
Coreia do Norte testa mísseis e Sul treina 500 mil ‘soldados-drone’
Pyongyang exibe nova artilharia de longo alcance e Seul responde com plano de drones, enquanto a península se adapta à guerra moderna.
A península coreana registou, em 26 de junho de 2026, uma escalada simultânea de capacidades militares: a Coreia do Norte testou sistemas de artilharia e mísseis de longo alcance, enquanto a Coreia do Sul anunciou um plano para treinar meio milhão de militares como operadores de drones e adquirir dezenas de milhares de aeronaves não tripuladas. Os dois movimentos, divulgados no mesmo dia, refletem a aceleração da modernização das forças armadas de ambos os lados, com foco em armas de precisão e sistemas não tripulados.
De acordo com a agência estatal norte-coreana KCNA, o líder Kim Jong Un supervisionou testes de uma versão atualizada do lançador múltiplo de foguetes de 240 mm, com alcance ampliado para 90 km, de uma ogiva de “missão especial” para mísseis balísticos táticos e de obuses autopropulsados de 155 mm com munições de alcance estendido. Kim afirmou que a política de defesa do país visa reforçar uma “postura ofensiva letal e destrutiva” e que “fazer os inimigos sentirem constante inquietação e medo” é parte essencial da dissuasão. A KCNA indicou que a ogiva especial se destina a causar “danos fatais” a alvos como aeroportos, portos e centrais elétricas, o que, na leitura de analistas em Seul e Tóquio, aponta diretamente para infraestruturas da Coreia do Sul e de bases norte-americanas.
Em resposta, o ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, anunciou que todos os 500 mil membros das forças armadas — exército, marinha, força aérea e fuzileiros — serão treinados como “guerreiros de drones”, utilizando estes sistemas como “segunda arma pessoal”. O plano prevê a aquisição de 11 mil drones comerciais para treino ainda em 2026, 60 mil até 2029 e mais de 20 mil drones de combate descartáveis de baixo custo até 2030. Seul também acelerará o desenvolvimento do K-Lucas, um drone de ataque de longo alcance baseado no modelo norte-americano Lucas, por sua vez inspirado no Shahed-136 iraniano, amplamente utilizado pela Rússia na Ucrânia. O ministério justificou a medida citando a evolução das ameaças norte-coreanas e as lições dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, onde drones baratos operados em grande escala alteraram a natureza da guerra.
Observadores internacionais, inclusive em Brasília e Lisboa, notam que a competição tecnológica na península se intensifica num momento de impasse diplomático. A Coreia do Norte, sob sanções da ONU, continua a expandir o seu arsenal nuclear e a aprofundar a cooperação militar com a Rússia, que lhe proporciona acesso a dados de combate e táticas de guerra com drones, segundo fontes de inteligência ocidentais. A Coreia do Sul, por sua vez, enfrenta um declínio demográfico que a obriga a apostar na automação e nos sistemas não tripulados para manter a capacidade de combate. O anúncio de Seul ocorre também após um episódio embaraçoso em 2022, quando cinco drones norte-coreanos violaram o espaço aéreo sul-coreano, incluindo a zona de exclusão sobre o gabinete presidencial, sem que as defesas conseguissem abatê-los.
O dossiê permanece aberto, sem perspetivas de diálogo. Pyongyang reafirma que não retomará negociações enquanto Washington e Seul mantiverem a exigência de desnuclearização como condição prévia. A Coreia do Sul, sob o governo de Lee Jae Myung, procura reforçar a sua autonomia de defesa, ao mesmo tempo que os EUA mantêm cerca de 30 mil soldados estacionados no país. Os próximos passos incluem a produção em massa de drones sul-coreanos até 2029 e a continuação dos testes norte-coreanos no âmbito do plano quinquenal de modernização militar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os últimos testes de armas da Coreia do Norte sublinham o ímpeto por uma capacidade ofensiva 'letal e destrutiva', com Kim Jong Un a supervisionar pessoalmente os lançamentos. A exibição, dias após a entrada ao serviço do primeiro contratorpedeiro, sinaliza uma aceleração do rearmamento que aprofunda as preocupações de segurança regional.
As fortificações fronteiriças da Coreia do Norte expuseram uma rutura entre Seul e o Comando da ONU, com este último a recusar rotulá-las como violação do armistício. A disputa estende-se a divergências sobre o acesso à zona desmilitarizada e ao papel futuro das forças dos EUA, revelando desalinhamentos entre a Coreia do Sul e Washington sobre o propósito primário da presença militar americana.
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