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Kospi sul-coreano desaba 10% e desencadeia liquidação global de ações de tecnologia

A queda recorde do índice de Seul, puxada por Samsung e SK Hynix, contaminou Wall Street e as bolsas europeias, enquanto investidores reavaliam os gastos com inteligência artificial e a trajetória dos juros nos EUA.

O índice Kospi da Coreia do Sul sofreu um colapso de 10% na sessão de terça-feira, encerrando aos 8.203,84 pontos, depois de a bolsa de Seul ter acionado o mecanismo de interrupção de negociações ao ser ultrapassado o limiar de queda de 8%. As ações da Samsung Electronics e da SK Hynix, que juntas representam mais de metade da capitalização do índice, recuaram mais de 12% cada uma, num movimento que eliminou cerca de 2,5 mil milhões de dólares em posições de investidores estrangeiros. O episódio constitui a maior queda diária do Kospi em anos e surge após uma escalada que duplicara o índice desde o início do ano, alimentada pelo entusiasmo com os semicondutores e a inteligência artificial.

A correção foi amplificada por fatores técnicos e estruturais do mercado sul-coreano. Dados da associação de investimento financeiro indicam que a dívida de margem — empréstimos tomados por investidores de retalho para comprar ações — atingiu um máximo histórico de 38,5 biliões de wons em junho. Na sessão de terça-feira, os pequenos investidores adquiriram mais de 8 biliões de wons em ações, mas a pressão vendedora de fundos alavancados e o fecho forçado de posições acentuaram a espiral descendente. Na perspetiva de Seul, o movimento reflete uma realização de lucros após uma valorização considerada excessiva, num contexto em que os dois maiores fabricantes de memória do país concentram o risco do setor.

O choque propagou-se pelos mercados globais. Em Nova Iorque, o Nasdaq Composite recuou mais de 2%, com a fabricante de memória Micron Technology a cair 12% antes da divulgação dos seus resultados trimestrais, prevista para quarta-feira. As ações da SpaceX, que realizara a maior oferta pública inicial da história há menos de duas semanas, perderam 16% na segunda-feira e chegaram a negociar abaixo do preço de estreia de 150 dólares, acumulando uma destruição de valor de mercado superior a 600 mil milhões de dólares em três sessões. Nas praças europeias, o Stoxx 600 cedeu 0,6%, pressionado pelo setor de semicondutores — a holandesa ASML recuou 4,9% e a franco-italiana STMicroelectronics perdeu 7,8% em Paris. O índice Nikkei de Tóquio caiu 3,5%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,8%.

A par da fadiga das avaliações no setor tecnológico, os mercados incorporam uma reavaliação da política monetária norte-americana. A probabilidade de uma subida das taxas de juro pela Reserva Federal até setembro, atribuída por analistas em Londres e Nova Iorque à postura mais restritiva do novo presidente Kevin Warsh, subiu para perto de 90% nas expectativas dos operadores, de acordo com dados do CME Group. Este cenário pressiona as ações de crescimento, cujas avaliações dependem de lucros futuros descontados a taxas mais elevadas. Em simultâneo, o alívio das tensões no Médio Oriente, com a suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano, fez o Brent recuar para abaixo de 78 dólares, mas o efeito benigno sobre a inflação ainda não se reflete nas expectativas de juros.

O foco de curto prazo recai sobre os resultados da Micron, que servirão de barómetro para a procura de chips de memória ligados à inteligência artificial, e sobre a divulgação do índice de preços de consumo pessoal (PCE) nos EUA na quinta-feira. A combinação destes eventos deverá ditar se a liquidação representa uma pausa temporária ou o início de uma rotação mais duradoura para fora dos ativos de risco concentrados no setor tecnológico.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A bolha acionária alimentada pela IA estourou, com o Kospi de Seul despencando 10% e desencadeando uma liquidação global de tecnologia. Fabricantes de chips supervalorizados e empresas de IA como a SpaceX lideram as vendas, enquanto a incerteza sobre o conflito no Irã aumenta o nervosismo. A reversão brusca sinaliza que o rali de meses era insustentável.

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O colapso das ações de tecnologia sul-coreanas representa uma oportunidade para a Índia, pois investidores estrangeiros podem redirecionar fundos para o mercado indiano mais estável. A queda de 10% do Kospi, impulsionada por vendas pesadas de semicondutores, destaca os riscos da bolha de IA. Os retornos relativamente estáveis da Índia podem atrair capital em busca de segurança.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Kospi sul-coreano desaba 10% e desencadeia liquidação global de ações de tecnologia

A queda recorde do índice de Seul, puxada por Samsung e SK Hynix, contaminou Wall Street e as bolsas europeias, enquanto investidores reavaliam os gastos com inteligência artificial e a trajetória dos juros nos EUA.

O índice Kospi da Coreia do Sul sofreu um colapso de 10% na sessão de terça-feira, encerrando aos 8.203,84 pontos, depois de a bolsa de Seul ter acionado o mecanismo de interrupção de negociações ao ser ultrapassado o limiar de queda de 8%. As ações da Samsung Electronics e da SK Hynix, que juntas representam mais de metade da capitalização do índice, recuaram mais de 12% cada uma, num movimento que eliminou cerca de 2,5 mil milhões de dólares em posições de investidores estrangeiros. O episódio constitui a maior queda diária do Kospi em anos e surge após uma escalada que duplicara o índice desde o início do ano, alimentada pelo entusiasmo com os semicondutores e a inteligência artificial.

A correção foi amplificada por fatores técnicos e estruturais do mercado sul-coreano. Dados da associação de investimento financeiro indicam que a dívida de margem — empréstimos tomados por investidores de retalho para comprar ações — atingiu um máximo histórico de 38,5 biliões de wons em junho. Na sessão de terça-feira, os pequenos investidores adquiriram mais de 8 biliões de wons em ações, mas a pressão vendedora de fundos alavancados e o fecho forçado de posições acentuaram a espiral descendente. Na perspetiva de Seul, o movimento reflete uma realização de lucros após uma valorização considerada excessiva, num contexto em que os dois maiores fabricantes de memória do país concentram o risco do setor.

O choque propagou-se pelos mercados globais. Em Nova Iorque, o Nasdaq Composite recuou mais de 2%, com a fabricante de memória Micron Technology a cair 12% antes da divulgação dos seus resultados trimestrais, prevista para quarta-feira. As ações da SpaceX, que realizara a maior oferta pública inicial da história há menos de duas semanas, perderam 16% na segunda-feira e chegaram a negociar abaixo do preço de estreia de 150 dólares, acumulando uma destruição de valor de mercado superior a 600 mil milhões de dólares em três sessões. Nas praças europeias, o Stoxx 600 cedeu 0,6%, pressionado pelo setor de semicondutores — a holandesa ASML recuou 4,9% e a franco-italiana STMicroelectronics perdeu 7,8% em Paris. O índice Nikkei de Tóquio caiu 3,5%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,8%.

A par da fadiga das avaliações no setor tecnológico, os mercados incorporam uma reavaliação da política monetária norte-americana. A probabilidade de uma subida das taxas de juro pela Reserva Federal até setembro, atribuída por analistas em Londres e Nova Iorque à postura mais restritiva do novo presidente Kevin Warsh, subiu para perto de 90% nas expectativas dos operadores, de acordo com dados do CME Group. Este cenário pressiona as ações de crescimento, cujas avaliações dependem de lucros futuros descontados a taxas mais elevadas. Em simultâneo, o alívio das tensões no Médio Oriente, com a suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano, fez o Brent recuar para abaixo de 78 dólares, mas o efeito benigno sobre a inflação ainda não se reflete nas expectativas de juros.

O foco de curto prazo recai sobre os resultados da Micron, que servirão de barómetro para a procura de chips de memória ligados à inteligência artificial, e sobre a divulgação do índice de preços de consumo pessoal (PCE) nos EUA na quinta-feira. A combinação destes eventos deverá ditar se a liquidação representa uma pausa temporária ou o início de uma rotação mais duradoura para fora dos ativos de risco concentrados no setor tecnológico.

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O colapso das ações de tecnologia sul-coreanas representa uma oportunidade para a Índia, pois investidores estrangeiros podem redirecionar fundos para o mercado indiano mais estável. A queda de 10% do Kospi, impulsionada por vendas pesadas de semicondutores, destaca os riscos da bolha de IA. Os retornos relativamente estáveis da Índia podem atrair capital em busca de segurança.

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