
Sismos na Venezuela deixam 188 mortos e milhares de desaparecidos
Autoridades confirmam 1.520 feridos e mais de 200 pessoas sob escombros, enquanto plataforma cidadã regista mais de 40 mil desaparecidos.
Dois fortes terramotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho, com um intervalo de apenas 39 segundos. Os epicentros localizaram-se no estado de Yaracuy, a cerca de 160 quilómetros a oeste de Caracas. O segundo abalo foi o mais intenso registado no país desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A catástrofe provocou destruição generalizada, sobretudo no estado costeiro de La Guaira, onde dezenas de edifícios desabaram e o aeroporto internacional ficou gravemente danificado e encerrado.
Até ao final da tarde de quinta-feira, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, reportava 188 mortos confirmados e 1.520 feridos. Mais de 200 pessoas permaneciam sob os escombros e 157 estavam oficialmente desaparecidas. O governo decretou estado de emergência e declarou La Guaira zona de desastre. Mais de 500 equipas de emergência venezuelanas trabalhavam no resgate, com a chegada de ajuda internacional dos Estados Unidos, Espanha, México e outros países. Washington anunciou 150 milhões de dólares em assistência, e o Fundo Monetário Internacional disponibilizou 200 milhões de dólares para a reconstrução.
Contudo, uma plataforma cidadã criada para localizar desaparecidos, “Desaparecidos Terremoto Venezuela”, já contabilizava mais de 40 mil registos, dos quais mais de 37 mil continuavam sem contacto. Esta enorme discrepância entre os números oficiais e os relatos da população reflete as falhas de comunicação — cortes de energia e de rede móvel — que dificultam a reunificação familiar. O USGS emitiu um alerta vermelho, estimando uma probabilidade de 44% de o número de vítimas mortais ultrapassar os 10.000, e de 30% de exceder os 100.000, com base na intensidade dos abalos e na vulnerabilidade das construções locais. Estas projeções permanecem por confirmar enquanto as buscas prosseguem.
A Venezuela situa-se na fronteira das placas tectónicas do Caribe e da América do Sul, uma região sismicamente ativa. O último sismo de magnitude comparável ocorreu em 1900 (7,7). Os tremores foram sentidos até ao norte do Brasil, em cidades como Manaus e Belém, sem registo de danos. O Presidente Lula manifestou consternação e determinou que o Itamaraty coordenasse assistência. Portugal confirmou a morte de um cidadão português. A tragédia mobilizou uma vaga global de solidariedade, com o envio de equipas de salvamento e mantimentos de vários continentes.
Ao início da noite de quinta-feira, as operações de resgate continuavam, numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes. As autoridades esperam que o número oficial de vítimas aumente à medida que os escombros são removidos. O governo apelou ao uso da aplicação VenApp para reportar desaparecidos e danos. O cenário permanece fluido e a real dimensão da catástrofe ainda está por apurar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Dois terremotos poderosos, os mais fortes em mais de um século, atingiram a Venezuela, causando o colapso de edifícios e prendendo milhares sob os escombros. O número de mortos está aumentando, com milhares de mortes temidas, e o estado de emergência foi declarado. Equipes de resgate internacionais estão se mobilizando enquanto a escala total do desastre se torna clara.
O governo respondeu rapidamente criando um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares, enquanto plataformas cidadãs relatam mais de 40.000 desaparecidos. Ofertas de ajuda internacional, inclusive dos Estados Unidos, estão chegando e a ONU pede um esforço coletivo massivo. O foco está na busca por sobreviventes e na solidariedade diante de uma tragédia imensa.
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