Daniel Muñoz aos 76 minutos, e garantiu a qualificação para os dezasseis-avos-de-final.
Mboladinga, de 49 anos, antigo padeiro e hoje animador do clube AS Vita, tornou-se um fenómeno durante a Taça das Nações Africanas de 2025, ao permanecer estático durante os 90 minutos, numa homenagem ao primeiro-ministro congolês assassinado em 1961. “Assim como Lumumba sacrificou a sua vida pelo nosso país, o meu é um pequeno preço a pagar pelo quanto me importo com esta equipa”, declarou ao Wall Street Journal. A sua chegada ao México foi adiada pelas restrições sanitárias impostas aos viajantes congoleses devido ao surto de ébola, que o impediram de assistir ao empate surpreendente (1-1) com Portugal na primeira jornada. A federação congolesa e o capitão Chancel Mbemba intervieram para que fosse integrado na delegação oficial, e o presidente Félix Tshisekedi já lhe oferecera um automóvel de luxo após a eliminação nos oitavos-de-final da CAN, quando Mboladinga desatou a chorar nas bancadas.
Em campo, a Colômbia dominou a posse e criou as melhores oportunidades, com James Rodríguez, Luis Díaz e Jhon Arias a pressionarem constantemente. O guarda-redes Lionel Mpasi, no entanto, protagonizou uma das exibições mais notáveis do torneio, negando o golo aos cafeteros repetidamente. A resistência congolesa só foi quebrada quando Juan Quintero encontrou Muñoz em profundidade, e o defesa rematou cruzado para o único golo da partida. Com este resultado, a Colômbia soma seis pontos no Grupo K e junta-se a Portugal na fase seguinte, enquanto a RD Congo, com um ponto, fica obrigada a vencer o Uzbequistão na última jornada para manter vivas as esperanças de qualificação.
A receção a “Lumumba Vea” em Guadalajara foi calorosa: adeptos colombianos e mexicanos pediram-lhe selfies antes do jogo, e a sua figura destacou-se num mar amarelo de camisolas cafeteras. Na perspetiva de analistas africanos, Mboladinga transcendeu o papel de mero adepto para se tornar um símbolo de resiliência nacional, ecoando a memória anticolonial de Lumumba. Observadores europeus notam que a sua pose rígida, mantida com treinos diários de até 50 minutos, contrasta com a euforia ruidosa das bancadas e funciona como um ato performativo de resistência emocional.
Agora, o foco regressa ao relvado. A RD Congo, que regressou a um Mundial após 52 anos de ausência, precisa de bater o Uzbequistão para aspirar a um lugar nos dezasseis-avos. Se o conseguir, Mboladinga — imóvel entre milhares — poderá ter mais uma noite para recordar neste Mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O torcedor mais famoso da RD Congo, Michel Kuka Mboladinga, conhecido como 'Lumumba Vea', finalmente estreou na Copa do Mundo em Guadalajara após perder o primeiro jogo devido à quarentena do ebola. Sua pose estoica com o braço direito erguido, em homenagem ao herói nacional Patrice Lumumba, eletrizou a torcida e as redes sociais. Ele é visto como um talismã para a equipe.
O 'torcedor-estátua' da República Democrática do Congo apareceu nas arquibancadas contra a Colômbia após perder a estreia devido ao isolamento preventivo ligado à epidemia de ebola imposto pelas autoridades americanas. Sua pose imóvel com o braço direito erguido homenageia Patrice Lumumba, primeiro-ministro e herói da independência assassinado em 1961. O retorno do Congo à Copa do Mundo após 52 anos ganha assim uma dimensão simbólica.
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