
Vance anuncia regresso de inspetores nucleares ao Irão, mas Teerão nega novo compromisso
Vice-presidente dos EUA afirma que Irão aceitou readmitir inspetores da AIEA, enquanto porta-voz iraniano desmente qualquer acordo novo sobre a questão nuclear, expondo fragilidades nas negociações mediadas na Suíça.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, declarou na segunda-feira que o Irão concordou em permitir o regresso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ao país, classificando o passo como “o primeiro para pôr fim permanente ao programa de armas nucleares” iraniano. Contudo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou à comunicação social estatal que Teerão não negociou a questão nuclear nem aceitou qualquer novo compromisso, e que a relação com a AIEA continuará a reger‑se pelos procedimentos em vigor, carecendo de aprovação parlamentar qualquer alteração. A divergência de versões marcou o encerramento da primeira ronda de conversações diretas entre as duas delegações no resort de Bürgenstock, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão.
Segundo a administração norte-americana, as conversas estabeleceram uma “base sólida” para um acordo final e produziram avanços em várias frentes. Vance anunciou a criação de um mecanismo para manter o Estreito de Ormuz aberto — via por onde, segundo os EUA, já voltaram a circular milhões de barris de petróleo — e de uma “célula de desconflito” para consolidar o cessar‑fogo no Líbano entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão. O vice‑presidente revelou ainda que os EUA poderão descongelar ativos iranianos para a compra de produtos agrícolas americanos, ideia atribuída a Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. A Casa Branca emitiu uma licença de 60 dias que suspende sanções ao petróleo iraniano, permitindo inclusive a sua importação para os EUA.
Na perspetiva de Teerão, a reunião de domingo serviu apenas para apresentar posições e não constituiu o início de negociações formais sobre um acordo nuclear definitivo. O porta‑voz Baghaei sublinhou que as discussões só começarão após a implementação de pontos do memorando de entendimento assinado na semana passada, incluindo a libertação de ativos congelados e isenções para a venda de petróleo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, advertiu os negociadores americanos para abandonarem posições “excessivas e irrazoáveis” e apontou a célula de desconflito no Líbano como o primeiro “teste real” dos progressos. A delegação iraniana chegou a retirar‑se momentaneamente da mesa, em protesto contra ameaças de Trump, que prometera atacar o Irão “com muita força” caso os seus “representantes” no Líbano não cessassem os distúrbios.
Os mediadores do Catar e do Paquistão divulgaram um comunicado conjunto em que saudaram “progressos encorajadores” e anunciaram um roteiro para um acordo final no prazo de 60 dias, com a criação de um Comité de Alto Nível para supervisão política e a continuação de conversas técnicas ao longo da semana. Apesar do tom otimista, a fragilidade do cessar‑fogo no Líbano — onde bombardeamentos israelitas fizeram dezenas de mortos no fim de semana — e o ceticismo no Congresso norte‑americano, com senadores republicanos a questionarem o quadro do entendimento, mantêm o processo sob pressão. As equipas técnicas permanecem na Suíça para dar seguimento aos trabalhos, enquanto se aguarda a concretização dos mecanismos de verificação e o início efetivo das inspeções nucleares, cujo calendário permanece incerto.
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O vice-presidente dos EUA anunciou que o Irã concordou em permitir a volta dos inspetores da AIEA, apresentando isso como um passo importante. No entanto, Teerã negou imediatamente ter discutido inspeções, expondo uma lacuna entre a narrativa americana e as declarações iranianas. A imprensa latino-americana relata as duas versões, lançando dúvidas sobre o progresso real.
O vice-presidente Vance declarou que foi lançada uma base sólida para um acordo final, com o Irã concordando em readmitir os inspetores nucleares. Ele descartou as queixas iranianas como 'ameaças e choradeira', enfatizando que os EUA estão avançando nas conversas técnicas e nos mecanismos para ativos congelados. O tom é de otimismo determinado, pondo de lado as objeções de Teerã.
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