
Pentágono pede US$ 80 bilhões ao Congresso para custear guerra contra o Irã
Valor mais que duplica estimativa anterior e enfrenta ceticismo de parlamentares, enquanto Casa Branca também solicita US$ 1,5 trilhão para a Defesa.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou ao Senado que necessita de aproximadamente 80 mil milhões de dólares para cobrir, sobretudo, os custos da guerra contra o Irão, um montante que mais do que duplica os 29 mil milhões estimados pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, em depoimento no mês passado. O pedido, ainda não formalizado pelo Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca, insere-se numa ofensiva orçamental mais ampla que inclui um aumento de quase 50% no financiamento do Pentágono, para 1,5 biliões de dólares no ano fiscal corrente.
Segundo fontes do Congresso norte-americano, a iniciativa encontra resistência entre legisladores de ambos os partidos. O líder da maioria no Senado, o republicano John Thune, afirmou esperar um pedido suplementar e que o analisará para verificar se há votos suficientes, sublinhando a necessidade de recompor os arsenais de munições, esgotados não apenas pelo conflito com o Irão, mas também por operações anteriores. Já a senadora democrata Patty Murray criticou o gasto de impostos das famílias norte-americanas numa guerra à qual muitos se opõem, enquanto o senador Brian Schatz, da liderança democrata, declarou não ter encontrado nenhum colega disposto a apoiar um projeto de lei centrado no Irão. Na perspetiva de analistas em Washington, a dimensão do pedido reflete o elevado consumo de mísseis Patriot, THAAD, SM3 e Tomahawk durante a campanha de bombardeamentos, cuja reposição, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, poderá exigir três ou mais anos aos ritmos atuais de produção.
A Casa Branca, por seu lado, defendeu o custo como proporcional aos objetivos estratégicos. O presidente Donald Trump afirmou à PBS News que o valor é “muito barato comparado com o que fizemos”, argumentando que a operação impediu o Irão de alguma vez possuir armas nucleares. A administração invocou, a 16 de junho, a Lei de Produção de Defesa para acelerar o fabrico de munições, e Trump reúne-se esta quarta-feira com executivos das principais empresas do setor, depois de, em março, estas se terem comprometido a quadruplicar a produção de sistemas de armamento avançados. Observadores em Brasília notam que o debate ocorre num momento em que o custo de vida nos EUA gera pressão interna, enquanto diplomatas em Lisboa sublinham que a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 18 de junho, suspendeu temporariamente as hostilidades, mas não eliminou as dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo.
O pedido suplementar de 80 mil milhões será agora analisado pelas comissões do Congresso, num processo que, segundo fontes parlamentares, deverá enfrentar uma votação maioritariamente partidária no verão do Hemisfério Norte. O Pentágono alertou que os fundos para as operações podem começar a escassear nos próximos meses se o novo orçamento de defesa não for aprovado. O desfecho permanece incerto, com os republicanos a tentarem assegurar cerca de 1,1 biliões de dólares pelo processo regular de dotações e mais 350 mil milhões através de uma votação de linha partidária, enquanto os democratas condicionam qualquer financiamento suplementar a um acordo global sobre os níveis de despesa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O pedido de 80 mil milhões de dólares do Pentágono é mais do dobro da estimativa inicial, levantando alarme sobre o custo real da guerra no Irão. Os legisladores foram induzidos em erro sobre o ónus financeiro, e a quantia impressionante alimenta o ceticismo quanto à transparência da administração. O preço sublinha a drenagem crescente de recursos.
O presidente Trump argumenta que o custo de 80 mil milhões de dólares é barato comparado com o resultado estratégico de impedir um Irão com armas nucleares. A administração enquadra a despesa como um investimento necessário para eliminar uma ameaça de longo prazo. O foco está no resultado, e não no preço.
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