
Tiros israelenses matam dois no Líbano e testam trégua ligada a pacto EUA-Irã
Primeiras mortes desde domingo levam Hezbollah a acusar Israel de violar cessar-fogo, enquanto Teerã alerta para riscos ao processo de paz mais amplo.
Soldados israelenses abriram fogo e mataram duas pessoas nesta terça-feira em Nabatieh al-Fawqa, no sul do Líbano, no primeiro incidente fatal desde que o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah passou a ser amplamente respeitado no domingo. A agência estatal libanesa NNA informou que as vítimas estavam junto a uma escavadeira que desobstruía uma estrada. O Hezbollah classificou a ação como “violação flagrante” da trégua e “ataque traiçoeiro”. Os militares israelenses afirmaram ter disparado contra “terroristas armados” que representavam ameaça imediata numa “zona de segurança” declarada unilateralmente.
O episódio expõe a fragilidade do entendimento que interrompeu os combates mais intensos em semanas. O líder do Hezbollah, xeque Naim Qassem, exigiu uma retirada total e calendarizada das forças israelenses, afirmando que o grupo entrou numa “nova fase de quebra do projeto israelense”. O presidente libanês, Joseph Aoun, rejeitou a ocupação israelense e qualquer “tutela estrangeira” — numa alusão ao Irã — e depositou esperanças na quinta ronda de negociações com Israel em Washington. Na perspetiva de Teerã, o embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, advertiu que violações do memorando de entendimento no Líbano criam obstáculos às conversações de paz e instou os EUA a usarem “toda a sua influência” para travar os ataques israelenses.
A trégua no Líbano está umbilicalmente ligada ao acordo provisório entre Washington e Teerã, que prevê a cessação de hostilidades em todas as frentes. Mediadores do Paquistão e do Catar anunciaram na segunda-feira a criação de uma “célula de desconflito” para conter escaladas no terreno libanês. Observadores em capitais europeias e em Brasília notam que a insistência iraniana em atrelar o fim da guerra mais ampla à situação no Líbano transforma cada incidente local num teste de credibilidade para o processo diplomático. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que as tropas têm “total liberdade de ação” e permanecerão no sul libanês “pelo tempo que for necessário”.
O conflito atual foi desencadeado em 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em solidariedade ao Irã, um dia depois de ataques americanos e israelenses terem matado o líder supremo iraniano. Desde então, mais de 4.100 pessoas morreram no Líbano, segundo o Ministério da Saúde libanês, e cerca de 1,2 milhão foram deslocadas. A calma relativa desde domingo levara centenas de famílias a regressar às suas localidades, mas o tiroteio de terça-feira reacendeu o medo. A força de paz da ONU no Líbano (UNIFIL) informou não ter observado lançamentos ou ataques durante mais de dois dias, até ao incidente. As conversações libanesas-israelenses prosseguem em Washington, enquanto a diplomacia francesa, com contactos de Emmanuel Macron com Aoun e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, procura consolidar o cessar-fogo e preparar o terreno para a retirada israelense.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, ligado ao confronto mais amplo entre EUA e Irã, está sendo testado depois que tiros israelenses mataram duas pessoas no sul do Líbano. O Hezbollah acusou Israel de violar a trégua, que foi a pausa mais longa desde o início do conflito em 2 de março. O incidente destaca a fragilidade do cessar-fogo vinculado ao Irã.
As forças israelenses cometeram uma violação flagrante do cessar-fogo ao abrir fogo contra civis em Nabatieh al-Fawqa, matando dois jovens. O Hezbollah condenou o ataque como uma infração flagrante, enquanto a mídia estatal destacou que as vítimas estavam perto de uma equipe humanitária que limpava estradas. A Resistência alertou que havia aderido à trégua até aquele momento.
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