
França confirma primeiro caso de ébola fora de África no surto actual
Médico humanitário regressado da República Democrática do Congo está isolado e estável; OMS sublinha que o risco global permanece baixo.
A França confirmou a 24 de Junho o primeiro caso de doença por vírus Ébola detectado no seu território, num médico que regressara de uma missão humanitária na República Democrática do Congo (RDC). O paciente, que trabalhou com a organização não-governamental Alima, foi isolado à chegada a Paris e encontra-se em estado estável, com carga viral muito baixa, segundo o Ministério da Saúde francês. Trata-se do primeiro caso identificado fora do continente africano durante o actual surto, declarado a 15 de Maio, que já causou mais de mil infecções e 267 mortes na RDC, além de 20 casos e duas mortes no Uganda. A epidemia é provocada pela estirpe rara Bundibugyo, para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados.
O médico embarcou num voo comercial da Air France em Kinshasa com apenas dores de cabeça; o seu estado agravou-se ligeiramente durante o voo. Foi isolado à chegada a Paris, antes da confirmação laboratorial. A companhia aérea forneceu a lista de passageiros; cinco outros ocupantes foram identificados como contactos possíveis e colocados em isolamento preventivo. As autoridades iniciaram um inquérito epidemiológico, e os contactos ficarão em isolamento domiciliário de 21 dias sob vigilância médica.
O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco global “permanece baixo” e desaconselhou reacções exageradas, recordando que em 50 anos menos de 30 casos foram detectados fora de África. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) avalia o risco como baixo para residentes europeus e viajantes, e muito baixo para a população geral. A OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional a 17 de Maio. A resposta no terreno é dificultada pela insegurança no leste da RDC, onde grupos armados controlam partes das províncias de Ituri, Kivu Norte e Kivu Sul, e pela desconfiança de algumas comunidades. Quase 80 profissionais de saúde foram infectados, sublinhando os riscos enfrentados na linha da frente.
Observadores africanos apontam a fragilidade dos sistemas de saúde e a dependência de ajuda externa, reforçando apelos a uma maior “soberania sanitária”. A OMS anunciou que está pronto um ensaio clínico para testar dois tratamentos – o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir – que terá início na próxima semana na província de Ituri, podendo envolver entre 500 e 1.000 participantes. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acompanha a situação “muito de perto”. O próximo marco factual será o arranque do ensaio clínico e a conclusão do período de vigilância dos contactos identificados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A França confirmou seu primeiro caso de ebola, um médico que retornou de uma missão humanitária na República Democrática do Congo. O paciente está isolado e as autoridades dizem que o risco para a população europeia é baixo. Enquanto isso, o surto no Congo está se espalhando mais rápido do que a resposta, e organizações humanitárias alertam que o pico ainda está por vir e pode durar um ano.
O surto de ebola na República Democrática do Congo registrou o maior número de casos confirmados no primeiro mês de qualquer surto já documentado, com mais de 1.000 infecções e 267 mortes. O vírus atingiu centros urbanos como Bunia, e a detecção tardia permitiu sua disseminação. A França agora relatou o primeiro caso fora da África, um médico que retornou da zona do surto.
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