
Egipto anuncia cidade bizantina no deserto e tumbas com línguas de ouro na costa
Os achados no oásis de Dakhla e na marina de El-Alamein oferecem novos dados sobre a vida quotidiana no Império Bizantino e práticas funerárias greco-romanas.
O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egipto revelou no sábado dois conjuntos de descobertas arqueológicas que ampliam o conhecimento sobre o passado do país: uma cidade residencial da era bizantina, bem preservada no oásis de Dakhla, no deserto ocidental, e 18 túmulos greco-romanos no sítio costeiro de Marina el-Alamein, próximo a Alexandria. Com os novos sepulcros, o total de tumbas identificadas no local desde 1986 sobe para 48, enquanto a cidade bizantina se destaca pela integridade das suas estruturas e pela riqueza dos objetos quotidianos recolhidos.
A cidade do século IV, construída em adobe, exibe um traçado urbano planeado, com ruas principais que se cruzam e formam praças e espaços públicos. Os arqueólogos identificaram uma basílica cristã, duas torres de vigia e uma zona fortificada com grossas muralhas defensivas, além de casas com salões de receção e tetos abobadados. Entre estas, a residência do diácono Tisos, datada da segunda metade do século IV, terá funcionado como igreja doméstica antes da construção da basílica. Foram ainda encontrados fornos, cozinhas, instrumentos de moagem, moedas de bronze e ouro com efígies de imperadores bizantinos — incluindo peças do reinado de Constâncio II (337-361) — e uma coleção de cerca de 200 óstracos, fragmentos de cerâmica com inscrições em copta e grego que documentam transações comerciais, correspondência e outros pormenores da vida diária.
Em Marina el-Alamein, as 18 tumbas agora divulgadas dividem-se em 11 hipogeus escavados na rocha, com profundidade média de oito metros, e sete sepulturas de superfície em calcário. No interior, encontravam-se vasos cerâmicos, ânforas, lâmpadas, altares e um sarcófago de granito de 2,5 metros, ainda com a tampa no lugar e restos ósseos que serão analisados. Próximo a ele, foi recuperada uma estátua de esfinge em gesso. O elemento mais invulgar são 24 pequenas peças de ouro colocadas na boca de alguns defuntos — as chamadas “línguas douradas” —, prática associada a crenças helenísticas e romanas sobre a comunicação com os deuses no além. O sítio, identificado como a antiga Leucaspis, porto greco-romano que prosperou entre os séculos II e IV, reforça a perceção da costa egípcia como nó comercial e cultural do Mediterrâneo antigo.
As descobertas surgem num momento de fragilidade económica no Egipto, onde o turismo de antiguidades, a par das receitas do canal de Suez e das remessas de emigrantes, constitui uma fonte vital de divisas. O oásis de Dakhla já consta da lista indicativa da UNESCO, o que pode abrir caminho à classificação como Património Mundial, e as autoridades esperam que a notoriedade dos achados impulsione o setor. Museus em Portugal e no Brasil, com importantes coleções egípcias, acompanham com interesse o fluxo de novas evidências que enriquecem a narrativa histórica da região.
Os trabalhos arqueológicos prosseguirão em ambos os sítios. Em Dakhla, a análise linguística dos óstracos poderá revelar mais sobre a organização social e económica da comunidade bizantina; em Marina el-Alamein, os estudos bioarqueológicos — incluindo ADN e isótopos — prometem traçar perfis demográficos e de mobilidade. Outros projetos, como a recuperação de blocos do antigo Farol de Alexandria, sublinham o dinamismo da arqueologia egípcia contemporânea, cujo próximo marco será a eventual decisão da UNESCO sobre a inscrição do oásis.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | +0.30 | aligned |
The archaeological find is a state affair: gold, corruption, and territorial control.
It reduces the discovery to a matter of material resources and power, implicitly linking it to corruption scandals and cultural sovereignty conflicts.
It omits the historical-artistic significance of the Byzantine site and the scientific context of the excavation, elements present in the Russian coverage.
Archaeology reveals humanity's common roots: a triumph of science that transcends political divisions.
It frames the discovery as a purely scientific and cultural event, avoiding any connection to geopolitical tensions or local economic interests.
It makes no mention of regional political implications or potential conflicts over heritage control, present in the Arab coverage.
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