
Congresso espanhol aprova moção que insta Sánchez a pedir voto de confiança
Iniciativa não vinculativa, apoiada por PP, Vox e Junts, aumenta pressão sobre o primeiro-ministro em meio a escândalos de corrupção.
O Congresso dos Deputados de Espanha aprovou esta quinta-feira uma moção que insta o presidente do Governo, Pedro Sánchez, a considerar a apresentação de uma questão de confiança e a demitir-se, num contexto de múltiplas investigações judiciais por corrupção que atingem o PSOE e o seu círculo próximo. A iniciativa, apresentada pelo Partido Popular (PP), foi aprovada com 177 votos a favor, 171 contra e uma abstenção, graças ao apoio de Vox e do partido independentista catalão Junts, que em 2023 viabilizara a investidura de Sánchez. A moção não tem caráter vinculativo — no ordenamento espanhol, apenas o primeiro-ministro pode decidir submeter-se a uma questão de confiança ou dissolver as Cortes —, mas representa um revés político significativo para o Executivo.
Segundo o texto aprovado, o Congresso exorta Sánchez a “considerar a oportunidade de colocar uma questão de confiança” caso não convoque eleições antecipadas, e afirma que a acumulação de investigações sobre corrupção envolvendo responsáveis políticos nomeados e sustentados diretamente pelo presidente exige que este assuma responsabilidades sob a forma de demissão. Um terceiro ponto, aprovado com a abstenção de Junts e do Podemos, reprova a Mesa do Congresso por ter vetado, na semana anterior, a votação de emendas que exigiam a convocação de eleições gerais. Na perspetiva do PP e do Vox, a decisão da Mesa, controlada pelo PSOE e pelo Sumar, representou uma “vontade de veto” que limitou o debate parlamentar.
Na avaliação de fontes parlamentares em Madrid, o voto favorável do Junts constitui o dado politicamente mais relevante, pois expõe a erosão da maioria que sustentou a investidura e sinaliza o fim da cooperação legislativa estável. O Governo, através do ministro da Justiça, Félix Bolaños, classificou a moção como de “efeito político nulo” e reiterou que Sánchez não tenciona abandonar o cargo nem antecipar eleições. O presidente já afirmara no Congresso que pretende esgotar a legislatura, apesar da pressão crescente. Observadores em Lisboa notam que a fragmentação parlamentar espanhola e a dependência de alianças instáveis tornam o cenário comparável a outras crises de governabilidade na Europa do Sul, com reflexos na perceção dos investidores sobre a estabilidade institucional.
A moção surge na sequência da condenação a 24 anos de prisão do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, figura próxima de Sánchez, e de outras investigações que atingem o PSOE. A oposição conservadora sustenta que a dimensão dos casos exige uma resposta institucional, mas não apresentou uma moção de censura construtiva — o único instrumento jurídico capaz de derrubar o Executivo — por não dispor dos apoios necessários. O dossiê permanece em aberto: Sánchez não está juridicamente obrigado a agir, mas a votação aprofunda o seu isolamento político e dificulta a aprovação de legislação, nomeadamente os Orçamentos Gerais do Estado, cuja negociação com os antigos aliados se encontra bloqueada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Congresso espanhol aprovou uma moção não vinculativa que insta Pedro Sánchez a submeter-se a um voto de confiança, enquanto escândalos de corrupção abalam o PSOE. O governo responde com uma postura desafiadora de 'não nos moverão', enquanto o líder da oposição Feijóo demonstra sinais de ansiedade. A narrativa política é marcada por ironia e ceticismo quanto às reais consequências.
Os legisladores espanhóis aprovaram uma resolução não vinculativa exigindo a demissão do primeiro-ministro Pedro Sánchez devido a casos de corrupção envolvendo seus associados e o partido socialista no poder. A moção insta-o a demitir-se ou a convocar eleições antecipadas. A votação reflete a pressão política sobre o governo de Sánchez.
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