
Europa contabiliza mais de 1.300 mortes durante onda de calor sem precedentes
Temperaturas superaram 40°C em vários países, com Espanha a reportar 1.028 óbitos; Portugal emitiu alerta vermelho para Lisboa e Setúbal.
A vaga de calor que assolou a Europa no final de junho provocou mais de 1.300 mortes em todo o continente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). As temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius em países como França, Espanha, Alemanha, Polónia, República Checa e Hungria, estabelecendo novos recordes históricos para o mês de junho.
As autoridades de saúde espanholas contabilizaram 1.028 óbitos relacionados com o calor apenas em junho, o dobro dos 407 registados no mesmo mês de 2025, de acordo com o Instituto de Saúde Carlos III. Em França, a agência Santé publique France estimou cerca de mil mortes em excesso durante o episódio, enquanto a OMS apontou para um total de 1.300 óbitos adicionais desde 21 de junho. A maioria das vítimas eram idosos com mais de 65 anos, particularmente vulneráveis em habitações concebidas para reter o calor no inverno e com baixa penetração de ar condicionado.
A dimensão exata da mortalidade permanece provisória. Os números baseiam-se em estimativas de excesso de mortalidade e não em certidões de óbito que mencionem diretamente o calor como causa. Em Espanha, o sistema MoMo calcula a diferença entre óbitos observados e esperados; as autoridades suíças só divulgarão uma análise da sobremortalidade dentro de um ano. Ainda assim, os dados disponíveis indicam que a onda de calor de junho de 2026 foi a mais intensa já registada na Europa, com o grupo World Weather Attribution a considerar que seria “virtualmente impossível” sem as alterações climáticas.
O fenómeno meteorológico conhecido como “bloqueio ómega” aprisionou ar quente do Norte de África sobre o continente, elevando as temperaturas da superfície do solo para 55°C em algumas regiões de Espanha e França, conforme imagens do satélite Sentinel-3 da Agência Espacial Europeia. Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu alerta vermelho para Lisboa e Setúbal, com previsão de máximas de 44°C. A OMS sublinhou que a Europa aquece ao dobro da média global e que as ondas de calor se tornarão mais frequentes.
Do lado indonésio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garantiu que nenhum cidadão indonésio foi dado como vítima, mas as representações diplomáticas ativaram linhas de emergência e recomendaram precauções. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) esclareceu que o país, por estar na zona equatorial, não reúne as condições técnicas para uma onda de calor, registando apenas picos de temperatura diários típicos da estação seca. As avaliações do impacto total da vaga de calor prosseguem, com as autoridades europeias a manter os níveis de alerta enquanto uma nova massa de ar quente se aproxima da Península Ibérica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A onda de calor de junho na Espanha causou mais de 1.000 mortes, o dobro do ano anterior, enquanto o país registrou o primeiro semestre mais quente de sempre. Especialistas alertam para a perigosa interação entre poluição do ar e calor extremo, que agrava os riscos à saúde pública.
A Espanha registrou mais de 1.000 mortes relacionadas ao calor em junho, mais que o dobro do ano anterior, enquanto as temperaturas atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026.
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