
Baixa adesão e tom partidário marcam abertura da feira 'America 250' em Washington
Donald Trump reivindicou 45 mil presentes, mas estimativas independentes apontam pouco mais de mil; artistas e estados democratas boicotaram o evento.
A abertura da Grande Feira Estatal Americana, no National Mall, em Washington, expôs um contraste entre a narrativa oficial e a afluência registada. O presidente Donald Trump descreveu uma multidão de 45 mil pessoas e um recinto “lotado”, mas veículos da imprensa norte-americana, como a NBC News e o The Washington Post, estimaram pouco mais de mil participantes, com uma área “fracamente coberta” e dezenas de pessoas a abandonarem o local durante o discurso presidencial. O evento, concebido para lançar as comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, viu cerca de um quinto dos estados, sobretudo de administração democrata, recusarem enviar delegações oficiais ou financiar pavilhões, enquanto vários artistas cancelaram atuações por considerarem a celebração excessivamente partidária.
Na perspetiva da Casa Branca, a feira representa uma demonstração de orgulho nacional e o regresso da América ao centro do palco global, com o próprio Trump a colocar a sua imagem e o lema “America First” no centro da encenação. O secretário dos Transportes, Sean Duffy, referiu-se aos músicos que se retiraram com um termo depreciativo, reforçando o tom de confronto. Em contrapartida, analistas em Washington notam que a instrumentalização de uma data histórica para fins de mobilização política e a venda de artigos com a marca MAGA acentuaram a perceção de um evento mais voltado para a base eleitoral do presidente do que para a coesão nacional.
O episódio insere-se num contexto de desgaste da imagem internacional dos Estados Unidos. Uma sondagem global citada pela imprensa francesa indica uma queda acentuada na popularidade do país e do próprio Trump, em particular nas áreas de política externa e direitos aduaneiros. Para observadores em Brasília, a polarização interna e a ênfase na autopromoção presidencial podem ser interpretadas como sinais de instabilidade que complicam as expectativas de acordos comerciais bilaterais. Em Lisboa, a politização de uma celebração nacional contrasta com a tradição europeia de consensos alargados em efemérides históricas. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, a redução drástica da ajuda externa norte-americana, simbolizada pelo encerramento da USAID e pelo redireccionamento dos seus fundos, é acompanhada com apreensão quanto à continuidade de parcerias de desenvolvimento e segurança.
A feira, que decorre até 10 de julho, é apenas a face mais visível de uma transformação mais ampla da capital sob a administração Trump, que inclui a presença indefinida de tropas da Guarda Nacional em estações de metro e a afixação de retratos presidenciais em edifícios governamentais. A baixa adesão inicial e os boicotes não levaram, até ao momento, a alterações na programação oficial, prevendo-se a continuação de comícios e eventos paralelos que deverão manter o tom de campanha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Apesar das alegações de Trump de uma multidão 'lotada', as imagens mostram um comparecimento decepcionante no National Mall, com muitos espectadores saindo durante seu discurso. A lacuna entre a retórica presidencial e a realidade visível alimenta o ceticismo sobre o evento do 250º aniversário.
Uma pesquisa global revela uma forte deterioração da imagem dos Estados Unidos, com indicadores de soft power despencando durante o mandato de Trump. A celebração do 250º aniversário torna-se assim o pano de fundo de uma crise mais ampla de reputação internacional, ligada a tarifas e política externa.
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