
Micron reacende euforia da IA e petróleo cai com reabertura de Ormuz
Forte procura por chips de memória e alívio nas tensões geopolíticas impulsionam mercados, mas pressionam gigantes tecnológicas.
Os resultados trimestrais da Micron Technology, divulgados na quarta-feira, alteraram o rumo dos mercados globais. A fabricante norte-americana de chips de memória reportou receitas de 41,5 mil milhões de dólares, muito acima dos 35,9 mil milhões esperados, e projetou para o trimestre atual um lucro por ação de 31 dólares, contra estimativas de 25,8 dólares. As ações da empresa dispararam mais de 17% na quinta-feira, elevando a sua capitalização para perto de 1,4 biliões de dólares e ultrapassando momentaneamente a Meta e a Tesla. O anúncio de que clientes asseguraram 22 mil milhões de dólares em contratos de fornecimento de longo prazo reacendeu o entusiasmo em torno da inteligência artificial, que havia sido abalado nos dias anteriores por dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos.
A escassez de chips de memória de alto débito, essenciais para os processadores de IA, está na origem do movimento. A Micron, principal fornecedora da Nvidia, afirmou que a procura continuará a superar a oferta pelo menos até ao final de 2027, permitindo-lhe impor preços mais elevados. A dinâmica beneficiou todo o ecossistema de semicondutores: a Western Digital e a SanDisk subiram mais de 6% e 16%, respetivamente, enquanto a Qualcomm, que também elevou as suas projeções, ganhou mais de 5%. Na Europa, a ASML, a Infineon e a STMicroelectronics registaram valorizações entre 2% e 4%, impulsionando os índices de Frankfurt e Paris. Em Seul, o Kospi recuperou 5,4% após fortes perdas, e Tóquio avançou mais de 4%.
O segundo vetor da sessão foi a queda do petróleo. O Brent, referência internacional, recuou para a casa dos 72 dólares por barril, abaixo do nível de fecho anterior ao início dos bombardeamentos dos EUA e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro. O restabelecimento gradual do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, após um princípio de acordo para o fim do conflito, aliviou os receios de uma crise de abastecimento. A descida dos preços energéticos atenuou as pressões inflacionistas, num dia em que o índice PCE nos EUA subiu 4,1% em maio, em linha com o esperado, e o PIB do primeiro trimestre foi revisto em alta para 2,1%. A combinação deu algum conforto aos investidores, mas não alterou a expectativa de que a Reserva Federal mantenha as taxas de juro elevadas.
Apesar do otimismo com os semicondutores, as grandes tecnológicas que dependem desses componentes sofreram. A Apple caiu mais de 6% após aumentar os preços dos MacBook e iPad, justificando a decisão com o encarecimento dos chips de memória. A Microsoft, a Amazon e a Meta também recuaram, pressionando o Nasdaq, que fechou em baixa de 0,46%. O S&P 500 ficou praticamente inalterado, enquanto o Dow Jones atingiu um novo máximo histórico. Na América Latina, o Ibovespa subiu 1,47% e a bolsa mexicana avançou 1,56%, refletindo o alívio nos custos energéticos. O próximo marco a observar será a evolução das negociações de paz no Médio Oriente e a confirmação de que a normalização da oferta de crude se mantém, enquanto o setor tecnológico aguarda novos dados sobre a execução dos investimentos em IA.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Wall Street abriu misto, mas com apetite ao risco renovado após os sólidos resultados da Micron e dados econômicos em linha com o esperado. A queda do petróleo, que eliminou o prêmio de guerra, deu alívio aos mercados e reforçou o humor positivo.
As bolsas europeias subiram, lideradas pelo setor de tecnologia após os resultados recordes da Micron e os sinais positivos da Qualcomm. A queda contínua dos preços do petróleo e do gás, agora abaixo dos níveis pré-guerra, também sustentou o clima positivo.
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