
Apple aumenta preços de Macs e iPads em até 50% devido à crise de chips de memória
A escassez de componentes, impulsionada pela expansão dos centros de dados de inteligência artificial, levou a aumentos globais que não afetam ainda o iPhone, mas podem estender-se a outros produtos.
A Apple aplicou na quinta-feira, 25 de junho, aumentos de preços que variam entre 15% e 50% em toda a linha de computadores Mac, tablets iPad e dispositivos como o Apple TV e o HomePod. O MacBook Neo, modelo mais acessível, passou de 599 para 699 dólares nos Estados Unidos; o MacBook Air de 13 polegadas subiu de 1.099 para 1.299 dólares; e o MacBook Pro de 14 polegadas saltou de 1.699 para 1.999 dólares. Nos iPads, o Air de 11 polegadas foi de 599 para 749 dólares e o Pro de 11 polegadas de 999 para 1.199 dólares. As ações da empresa chegaram a cair 6,2% durante o dia, eliminando cerca de 275 mil milhões de dólares em valor de mercado, enquanto os preços eram atualizados nas lojas online a nível mundial.
A origem da subida está no encarecimento acelerado dos chips de memória DRAM e NAND, cujos preços quadruplicaram no último ano, segundo as consultoras TrendForce e Counterpoint Research. A expansão dos centros de dados para inteligência artificial gerou uma procura extraordinária por estes componentes, que são também essenciais em computadores, tablets e consolas. Os fabricantes de semicondutores, como a Micron e a SK Hynix, redirecionaram a produção para os clientes de IA, que pagam mais e assinam contratos de longo prazo, reduzindo a oferta disponível para o setor de consumo. Tim Cook, diretor-executivo da Apple, descreveu a situação como uma “inundação centenária” e afirmou que a empresa “nunca viu o preço de um componente subir tanto e tão rápido”.
A decisão da Apple ecoa movimentos já adotados por outras fabricantes. A Sony aumentou o preço da PlayStation 5, a Nintendo anunciou que a Switch 2 custará mais 50 dólares a partir de setembro, e empresas como a Dell, HP e Lenovo também ajustaram os seus preços. Nos mercados emergentes, o impacto é particularmente visível: na Índia, o MacBook Pro de 14 polegadas com chip M5 sofreu um acréscimo de 70.000 rupias (cerca de 840 dólares), enquanto no Brasil e em Portugal os valores foram revistos em alta nas lojas online da empresa. O iPhone, principal fonte de receita da Apple, não foi afetado por enquanto, mas a empresa deixou a porta aberta a novos ajustes, o que, segundo analistas de Wall Street, poderá traduzir-se num aumento de 150 a 200 dólares nos modelos Pro e Pro Max esperados para setembro.
A crise de abastecimento, apelidada de “RAMageddon” no setor, deverá prolongar-se pelo menos até 2027, de acordo com projeções do Goldman Sachs e da Morgan Stanley. A transição de liderança na Apple — John Ternus sucederá a Tim Cook a 1 de setembro, dias antes da apresentação dos novos iPhones — ocorrerá, assim, num momento de pressão sobre os custos e de incerteza quanto à capacidade de absorver novos aumentos sem perder procura. A próxima divulgação de resultados trimestrais da empresa será observada como indicador do impacto real da subida dos componentes nas margens e nas vendas globais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Apple aumentou os preços do MacBook e do iPad em cerca de 20%, ligando explicitamente o aumento ao disparo dos custos dos chips de memória impulsionado pelo boom da inteligência artificial. Este é um dos primeiros casos em que um grande fabricante de eletrónica de consumo atribui diretamente os aumentos de preços à procura relacionada com a IA, sinalizando que o impacto da tecnologia está agora a chegar aos consumidores comuns.
Os MacBook e iPad acabaram de ficar muito mais caros, com aumentos de até 300 dólares, à medida que o boom da IA faz subir os custos dos chips de memória. O CEO Tim Cook alertou que os aumentos eram 'inevitáveis', culpando diretamente o aumento da IA. Os consumidores estão agora a sentir o aperto financeiro da revolução da IA.
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