
Tecnologia impulsiona bolsas asiáticas e europeias; petróleo recua a níveis pré-guerra
Resultados da Micron e Qualcomm reacendem otimismo com inteligência artificial, enquanto reabertura do Estreito de Ormuz alivia pressões inflacionárias.
Os mercados acionários asiáticos e europeus registaram fortes ganhos esta quinta-feira, impulsionados pelos resultados trimestrais acima das expectativas das fabricantes norte-americanas de semicondutores Micron Technology e Qualcomm. Os números afastaram receios de uma bolha no investimento em inteligência artificial (IA) e reacenderam o apetite pelo risco, num movimento amplificado pela queda dos preços do petróleo para níveis inferiores aos observados antes do início do conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
A Micron reportou receitas líquidas muito superiores às projeções dos analistas e anunciou que toda a sua produção de chips de memória de alta largura de banda (HBM) para computação de IA já está vendida para este ano, com uma carteira de encomendas de 22 mil milhões de dólares. A Qualcomm, por seu lado, elevou a previsão de receitas anuais para 40 mil milhões de dólares e revelou um novo processador para centros de dados, o Dragonfly C1000, que será adotado pela Meta. As ações de ambas dispararam nas transações pós-fecho em Wall Street, com ganhos de 16% e 12%, respetivamente.
Na Ásia, o índice Kospi, em Seul, saltou 5,4% para um novo recorde, puxado pelas gigantes Samsung Electronics (+5,3%) e SK Hynix (+13%). Em Tóquio, o Nikkei 225 avançou 4,6% para máximos históricos, com a Advantest a subir 15% e a Tokyo Electron 7,8%. As bolsas de Xangai e Taiwan registaram altas modestas, enquanto Hong Kong recuou 1,4%. Na Europa, o Stoxx 600 valorizou 0,7%, com o subíndice tecnológico a liderar (+2,1%). Fabricantes como a Infineon (+4,9%), a STMicroelectronics (+3,9%) e a ASML (+4%) estiveram entre os maiores ganhos. Lisboa acompanhou a tendência, com o PSI a subir 1,05%.
O petróleo Brent caiu para 72,44 dólares por barril, abaixo do fecho de 27 de fevereiro (72,48 dólares), véspera do início dos bombardeamentos. A retoma do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, após sinais de um acordo entre Washington e Teerão, aliviou os receios de disrupção na oferta. A descida da matéria-prima atenuou as preocupações inflacionárias, num dia em que o índice de preços PCE nos EUA subiu 4,1% em maio, o valor mais alto em três anos. O PIB norte-americano do primeiro trimestre foi revisto em alta para 2,1%, reforçando a leitura de que a economia mantém solidez, sem pressões estagflacionárias imediatas. O foco dos investidores vira-se agora para os próximos passos da Reserva Federal e para a evolução das negociações no Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 2 idiomas
Os mercados globais respiram aliviados. As ações de tecnologia disparam com os fortes resultados da Micron e da Qualcomm, enquanto o petróleo recua para os níveis anteriores à guerra com o Irã. O repique marca uma volta do otimismo, impulsionando as bolsas asiáticas e europeias.
Os mercados tiveram uma semana de montanha-russa em meio a dúvidas se os enormes investimentos em IA algum dia trarão retorno. A previsão de receita recorde da Micron e os estoques esgotados de chips de IA reacenderam a confiança, enquanto a queda do petróleo e a reabertura do Estreito de Ormuz aliviam as tensões geopolíticas.
Artigos relacionados
Sismos na Venezuela deixam 188 mortos e milhares de desaparecidos
10 idiomas · 83 veículos
Geopolítica & PolíticaONU suspende evacuação de navios no Estreito de Ormuz após ataque atribuído ao Irão
7 idiomas · 25 veículos
Justiça & DireitoHarvey Weinstein escapa a quarto julgamento em Nova Iorque; em França, vítimas contestam prescrição
7 idiomas · 13 veículos