
Vendas de automóveis aceleram no Brasil, Alemanha e Marrocos; produção argentina recua
Mercados emergentes e europeus mostram dinamismo impulsionado por elétricos, enquanto a indústria sul-americana sofre com juros altos e queda do investimento.
O mercado automóvel global exibiu trajetórias divergentes no primeiro semestre de 2026. No Brasil, São José dos Campos e Taubaté tiveram altas de 15% e 16,6% nos emplacamentos no semestre, face a 2025, segundo a Fenabrave. Na Alemanha, as vendas de automóveis novos subiram 15,7% em junho, com os elétricos a saltarem 78,2% e a representarem 28,4% do mercado, segundo a KBA. Marrocos registou um avanço de 16,7% em junho e 17,6% no semestre, com os eletrificados a atingirem 16,8% das matrículas, informou a AIVAM.
A eletrificação acelerada reflete políticas de incentivo. O governo alemão reintroduziu bónus até 6.000 euros para elétricos e híbridos, o que, segundo a consultora EY, beneficiou desproporcionalmente marcas chinesas como a BYD, cujas vendas dispararam 273,7% no país. Em Marrocos, 21 marcas chinesas já detêm 11,3% do mercado de passageiros, o dobro do ano anterior. A dinâmica contrasta com a realidade argentina: a produção de veículos caiu 18,3% no semestre, para 204.658 unidades, e as exportações recuaram 2,1%, segundo a ADEFA. As vendas ao atacado subiram 22,5% em junho face a maio, mas o acumulado do semestre é 23,7% inferior ao de 2025. O presidente da ADEFA, Rodrigo Pérez Graziano, advertiu que a indústria opera com “tempos de recomposição mais lentos” e depende de redução de impostos provinciais e municipais.
O cenário industrial sul-americano vai além do setor automóvel. No Brasil, a produção industrial recuou 0,2% em maio, a primeira contração do ano, com a indústria de transformação estagnada (alta de 0,2% no semestre), enquanto a extrativa avança quase 8%, puxada por petróleo e minerais. Os juros elevados travam o crédito e o investimento, observam analistas do IBRE. Na Argentina, o investimento caiu 11% em três anos, os salários reais encolheram e a informalidade atingiu 44,2% no primeiro trimestre, segundo o Banco Provincia e a UBA. A indústria têxtil opera a 42,4% da capacidade, com perda de 24 mil postos de trabalho desde 2023, conforme a Fundação Protejer.
Na Europa, o mercado de trabalho italiano oferece um contraponto: a taxa de desemprego caiu para 5% em maio, mínimo histórico, com 228 mil ocupados a mais em um ano, puxados por contratos sem termo, segundo o Istat. A primeira-ministra Giorgia Meloni atribuiu o resultado a políticas de estímulo ao emprego estável. Enquanto isso, na Alemanha, apesar do impulso dos elétricos, as vendas totais de automóveis ainda estão 20% abaixo dos níveis pré-crise de 2019, lembra a EY.
Os próximos meses serão decisivos para confirmar se a retoma das vendas no atacado argentino se consolida com melhores condições de financiamento, enquanto no Brasil a trajetória da taxa Selic ditará o ritmo da indústria de transformação. Em Marrocos e na Alemanha, a evolução dos incentivos e a penetração das marcas chinesas permanecem no centro das atenções.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Latin American bloc does not directly cover the auto electrification story, but focuses on domestic economic issues such as Argentina's debt and US-Brazil tariffs. These articles implicitly suggest that the region's macroeconomic difficulties hinder its participation in the global transition.
The continental European bloc completely ignores the story on auto electrification and the struggles of Argentina and Brazil. Its articles cover exclusively Italian domestic topics, signaling that the issue is not considered relevant for its audience.
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