
Netanyahu visita sul do Líbano e condiciona retirada ao desarmamento do Hezbollah
Primeiro-ministro israelita afirma que forças permanecerão na zona de segurança enquanto grupo xiita representar ameaça, pondo em causa a viabilidade do acordo-quadro mediado pelos EUA.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deslocou-se esta terça-feira ao sul do Líbano ocupado e declarou que Israel não retirará as suas tropas enquanto o Hezbollah mantiver capacidade militar e presença na região. A visita, a primeira desde a assinatura de um acordo-quadro entre os dois países na passada sexta-feira, ocorreu num momento em que o pacto, patrocinado por Washington, condiciona qualquer retirada israelita ao desarmamento verificado do grupo xiita. Netanyahu afirmou que a criação de uma zona de segurança com cerca de dez quilómetros de profundidade em território libanês representa uma “mudança de conceção” estratégica e que as forças israelitas eliminaram nove mil combatentes do Hezbollah, restando ao grupo apenas oito por cento do seu arsenal inicial de mísseis e rockets.
A reação em Beirute expôs a fragilidade do entendimento. O Presidente libanês, Joseph Aoun, apoiou o acordo como um primeiro passo para restaurar a soberania, mas o presidente do Parlamento, Nabih Berri, classificou-o como um “acordo de imposições” que não será aplicado. O Hezbollah, que não participou nas negociações, rejeitou liminarmente o desarmamento. O seu líder, Naim Qassem, descreveu o pacto como uma “humilhação” e uma “dilapidação da soberania”, prometendo continuar a luta. Analistas em Beirute e em Washington consideram que o acordo coloca todo o ónus sobre um Estado libanês fragmentado, sem capacidade para desarmar a milícia mais poderosa do país, e que a condição de desarmamento, tida como inexequível, oferece a Israel cobertura política para manter uma presença militar por tempo indeterminado.
Na perspetiva de Washington, o acordo-quadro insere-se numa estratégia mais ampla de pressão sobre o Hezbollah e o Irão. No mesmo dia, os Estados Unidos e parceiros anunciaram novas sanções contra figuras e entidades financeiras ligadas ao grupo, incluindo a Associação Al-Qard Al-Hassan. A administração norte-americana comprometeu-se a apoiar o exército libanês e a criar um grupo de coordenação militar com França, Líbano e Israel para supervisionar a implementação. Teerão, por seu lado, exige que qualquer cessar-fogo global com os EUA inclua a retirada total de Israel do Líbano, uma condição que Israel rejeita, recusando vincular a guerra no Líbano ao conflito com o Irão. A violência persiste apesar do cessar-fogo de 19 de junho, com mais de 4.250 mortos e um milhão de deslocados no Líbano desde o início da ofensiva israelita, em março, desencadeada por disparos do Hezbollah em solidariedade com Teerão após os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão.
O dossier permanece num impasse. O acordo prevê a entrega de duas “zonas-piloto” ao exército libanês, mas não estabelece um calendário para a retirada israelita, subordinando-a a um programa de desarmamento que o Hezbollah rejeita. Fontes diplomáticas em Lisboa e Brasília acompanham com preocupação o risco de uma ocupação prolongada e de novos confrontos, enquanto a comunidade internacional se divide entre o apoio à soberania libanesa e a pressão para conter a influência iraniana. A próxima etapa será a tentativa de implementação das zonas-piloto, num contexto em que o Hezbollah já prometeu boicotar o processo e os combates esporádicos continuam a ser registados no sul do país.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O acordo de segurança entre Israel e o Líbano tende a congelar o conflito em vez de resolvê-lo, pois condiciona a retirada israelense ao desarmamento do Hezbollah, condição tida como irrealista. Analistas argumentam que isso dá a Israel cobertura política para manter uma presença militar de longo prazo no sul do Líbano.
O primeiro-ministro do regime sionista entrou descaradamente em território libanês ocupado, desrespeitando um acordo-quadro que deveria reconhecer a soberania. Sua declaração de que as forças de ocupação permanecerão enquanto o Hezbollah existir expõe o acordo como uma farsa e um pretexto para a continuação da agressão.
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