
Meta prepara aplicativo de previsões enquanto Mundial de 2026 movimenta milhares de milhões
A dona do Facebook testa o Arena, app independente de mercados de previsão, num setor que já regista volumes recorde com o campeonato do mundo de futebol.
O Mundial de 2026, a decorrer no Canadá, Estados Unidos e México, já gerou mais de três mil milhões de dólares em volume negociado apenas na plataforma de mercados de previsão Polymarket, ultrapassando largamente outros grandes eventos desportivos. É neste contexto de expansão acelerada que a Meta, empresa detentora do Facebook, Instagram e WhatsApp, prepara o lançamento do Arena, uma aplicação independente que permitirá aos utilizadores antecipar resultados políticos, desportivos e de entretenimento. O projeto, tratado como prioritário pela liderança da empresa, representa a entrada de um ator com uma base superior a 3,5 mil milhões de utilizadores diários num setor que, segundo a consultora Eilers & Krejcik, poderá atingir um bilião de dólares de transações anuais até ao final da década.
O Arena funcionará inicialmente com um sistema de pontos semelhante ao de videojogos, sem envolver dinheiro real, mas fontes próximas do projeto não excluem a introdução futura de apostas financeiras. A aplicação será autónoma em relação às plataformas principais da Meta, embora tire partido da sua capacidade de distribuição. O modelo de negócio replica o de plataformas como a Polymarket e a Kalshi, que cobram comissões sobre as transações e se apresentam como mercados de informação, e não como casas de apostas tradicionais. A distinção tem relevância regulatória, sobretudo nos Estados Unidos, onde um acórdão do Supremo Tribunal de 2018 abriu caminho à legalização das apostas desportivas online em 39 estados, e onde o volume de apostas desportivas atingiu 150 mil milhões de dólares em 2024.
Na perspetiva de Brasília, o movimento da Meta ocorre num momento em que o mercado brasileiro de apostas desportivas de quota fixa está regulamentado desde 2023, mas os mercados de previsão baseados em criptomoedas permanecem numa zona cinzenta. Observadores em Lisboa notam que a Autoridade Europeia para a Proteção de Dados e as entidades reguladoras do jogo nos Estados-membros poderão escrutinar a forma como a Meta utiliza os dados dos seus utilizadores para promover este novo serviço. Em África, onde a penetração das apostas desportivas online é elevada em países como Nigéria e Quénia, o potencial de crescimento é significativo, mas os riscos de endividamento e dependência são sublinhados por organizações como o National Council on Problem Gambling, que alerta para um desfasamento de uma década na consciencialização pública face a outras dependências.
O Arena não é a primeira incursão da Meta neste domínio: em 2020, a empresa lançou o Forecast, encerrado dois anos depois. O atual contexto de mercado, porém, é distinto. A popularidade dos mercados de previsão disparou com as eleições presidenciais norte-americanas de 2024 e consolidou-se com eventos como o Mundial de futebol. Ao mesmo tempo, surgem controvérsias sobre a utilização de informação privilegiada, como a aposta anónima de quatro milhões de dólares que rendeu nove milhões na vitória de Cabo Verde sobre a Espanha. O próximo marco factual a acompanhar é a eventual submissão do Arena às lojas de aplicações e a reação das entidades reguladoras nos principais mercados lusófonos, em particular a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda no Brasil e o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos em Portugal.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Meta lança o Arena, um aplicativo de mercado de previsões que utiliza seus 3,5 bilhões de usuários. O foco já está nas apostas da Copa do Mundo de 2026, misturando finanças, jogos e paixão esportiva. A empresa busca novas fontes de crescimento além do Facebook e Instagram.
Zuckerberg entra no mercado de apostas online com o Arena, mas mais uma vez chega atrasado. Depois de copiar o TikTok com o Reels e o Twitter com o Threads, agora persegue o Polymarket e o Kalshi. O projeto é prioritário, mas a empresa parece condenada a seguir em vez de inovar.
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