
Villa Certosa de Berlusconi é vendida a xeique do Catar por 350 milhões de euros
A transação, uma das maiores do mercado imobiliário residencial italiano, transfere o complexo de 126 quartos e sete piscinas para a família real catari, encerrando um capítulo de encontros políticos e festas polémicas.
A residência de verão do falecido ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, Villa Certosa, na Sardenha, foi adquirida pelo xeique Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani, antigo chefe da diplomacia do Catar, por 350 milhões de euros. O valor, confirmado por fontes da imprensa italiana, fica abaixo dos 500 milhões inicialmente pedidos pelos herdeiros, mas ainda assim representa uma das maiores transações de uma única propriedade residencial no país. O comprador, cuja fortuna pessoal é estimada em 5,1 mil milhões de dólares, atua através de uma sociedade de investimento luxemburguesa e já detinha outros ativos de luxo na ilha.
A propriedade de 120 hectares, com 4.500 metros quadrados de área construída, sete piscinas, um anfiteatro e um vulcão artificial que simulava erupções, serviu de cenário a cimeiras diplomáticas e a festas privadas que marcaram a crónica política italiana. Por ali passaram o ex-presidente dos EUA George W. Bush, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente russo Vladimir Putin — a quem, segundo relatos da imprensa russa e italiana, o vulcão artificial terá queimado a bainha das calças. A villa foi também palco das festas “bunga bunga”, que levaram Berlusconi a tribunal por incitação à prostituição de menores, acusação da qual foi absolvido, enquanto a sua colaboradora Nicole Minetti foi condenada por aliciamento.
Na perspetiva de analistas italianos, a venda insere-se num movimento mais amplo de investimento do Catar em ativos emblemáticos do país. Através da Qatar Investment Authority, o emirado controla 70% da maison Valentino, os hotéis Cala di Volpe, Romazzino, Pitrizza e Cervo na Costa Esmeralda, o complexo Porta Nuova em Milão — que inclui o Bosco Verticale — e unidades hoteleiras de luxo como o Gritti Palace em Veneza e o Four Seasons em Florença. A aquisição de Villa Certosa reforça a presença da dinastia Al Thani na Sardenha, onde já detém o hospital Mater Olbia, em parceria com o Gemelli.
A transação permite também regularizar a herança do magnata dos media, falecido em 2023. Berlusconi destinou 100 milhões de euros à ex-companheira Marta Fascina e igual montante ao irmão Paolo. A imprensa alemã descreve o negócio como um “preço de saldo”, enquanto veículos russos contextualizam a operação no mercado global de imóveis de luxo com história, citando vendas recentes como a da villa suíça onde se reuniram Gorbatchov e Reagan. O próximo marco será a confirmação oficial do valor e a transferência formal da propriedade, prevista para as próximas semanas, que encerrará definitivamente a ligação da família Berlusconi ao imóvel.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A venda da Villa Certosa de Berlusconi a um xeque catari por 350 milhões de euros, considerada uma pechincha, encerra um capítulo de festas escandalosas e cúpulas políticas. A residência, infame por suas noites de 'bunga bunga', passa agora às mãos de um investidor do Golfo, simbolizando o fim de uma era de excessos e diplomacia de alto nível.
A villa sarda do ex-primeiro-ministro Berlusconi foi vendida à família real catari por 350 milhões de euros, numa das maiores transações imobiliárias privadas. O negócio foi concluído cerca de um ano após os herdeiros a colocarem no mercado.
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