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Geopolítica & Políticasexta-feira, 26 de junho de 2026

Vance minimiza Watergate e atribui queda de Nixon a 'Estado profundo'

Vice-presidente dos EUA afirmou que o escândalo hoje seria 'notícia de 12 horas' e traçou paralelo com as investigações enfrentadas por Donald Trump.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou na quinta-feira que o escândalo de Watergate, se ocorresse atualmente, desapareceria do noticiário em doze horas e classificou como 'loucura' o facto de ter derrubado uma presidência. A declaração foi proferida na Biblioteca Presidencial Richard Nixon, na Califórnia, durante a apresentação do seu novo livro. Vance descreveu Nixon como um 'génio político' cujo legado vive um 'renascimento' e estabeleceu uma comparação direta entre a queda do 37.º presidente e as investigações enfrentadas por Donald Trump, atribuindo ambos os casos à ação do que designou por 'Estado profundo'.

Na perspetiva de historiadores e analistas políticos norte-americanos, as afirmações representam uma revisão histórica que omite as provas documentais do caso. O antigo conselheiro de Barack Obama, David Axelrod, classificou os comentários como 'inacreditáveis', recordando que as gravações da Casa Branca demonstraram o envolvimento direto de Nixon na tentativa de obstruir a investigação do FBI. O jornalista e historiador Garrett Graff, autor de uma obra de referência sobre o escândalo, considerou a intervenção de Vance 'chocantemente a-histórica'. Observadores em Washington notam que a minimização do caso surge num momento em que figuras da administração Trump, como o procurador de indultos Ed Martin e a chefe de protocolo Monica Crowley, têm promovido a tese de que Watergate foi uma 'farsa' orquestrada pela CIA.

A imprensa europeia, nomeadamente em França, na Alemanha e em Itália, sublinhou o contraste entre a gravidade dos factos históricos e a leitura oferecida pelo vice-presidente. O diário suíço Tages-Anzeiger observou que Vance 'excluiu completamente' o conteúdo do escândalo ao traçar o paralelo com Trump, enquanto o francês Le Temps notou que a intervenção terá chocado os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, cuja investigação revelou a extensão do encobrimento. A agência italiana Adnkronos contextualizou as declarações no quadro da crescente ambição presidencial de Vance para 2028.

A cobertura na Índia acrescentou uma dimensão particular ao episódio. O Times of India recordou que Nixon nutriu uma hostilidade profunda em relação a Nova Deli e à primeira-ministra Indira Gandhi, documentada em gravações onde utilizou termos depreciativos e sexistas. O diário indiano assinalou a ironia de Vance, casado com uma cidadã de origem indiana, elogiar um presidente que descreveu as mulheres indianas em termos 'profundamente ofensivos'. A mesma análise nota que a reabilitação de Nixon ocorre num momento de relações tensas entre Washington e Nova Deli, reavivando memórias da política de Nixon de alinhamento com o Paquistão durante a guerra de 1971.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa europeia continentalImprensa indiana e sul-asiática
Imprensa europeia continental
CeticismoIronia

O vice-presidente, falando na biblioteca Nixon, sugeriu meio a sério que o escândalo Watergate hoje seria uma notícia de 12 horas. Questionou se tal evento poderia derrubar uma presidência, expressando admiração pelo legado de Nixon.

Imprensa indiana e sul-asiática
IndignaçãoIroniaPaternalismo

Vance, embora casado com uma mulher indiana, tenta reabilitar um ex-presidente notório por seu desprezo pela Índia e insultos vis contra mulheres indianas. A ironia é gritante: ele elogia um homem que teria desprezado sua própria família.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Vance minimiza Watergate e atribui queda de Nixon a 'Estado profundo'

Vice-presidente dos EUA afirmou que o escândalo hoje seria 'notícia de 12 horas' e traçou paralelo com as investigações enfrentadas por Donald Trump.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou na quinta-feira que o escândalo de Watergate, se ocorresse atualmente, desapareceria do noticiário em doze horas e classificou como 'loucura' o facto de ter derrubado uma presidência. A declaração foi proferida na Biblioteca Presidencial Richard Nixon, na Califórnia, durante a apresentação do seu novo livro. Vance descreveu Nixon como um 'génio político' cujo legado vive um 'renascimento' e estabeleceu uma comparação direta entre a queda do 37.º presidente e as investigações enfrentadas por Donald Trump, atribuindo ambos os casos à ação do que designou por 'Estado profundo'.

Na perspetiva de historiadores e analistas políticos norte-americanos, as afirmações representam uma revisão histórica que omite as provas documentais do caso. O antigo conselheiro de Barack Obama, David Axelrod, classificou os comentários como 'inacreditáveis', recordando que as gravações da Casa Branca demonstraram o envolvimento direto de Nixon na tentativa de obstruir a investigação do FBI. O jornalista e historiador Garrett Graff, autor de uma obra de referência sobre o escândalo, considerou a intervenção de Vance 'chocantemente a-histórica'. Observadores em Washington notam que a minimização do caso surge num momento em que figuras da administração Trump, como o procurador de indultos Ed Martin e a chefe de protocolo Monica Crowley, têm promovido a tese de que Watergate foi uma 'farsa' orquestrada pela CIA.

A imprensa europeia, nomeadamente em França, na Alemanha e em Itália, sublinhou o contraste entre a gravidade dos factos históricos e a leitura oferecida pelo vice-presidente. O diário suíço Tages-Anzeiger observou que Vance 'excluiu completamente' o conteúdo do escândalo ao traçar o paralelo com Trump, enquanto o francês Le Temps notou que a intervenção terá chocado os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, cuja investigação revelou a extensão do encobrimento. A agência italiana Adnkronos contextualizou as declarações no quadro da crescente ambição presidencial de Vance para 2028.

A cobertura na Índia acrescentou uma dimensão particular ao episódio. O Times of India recordou que Nixon nutriu uma hostilidade profunda em relação a Nova Deli e à primeira-ministra Indira Gandhi, documentada em gravações onde utilizou termos depreciativos e sexistas. O diário indiano assinalou a ironia de Vance, casado com uma cidadã de origem indiana, elogiar um presidente que descreveu as mulheres indianas em termos 'profundamente ofensivos'. A mesma análise nota que a reabilitação de Nixon ocorre num momento de relações tensas entre Washington e Nova Deli, reavivando memórias da política de Nixon de alinhamento com o Paquistão durante a guerra de 1971.

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Imprensa europeia continental
CeticismoIronia

O vice-presidente, falando na biblioteca Nixon, sugeriu meio a sério que o escândalo Watergate hoje seria uma notícia de 12 horas. Questionou se tal evento poderia derrubar uma presidência, expressando admiração pelo legado de Nixon.

Imprensa indiana e sul-asiática
IndignaçãoIroniaPaternalismo

Vance, embora casado com uma mulher indiana, tenta reabilitar um ex-presidente notório por seu desprezo pela Índia e insultos vis contra mulheres indianas. A ironia é gritante: ele elogia um homem que teria desprezado sua própria família.

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