
Vance minimiza Watergate e atribui queda de Nixon a 'Estado profundo'
Vice-presidente dos EUA afirmou que o escândalo hoje seria 'notícia de 12 horas' e traçou paralelo com as investigações enfrentadas por Donald Trump.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou na quinta-feira que o escândalo de Watergate, se ocorresse atualmente, desapareceria do noticiário em doze horas e classificou como 'loucura' o facto de ter derrubado uma presidência. A declaração foi proferida na Biblioteca Presidencial Richard Nixon, na Califórnia, durante a apresentação do seu novo livro. Vance descreveu Nixon como um 'génio político' cujo legado vive um 'renascimento' e estabeleceu uma comparação direta entre a queda do 37.º presidente e as investigações enfrentadas por Donald Trump, atribuindo ambos os casos à ação do que designou por 'Estado profundo'.
Na perspetiva de historiadores e analistas políticos norte-americanos, as afirmações representam uma revisão histórica que omite as provas documentais do caso. O antigo conselheiro de Barack Obama, David Axelrod, classificou os comentários como 'inacreditáveis', recordando que as gravações da Casa Branca demonstraram o envolvimento direto de Nixon na tentativa de obstruir a investigação do FBI. O jornalista e historiador Garrett Graff, autor de uma obra de referência sobre o escândalo, considerou a intervenção de Vance 'chocantemente a-histórica'. Observadores em Washington notam que a minimização do caso surge num momento em que figuras da administração Trump, como o procurador de indultos Ed Martin e a chefe de protocolo Monica Crowley, têm promovido a tese de que Watergate foi uma 'farsa' orquestrada pela CIA.
A imprensa europeia, nomeadamente em França, na Alemanha e em Itália, sublinhou o contraste entre a gravidade dos factos históricos e a leitura oferecida pelo vice-presidente. O diário suíço Tages-Anzeiger observou que Vance 'excluiu completamente' o conteúdo do escândalo ao traçar o paralelo com Trump, enquanto o francês Le Temps notou que a intervenção terá chocado os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, cuja investigação revelou a extensão do encobrimento. A agência italiana Adnkronos contextualizou as declarações no quadro da crescente ambição presidencial de Vance para 2028.
A cobertura na Índia acrescentou uma dimensão particular ao episódio. O Times of India recordou que Nixon nutriu uma hostilidade profunda em relação a Nova Deli e à primeira-ministra Indira Gandhi, documentada em gravações onde utilizou termos depreciativos e sexistas. O diário indiano assinalou a ironia de Vance, casado com uma cidadã de origem indiana, elogiar um presidente que descreveu as mulheres indianas em termos 'profundamente ofensivos'. A mesma análise nota que a reabilitação de Nixon ocorre num momento de relações tensas entre Washington e Nova Deli, reavivando memórias da política de Nixon de alinhamento com o Paquistão durante a guerra de 1971.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O vice-presidente, falando na biblioteca Nixon, sugeriu meio a sério que o escândalo Watergate hoje seria uma notícia de 12 horas. Questionou se tal evento poderia derrubar uma presidência, expressando admiração pelo legado de Nixon.
Vance, embora casado com uma mulher indiana, tenta reabilitar um ex-presidente notório por seu desprezo pela Índia e insultos vis contra mulheres indianas. A ironia é gritante: ele elogia um homem que teria desprezado sua própria família.
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