
Florida encerra centro de detenção 'Alligator Alcatraz' após 21 mil deportações
Instalação temporária nos Everglades, símbolo da política migratória de Trump, foi desativada após críticas de organizações de direitos humanos e ambientais, e custos superiores a mil milhões de dólares.
O centro de detenção migratória conhecido como “Alligator Alcatraz”, localizado nos pântanos dos Everglades, na Florida, foi encerrado esta quinta-feira, anunciou o governador Ron DeSantis. A estrutura, que chegou a albergar milhares de migrantes, não tinha já qualquer detido e será totalmente desmantelada no prazo de uma a duas semanas, segundo as autoridades estaduais. DeSantis, acompanhado pelo “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, afirmou que a instalação cumpriu o seu propósito temporário, tendo permitido a deportação de cerca de 21 mil pessoas. “Ajudou a retirar muitas pessoas perigosas das ruas”, declarou o governador republicano, sublinhando que o centro foi sempre concebido como uma solução de emergência até que o Departamento de Segurança Interna (DHS) dispusesse de capacidade permanente.
Construído em poucos dias, em junho de 2025, sobre uma pista de aterragem abandonada, o campo de tendas e jaulas metálicas tornou-se um emblema da política de deportações em massa da administração Trump. O presidente visitou o local e gracejou que os jacarés dos pântanos serviriam de guardas. Contudo, organizações de defesa dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional e a ACLU, denunciaram condições desumanas: detidos relataram vermes na comida, sanitas entupidas, inundações de águas fecais, exposição constante a mosquitos e falta de acesso a advogados. A tribo Miccosukee e grupos ambientalistas, como o Center for Biological Diversity, opuseram-se ao projeto, alegando danos ao frágil ecossistema dos Everglades e a espécies protegidas. Um tribunal federal chegou a proibir a entrada de novos migrantes, mas uma instância de recurso permitiu a continuidade das operações.
O encerramento foi saudado por organizações de defesa dos imigrantes, que, no entanto, sublinham que os abusos sistémicos persistem noutros centros de detenção. “O facto de este local ter existido é um escândalo”, afirmou Carmen Iguina Gonzalez, da ACLU, citada em comunicado. A Florida Immigrant Coalition considerou que os únicos vencedores foram as empresas privadas que lucraram milhões com a gestão do espaço. Do ponto de vista financeiro, o custo total do centro foi estimado em mais de mil milhões de dólares, com despesas diárias superiores a um milhão, de acordo com dados divulgados pela comunicação social norte-americana. O estado da Florida aguarda ainda o reembolso de centenas de milhões de dólares por parte do governo federal, aprovado pelo Congresso de maioria republicana. A presidente da Câmara de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, anunciou a intenção de transferir os terrenos para o Serviço Nacional de Parques, com vista à restauração dos Everglades, classificando a detenção de pessoas “em condições desumanas” ao lado de um dos ecossistemas mais preciosos do mundo.
A decisão insere-se num contexto mais amplo de cooperação entre a Florida e a administração federal em matéria migratória. O estado concentra 40% das detenções migratórias a nível nacional ao abrigo dos acordos 287(g), que permitem a polícias locais atuar como agentes de imigração. Além do “Alligator Alcatraz”, a Florida mantém outros centros com nomes populares, como o “Deportation Depot”, tendo processado mais de 30 mil imigrantes, segundo DeSantis. O desmantelamento do centro nos Everglades não altera a política de deportações, mas encerra um capítulo controverso. Os últimos detidos foram transferidos para instalações noutros estados, e o futuro do terreno permanece em discussão entre as autoridades locais e federais, enquanto prosseguem os litígios judiciais sobre as condições de detenção de migrantes nos Estados Unidos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O centro de detenção temporário nos Everglades fechou após deportar 21.000 pessoas. As autoridades dizem que cumpriu seu papel e sempre foi planejado como uma solução provisória até que instalações federais permanentes assumissem.
O controverso 'Alligator Alcatraz' finalmente fechou após um ano de duras críticas por sua localização pantanosa e infestada de cobras e condições degradantes. O fechamento é recebido com ironia e alívio, visto como o fim de um capítulo vergonhoso da repressão migratória de Trump.
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