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Crime e Desastressábado, 27 de junho de 2026

Duplo sismo na Venezuela mata 1.430 e deixa dezenas de milhares desaparecidos

Três dias após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, as operações de resgate prosseguem numa luta contra o tempo, enquanto a resposta das autoridades é alvo de críticas e a comunidade internacional mobiliza ajuda.

Na noite de 24 de junho, dois fortes abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5, com apenas 39 segundos de intervalo, devastaram o norte da Venezuela. O estado costeiro de La Guaira, a cerca de 30 quilómetros da capital Caracas, foi a região mais atingida, com edifícios inteiros reduzidos a escombros. De acordo com o último balanço oficial do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, divulgado no sábado, o número de vítimas mortais ascende já a 1.430, enquanto 3.238 pessoas ficaram feridas e mais de 3.100 famílias perderam as suas casas. As autoridades contabilizam igualmente pelo menos 430 réplicas, que têm dificultado as operações de busca e resgate e levado muitos sobreviventes a dormir ao relento, por receio de novos desabamentos.

As estimativas sobre desaparecidos divergem: enquanto o governo fala em centenas de pessoas ainda sob os escombros, bases de dados da oposição e de agências da ONU apontam para mais de 50 mil pessoas dadas como não localizadas. Familiares e voluntários continuam a escavar com as próprias mãos em várias zonas, queixando-se da escassez de maquinaria pesada e da lentidão da ajuda oficial. Em Caraballeda, uma das áreas mais arrasadas de La Guaira, testemunhas relatam a presença de pilhas de corpos e de crianças recém-nascidas entre os destroços. "Há um cheiro forte de morte", descreveu um engenheiro industrial que aguardava a chegada de máquinas prometidas, enquanto uma moradora denunciava que equipas de socorro "vieram tirar selfies e foram embora". O acesso à zona de desastre foi militarizado e restringido, com postos de controlo que exigem autorizações especiais, o que tem gerado indignação entre os que tentam prestar auxílio.

A ajuda internacional chegou em força ao longo do fim de semana. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que 24 países enviaram 521 toneladas de abastecimentos e mais de 2.700 socorristas, incluindo equipas cinotécnicas. Na perspetiva de Brasília, o governo brasileiro mobilizou militares do Corpo de Bombeiros de vários estados, um hospital de campanha da Marinha e aeronaves da Força Aérea, numa operação coordenada pelo Itamaraty. De Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou a morte de 28 cidadãos lusos ou luso‑descendentes e mantém 85 desaparecidos, tendo enviado dois aviões com mais de 60 especialistas e 23 toneladas de ajuda. Espanha, por seu lado, contabiliza nove vítimas mortais e 152 desaparecidos, enquanto equipas dos Estados Unidos, México, El Salvador e Suíça também já operam no terreno. A União Europeia anunciou um pacote de emergência de 5 milhões de euros e ativou o seu mecanismo de proteção civil.

Num cenário de crescente tensão política, a Organização Internacional para as Migrações estima que até 6,76 milhões de pessoas possam ter sido afetadas, incluindo dois milhões só em Caracas, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento avalia os danos físicos diretos em 6,7 mil milhões de dólares (cerca de 6% do PIB venezuelano). A UNICEF alerta para a situação de 680 mil crianças em necessidade de assistência, com hospitais e escolas severamente danificados. Apesar da passagem do limite crítico de 72 horas após os sismos, as equipas de resgate ainda conseguiram retirar com vida, no sábado, um rapaz de 11 anos em Caraballeda e um bebé de nove meses na mesma região, mantendo a esperança de encontrar mais sobreviventes. O balanço permanece provisório e as buscas continuam.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 1 idiomas

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TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa indiana e sul-asiática
Imprensa latino-americana/ mercado
IndignaçãoPragmatismo

A resposta do regime ao desastre foi caótica e desigual, com atualizações irregulares e uma operação de resgate insuficiente. O custo econômico é estimado em 6% do PIB, um golpe devastador para um país já de joelhos, enquanto famílias cavam com as mãos nuas entre os escombros.

Imprensa indiana e sul-asiática
DistanciamentoUrgência

Novos tremores complicam os esforços de resgate na Venezuela, onde o número de mortos passou de 1.400 e dezenas de milhares estão desaparecidos. Em um detalhe diplomático inesperado, o presidente do Parlamento relatou uma conversa telefônica com Trump e Rubio, sinalizando uma abertura internacional enquanto a corrida contra o tempo continua.

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sábado, 27 de junho de 2026

Duplo sismo na Venezuela mata 1.430 e deixa dezenas de milhares desaparecidos

Três dias após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, as operações de resgate prosseguem numa luta contra o tempo, enquanto a resposta das autoridades é alvo de críticas e a comunidade internacional mobiliza ajuda.

Na noite de 24 de junho, dois fortes abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5, com apenas 39 segundos de intervalo, devastaram o norte da Venezuela. O estado costeiro de La Guaira, a cerca de 30 quilómetros da capital Caracas, foi a região mais atingida, com edifícios inteiros reduzidos a escombros. De acordo com o último balanço oficial do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, divulgado no sábado, o número de vítimas mortais ascende já a 1.430, enquanto 3.238 pessoas ficaram feridas e mais de 3.100 famílias perderam as suas casas. As autoridades contabilizam igualmente pelo menos 430 réplicas, que têm dificultado as operações de busca e resgate e levado muitos sobreviventes a dormir ao relento, por receio de novos desabamentos.

As estimativas sobre desaparecidos divergem: enquanto o governo fala em centenas de pessoas ainda sob os escombros, bases de dados da oposição e de agências da ONU apontam para mais de 50 mil pessoas dadas como não localizadas. Familiares e voluntários continuam a escavar com as próprias mãos em várias zonas, queixando-se da escassez de maquinaria pesada e da lentidão da ajuda oficial. Em Caraballeda, uma das áreas mais arrasadas de La Guaira, testemunhas relatam a presença de pilhas de corpos e de crianças recém-nascidas entre os destroços. "Há um cheiro forte de morte", descreveu um engenheiro industrial que aguardava a chegada de máquinas prometidas, enquanto uma moradora denunciava que equipas de socorro "vieram tirar selfies e foram embora". O acesso à zona de desastre foi militarizado e restringido, com postos de controlo que exigem autorizações especiais, o que tem gerado indignação entre os que tentam prestar auxílio.

A ajuda internacional chegou em força ao longo do fim de semana. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que 24 países enviaram 521 toneladas de abastecimentos e mais de 2.700 socorristas, incluindo equipas cinotécnicas. Na perspetiva de Brasília, o governo brasileiro mobilizou militares do Corpo de Bombeiros de vários estados, um hospital de campanha da Marinha e aeronaves da Força Aérea, numa operação coordenada pelo Itamaraty. De Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou a morte de 28 cidadãos lusos ou luso‑descendentes e mantém 85 desaparecidos, tendo enviado dois aviões com mais de 60 especialistas e 23 toneladas de ajuda. Espanha, por seu lado, contabiliza nove vítimas mortais e 152 desaparecidos, enquanto equipas dos Estados Unidos, México, El Salvador e Suíça também já operam no terreno. A União Europeia anunciou um pacote de emergência de 5 milhões de euros e ativou o seu mecanismo de proteção civil.

Num cenário de crescente tensão política, a Organização Internacional para as Migrações estima que até 6,76 milhões de pessoas possam ter sido afetadas, incluindo dois milhões só em Caracas, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento avalia os danos físicos diretos em 6,7 mil milhões de dólares (cerca de 6% do PIB venezuelano). A UNICEF alerta para a situação de 680 mil crianças em necessidade de assistência, com hospitais e escolas severamente danificados. Apesar da passagem do limite crítico de 72 horas após os sismos, as equipas de resgate ainda conseguiram retirar com vida, no sábado, um rapaz de 11 anos em Caraballeda e um bebé de nove meses na mesma região, mantendo a esperança de encontrar mais sobreviventes. O balanço permanece provisório e as buscas continuam.

Divergência das fontes

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28%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

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Crítico83%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa latino-americana/ mercado
IndignaçãoPragmatismo

A resposta do regime ao desastre foi caótica e desigual, com atualizações irregulares e uma operação de resgate insuficiente. O custo econômico é estimado em 6% do PIB, um golpe devastador para um país já de joelhos, enquanto famílias cavam com as mãos nuas entre os escombros.

Imprensa indiana e sul-asiática
DistanciamentoUrgência

Novos tremores complicam os esforços de resgate na Venezuela, onde o número de mortos passou de 1.400 e dezenas de milhares estão desaparecidos. Em um detalhe diplomático inesperado, o presidente do Parlamento relatou uma conversa telefônica com Trump e Rubio, sinalizando uma abertura internacional enquanto a corrida contra o tempo continua.

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