
Onda de calor histórica no Reino Unido bate recordes e pressiona serviços de emergência
Temperaturas superiores a 36°C e alerta vermelho extremo provocam interrupções nos transportes, fechamento de escolas e aumento de chamadas de emergência em Londres, enquanto autoridades prolongam avisos até sexta-feira.
O Reino Unido registou na quarta-feira e quinta-feira as temperaturas mais elevadas de sempre para o mês de junho, com máximas de 36,1°C em Gosport, Hampshire, e 36,4°C em Yeovilton, Somerset, segundo o serviço meteorológico Met Office. O alerta vermelho de calor extremo, inicialmente previsto até quinta-feira à noite, foi prolongado até as 21h00 de sexta-feira para Londres e o sudeste de Inglaterra, com previsão de máximas que podem atingir 38°C. A vulnerabilidade do Reino Unido a temperaturas que seriam consideradas moderadas em países do sul da Europa ou em regiões tropicais lusófonas, como o Brasil, reflete a falta de preparação das infraestruturas e dos hábitos quotidianos para o calor extremo, observam analistas em Lisboa.
Os serviços de emergência de Londres enfrentaram uma pressão sem precedentes. O Serviço de Ambulâncias de Londres registou na quarta-feira o maior número de chamadas de emergência com risco de vida da sua história: 642 incidentes de Categoria 1, que incluem paragens cardíacas e dificuldades respiratórias. No total, foram recebidas 7.900 chamadas, um aumento atribuído ao calor extremo. Na autoestrada M25, mais de dez condutores foram hospitalizados com doenças relacionadas com o calor após ficarem retidos num engarrafamento prolongado; uma pessoa foi evacuada de helicóptero por desidratação.
A perturbação estendeu-se aos transportes e à educação. Várias escolas encerraram devido às altas temperaturas, e os operadores ferroviários reduziram a velocidade dos comboios, aconselhando os passageiros a evitar deslocações não essenciais. No condado de Kent, foi imposta uma proibição do uso de mangueiras devido à procura recorde de água. Um autocarro elétrico de dois andares incendiou-se em Westbourne Park, Londres, num incidente que as autoridades ainda investigam.
Organizações de proteção animal, como a RSPCA, alertaram para os perigos do calor para os cães, desaconselhando passeios durante o período de alerta vermelho e lembrando que deixar um animal dentro de um carro estacionado pode ser fatal em minutos. A recomendação é restringir as saídas a pausas breves para necessidades fisiológicas em zonas de sombra. Especialistas sublinham que os cães têm dificuldade em regular a temperatura corporal e que as almofadas das patas podem queimar no asfalto quente.
A perspetiva de um alívio surge no fim de semana. O Met Office prevê uma descida das temperaturas a partir de sábado, com máximas em torno dos 32°C no sudeste, e uma queda mais acentuada no domingo, quando os termómetros poderão descer 15°C em relação aos picos, regressando a valores médios para a época. Contudo, até lá, as autoridades mantêm o alerta máximo e apelam à população para se manter hidratada, evitar o sol nas horas de maior calor e verificar o estado de vizinhos idosos ou vulneráveis.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Reino Unido está sob um alerta vermelho excecional de calor extremo, com temperaturas recorde que representam um perigo direto para a vida. As autoridades apelam a que se evitem deslocações não essenciais, se protejam os animais de estimação e se verifiquem os vizinhos vulneráveis, enquanto os serviços de emergência estão sob pressão e a vida quotidiana enfrenta perturbações significativas.
O Reino Unido registou o dia de junho mais quente de sempre, o segundo mês consecutivo em que os recordes de temperatura são batidos. Os cientistas alertam que as alterações climáticas estão a tornar eventos meteorológicos extremos como as ondas de calor mais frequentes e intensos.
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