
Lukashenko alerta Kiev que guerra mudará se Belarus for arrastada para o conflito
Presidente bielorrusso reuniu-se com enviados de Zelensky e reiterou posição pacífica, mas garantiu alinhamento com Moscovo em qualquer cenário.
O Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, confirmou ter recebido em Minsk representantes do homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e transmitido um aviso: qualquer tentativa de envolver o país na guerra faria com que “a qualidade do conflito mudasse instantaneamente”. A reunião, revelada por Lukashenko a 25 de junho, ocorreu num contexto de tensão fronteiriça, depois de Kiev ter exigido a remoção de retransmissores russos que, segundo a inteligência ucraniana, corrigiam ataques de drones a partir de território bielorrusso. O líder bielorrusso afirmou ter recebido de Kiev a garantia de que “compreendem” a posição de Minsk.
Na perspetiva de Minsk, a Bielorrússia mantém uma postura “pacífica” e não deseja combater ucranianos, mas permanecerá “ao lado da Rússia em qualquer situação”. Lukashenko descreveu a Ucrânia como “moeda de troca num grande jogo” e apelou a negociações “substanciais”, rejeitando “gritos e alarido”. Sublinhou ainda que as forças do outro lado da fronteira são sobretudo tropas territoriais — “mecanizadores, ordenhadoras e operários” — que não querem guerra com os bielorrussos, e que o país não precisa de ser arrastado para o conflito.
De acordo com Kiev, a exigência de desmantelamento dos retransmissores, feita a 19 de junho com um ultimato de uma semana, foi satisfeita: a 24 de junho, Zelensky anunciou que os equipamentos tinham deixado de funcionar. Paralelamente, o Presidente ucraniano denunciou a construção de “infraestrutura de agressão” ao longo da fronteira — estradas, depósitos de munições e combustível — em cinco eixos, e instou Minsk a travar essas obras. A diplomacia ucraniana sustenta que tais movimentos são descritos em documentos russos no quadro da “operação especial”.
Observadores em Moscovo, como o deputado Konstantin Zatulin, classificaram a atitude russa perante o encontro como “condescendente”, considerando que Zelensky “provoca” deliberadamente, mas que a Bielorrússia não quer uma escalada. O Kremlin, pela voz do porta-voz Dmitri Peskov, anunciou que Putin e Lukashenko discutirão em breve as ameaças de Kiev. O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, assegurou que Moscovo está pronta a adotar “todo o conjunto de medidas” previstas no tratado de defesa do Estado da União. O dossiê permanece em aberto, com a Bielorrússia a insistir no seu papel de plataforma de diálogo e a reafirmar, como fez Lukashenko perante a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, que os três povos “mais cedo ou mais tarde estarão juntos”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Alexander Lukashenko revelou que se encontrou recentemente em Minsk com representantes de Volodymyr Zelensky. Alertou que qualquer tentativa de envolver a Bielorrússia na guerra mudaria imediatamente a sua natureza, transformando-a num conflito completamente diferente. Exortou também Kiev a prosseguir as negociações de forma estruturada.
O presidente Lukashenko confirmou um encontro com os enviados de Zelensky, lançando um aviso severo de que arrastar a Bielorrússia para a guerra alteraria imediatamente o seu caráter. Autoridades russas reagiram com condescendência, sugerindo que Zelensky procura atenção e provocação. O líder bielorrusso também enquadrou a Ucrânia como um peão numa luta geopolítica mais ampla, expressando confiança de que russos, bielorrussos e ucranianos um dia se reunirão.
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