
Canadá e Austrália selam acordo de 2,5 mil milhões de dólares canadianos para radar no Ártico
O contrato, o maior de exportação de defesa da história australiana, permitirá a Ottawa vigiar ameaças aéreas e marítimas no extremo norte, no quadro da modernização do NORAD.
O Canadá e a Austrália assinaram em Camberra um acordo de 2,5 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 1,75 mil milhões de dólares norte-americanos) para a aquisição de um sistema de radar transhorizonte destinado à vigilância do Ártico. O equipamento, desenvolvido pela BAE Systems Australia com base na rede JORN que monitoriza o norte australiano há quatro décadas, será instalado no sul da província de Ontário, em dois locais de emissão e dois de receção, e tem o início das entregas previsto para 1 de julho de 2026. A capacidade operacional plena está projetada para 2043.
Na perspetiva de Ottawa, o projeto insere-se numa estratégia de reforço da presença no Ártico face ao que o governo de Mark Carney descreve como ameaças crescentes da Rússia e da China. O executivo canadiano optou deliberadamente pela tecnologia australiana em detrimento de alternativas norte-americanas, movimento que, segundo analistas em Washington, sinaliza o empenho de Carney em diversificar as parcerias de defesa para além da dependência tradicional dos Estados Unidos. Do lado australiano, o ministro da Defesa, Richard Marles, classificou o acordo como “a maior exportação de defesa que alguma vez fizemos” e sublinhou que a partilha de propriedade intelectual com o Canadá confere uma “dimensão estratégica muito significativa” à relação bilateral. A imprensa russa, por seu turno, contextualiza a decisão no quadro do aumento da presença militar da NATO no Ártico e vê no radar um instrumento de controlo de acessos aéreos e navais que reforça a arquitetura de defesa norte-americana na região.
O sistema de radar transhorizonte utiliza a refração de ondas eletromagnéticas na ionosfera para detetar aeronaves, navios e mísseis a distâncias de até três mil quilómetros, colmatando a limitação dos radares convencionais face à curvatura da Terra. A sua implantação no Ontário gerou controvérsia local, com petições de proprietários rurais nas zonas de Barrie e Kawartha Lakes, mas o Ministério da Defesa canadiano considerou os requisitos de localização “imutáveis” após avaliar centenas de hipóteses. O acordo prevê a criação de cerca de 300 postos de trabalho na Austrália e, segundo o secretário de Estado canadiano para as Aquisições de Defesa, Stephen Fuhr, de aproximadamente 2300 empregos anuais no Canadá durante os próximos cinco anos. A BAE Systems colaborará com empresas canadianas no desenvolvimento do sistema.
O radar é apresentado como elemento central do programa de modernização do NORAD, anunciado em 2022 e orçado em 38,6 mil milhões de dólares canadianos ao longo de vinte anos. A assinatura ocorre num momento em que o Canadá revê a sua frota de caças, com Washington a manifestar impaciência perante a demora na decisão sobre o F-35, e em que Camberra explora novas exportações de tecnologia sensível, incluindo o drone Ghost Bat, que Fuhr inspecionará durante a visita. Para aliados da NATO como Portugal, o reforço da vigilância no Ártico é observado com interesse, num contexto de multiplicação de exercícios e de infraestrutura militar na região. O dossier prevê ainda uma segunda fase, com um radar polar a instalar no arquipélago ártico canadiano, e o governo de Camberra admite a possibilidade de futuras vendas a outros parceiros próximos, como os Estados Unidos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Austrália fechou seu maior acordo de exportação de defesa, vendendo ao Canadá um sistema de radar além do horizonte por 2,5 bilhões de dólares. O acordo reforça a vigilância do Ártico canadense e representa um marco para a indústria de defesa australiana, abrindo caminho para uma colaboração mais profunda entre os dois aliados.
O Canadá está comprando um radar além do horizonte da Austrália para reforçar seu controle sobre o Ártico, em meio à crescente militarização da região. O acordo de 2,5 bilhões de dólares é visto com cautela, pois introduz nova infraestrutura militar estrangeira em uma área de importância estratégica para a Rússia.
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