
Empate frustrante com RD Congo reacende debate sobre Ronaldo; Portugal busca reação imediata
Atuação apagada do capitão de 41 anos e declarações de Francisco Conceição sobre a não obrigatoriedade de passes ao astro marcam a preparação para o duelo decisivo contra o Uzbequistão.
O pontapé de saída de Portugal no Mundial de 2026 transformou-se num anticlímax imediato. O empate a um golo com a República Democrática do Congo, em Houston, expôs uma Seleção das Quinas com 70% de posse de bola, mas apenas um remate enquadrado — o cabeceamento inaugural de João Neves — e um Cristiano Ronaldo periférico. O capitão terminou a partida com 25 toques na bola, três disparos sem direção à baliza e um único duelo ganho, a segunda menor participação da sua carreira num jogo completo em grandes torneios. O contraste com o hat-trick de Lionel Messi no mesmo dia amplificou o escrutínio, mas dentro do relvado o dado mais concreto foi a desconexão entre o avançado e uma linha criativa povoada por Bruno Fernandes, Vitinha e Bernardo Silva.
A discussão tática ganhou contornos públicos quando Francisco Conceição, extremo da Juventus, afirmou que a equipa não sente qualquer obrigação de servir Ronaldo. “Passo a bola a quem considero estar na melhor posição e sem marcação”, declarou o jogador de 23 anos, citado pela imprensa portuguesa. Conceição descreveu o veterano como “um exemplo pela carreira e pela fome que ainda demonstra aos 41 anos”, mas sublinhou que ele é “mais um membro do plantel” e que o coletivo precisa de todas as individualidades para funcionar. A leitura em Lisboa é que as palavras do filho de Sérgio Conceição não representam uma rutura, mas sim a tradução de um equilíbrio interno delicado: respeitar a lenda sem hipotecar a fluidez ofensiva.
O selecionador Roberto Martínez saiu em defesa do seu capitão, rejeitando a ideia de que faria sentido retirar “o maior goleador da história” num jogo em que a equipa precisava de marcar. Martínez atribuiu o desaire à perda de disciplina tática após os primeiros vinte minutos e garantiu que o grupo está “mais unido do que antes”. O central Rúben Dias, por sua vez, classificou as críticas como “ruído” e parte do jogo, lembrando que todos estão sob avaliação. Na análise de comentadores brasileiros, a insistência do treinador espanhol em Ronaldo como referência fixa reabre um dilema conhecido desde o Euro 2024: a mobilidade reduzida do jogador do Al-Nassr condiciona a variação de ritmo ofensivo, mas a sua capacidade de abrir espaços com movimentos curtos ainda é vista como um trunfo em jogos de rutura.
O empate deixou Portugal no terceiro lugar do Grupo K, atrás da Colômbia (três pontos) e da própria RD Congo, com o Uzbequistão na lanterna. A próxima jornada, esta terça-feira novamente em Houston, coloca os lusos frente aos uzbeques, que perderam por 3-1 com os colombianos. Uma vitória torna-se imperativa para manter o ritmo dos sul-americanos e evitar que a qualificação para os oitavos de final se complique precocemente. Martínez assegurou que a equipa estará “pronta para render durante 90 minutos ao nível que temos”, enquanto Ronaldo, nas redes sociais, prometeu “cabeça erguida” e foco imediato no próximo desafio.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um jovem extremo português apela aos colegas para igualarem a fome incansável de Cristiano Ronaldo, vendo na garra do veterano a chave para ultrapassar o deslize inicial. A equipa tem de canalizar o seu exemplo para recolocar a campanha do Mundial nos carris frente ao Uzbequistão.
Os jogadores de Portugal não têm qualquer instrução para alimentar Cristiano Ronaldo, esclareceu um colega, rejeitando as alegações de que a presença da estrela distorce o jogo ofensivo. As decisões de passe são tomadas com base na melhor opção, e não na reputação.
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