
Casa Branca nega que Trump seja paciente de acesso compassivo a fármaco antiobesidade; estudo de fase 3 mostra perda de peso de 28,3%
Enquanto a administração Trump desmente ter recebido o retatrutide em regime excecional, dados do ensaio TRIUMPH-1 revelam eficácia próxima da cirurgia bariátrica em 2.339 adultos.
A Casa Branca negou esta terça-feira que o presidente Donald Trump tenha sido o paciente de 79 anos que, em abril, obteve acesso ao fármaco experimental retatrutide através do programa de “uso compassivo” da FDA. A revelação partiu da publicação especializada STAT, que noticiou que a Eli Lilly e a agência reguladora autorizaram o tratamento para um homem com obesidade refratária, apneia obstrutiva do sono e hipertensão pulmonar — uma condição potencialmente fatal. O porta-voz Kush Desai classificou a reportagem como “especulação infundada” e afirmou que o pedido não se destinava ao presidente, mas a Casa Branca remetera inicialmente as perguntas para o Departamento de Saúde, sem desmentir diretamente a hipótese. Fontes anónimas citadas pela STAT indicaram que a candidatura despertou a atenção de altos responsáveis de saúde, sugerindo que o requerente seria uma pessoa com ligações influentes.
Paralelamente, o retatrutide — um triplo agonista dos recetores GLP-1, GIP e glucagon — acaba de demonstrar resultados expressivos no estudo de fase 3 TRIUMPH-1, com 2.339 participantes sem diabetes. A dose mais elevada induziu uma perda média de 31,9 kg, equivalente a 28,3% do peso corporal, e 45,3% dos doentes perderam mais de 30% do peso inicial, um patamar historicamente associado à cirurgia bariátrica. Observadores da comunidade médica internacional, incluindo especialistas brasileiros que acompanham análogos de GLP-1, notam que o fármaco poderá redefinir o tratamento da obesidade grave, embora ainda dependa de aprovação regulatória. Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais, com cerca de 11% de desistências por eventos adversos.
A polémica em torno de Trump reaviva o escrutínio sobre a sua saúde: o presidente completou 80 anos este mês, pesa 108 kg e já manifestara interesse por fármacos antiobesidade. Em 2020, recebeu acesso precoce ao tratamento experimental da Regeneron contra a covid-19. Apesar do desmentido, a Casa Branca não esclareceu se Trump sofre das patologias mencionadas no pedido compassivo; o último boletim médico presidencial não faz referência a apneia do sono ou hipertensão pulmonar. Na perspetiva de analistas europeus, o caso cruza-se com a estratégia comercial da Eli Lilly, que planeia lançar o retatrutide no mercado europeu e britânico entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, privilegiando o pagamento direto pelo paciente e parcerias de telessaúde, ao mesmo tempo que negoceia reembolsos públicos sob a nova política de preços de “nação mais favorecida” da administração Trump.
O próximo marco factual será a conclusão do processo regulatório do retatrutide junto das agências norte-americana e europeia, com eventual submissão também à Anvisa no Brasil. A vigilância sobre a saúde de Trump deverá manter-se, enquanto a Eli Lilly procura equilibrar a pressão de preços nos EUA com a expansão internacional de um fármaco que poderá tornar-se o primeiro a igualar farmacologicamente os resultados da cirurgia bariátrica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um juiz federal bloqueou as restrições do SNAP a refrigerantes e doces promovidas pelo governo Trump, mas a Casa Branca afirma que esta não será a palavra final. O governo reivindica o mandato de tornar os EUA mais saudáveis e nega com veemência as especulações sobre acesso exclusivo do presidente a um medicamento experimental para perda de peso.
A Eli Lilly planeja lançar seu comprimido para perda de peso na Europa até o final de 2026 ou início de 2027, mirando o mercado de pagamento direto. A empresa ainda pretende solicitar reembolso público aos governos europeus, embora as novas políticas de preços de medicamentos de Trump possam complicar as negociações.
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