
Dólar recua a mínimos de seis anos na Colômbia com 'carry trade' e dados fracos dos EUA
A moeda norte-americana caiu para 3.360 pesos colombianos, nível de fevereiro de 2020, enquanto o peso mexicano se fortaleceu e o oficial argentino subiu, num quadro de enfraquecimento global do dólar após a criação de apenas 57 mil empregos nos Estados Unidos em junho.
O dólar atingiu na Colômbia o patamar mais baixo desde o início de 2020, negociado a 3.362,67 pesos na abertura desta quinta-feira, uma queda de 40,68 pesos face à taxa representativa do mercado. O movimento, que levou a moeda a mínimos intradiários de 3.354 pesos, é atribuído por analistas em Bogotá ao fortalecimento das operações de 'carry trade': investidores tomam recursos em economias com juros baixos, como o Japão (1%) e a Suíça (0%), e aplicam em títulos colombianos que rendem 12% ao ano, após o banco central ter subido a taxa em 75 pontos base na terça-feira. A estratégia pressiona a cotação da divisa norte-americana, num ciclo que, segundo estrategistas locais, pode levar o dólar a testar novos mínimos.
O pano de fundo internacional foi fornecido pelos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho reportou a criação de apenas 57 mil empregos em junho, muito abaixo dos 129 mil de maio e das projeções dos mercados. O número reforçou a expectativa de que a Reserva Federal modere o ritmo de aperto monetário, enfraquecendo o dólar globalmente. Na Europa, o euro subiu 0,21%, para 1,1401 dólares, enquanto a libra esterlina se manteve estável. O petróleo, por sua vez, recuou cerca de 1%, com o Brent a 70,80 dólares, pressionado por sinais de progresso em conversações indiretas entre Irão e EUA sobre o estreito de Ormuz.
Na Argentina, a dinâmica foi distinta. O dólar oficial no Banco Nación encerrou a 1.510 pesos para venda, o nível mais alto desde novembro de 2025, enquanto o 'blue' se manteve em 1.525 pesos, com uma brecha cambial de apenas 3%. Observadores em Buenos Aires apontam que a aceleração do oficial reflete a menor oferta sazonal de divisas do setor agropecuário e o fortalecimento global do dólar nas semanas anteriores, parcialmente contido por intervenções do banco central nos mercados de futuros. O governo mantém um regime de bandas cambiais e o mercado projeta uma depreciação gradual, com contratos futuros a apontar para 1.655 pesos por dólar em dezembro.
No México, o peso apreciou-se para 17,47 por dólar, uma queda de 0,52% na sessão, beneficiado pelo fluxo de investimentos ligados ao 'nearshoring' e à realização do Mundial de futebol. Contudo, a decisão dos Estados Unidos de não renovar o T-MEC no seu formato atual introduz incerteza. O representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, afirmou que o acordo precisa de ajustes para reduzir os défices comerciais, e uma nova ronda negocial com o México está marcada para 20 de julho. O euro, por sua vez, era cotado a 20,02 pesos mexicanos, com ligeira alta.
O próximo marco factual será a divulgação de novos indicadores do mercado de trabalho norte-americano e as atas da próxima reunião da Fed, que podem confirmar ou alterar as expectativas de pausa no ciclo de alta de juros. Paralelamente, as conversações sobre o T-MEC e a evolução dos preços do petróleo, num contexto de tréguas geopolíticas frágeis, permanecem no radar dos mercados emergentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na Colômbia, o dólar caiu para mínimas de seis anos, impulsionado pelo apetite por carry trade e pela fraqueza do mercado de trabalho dos EUA. Na Argentina, o dólar oficial opera dentro da banda do governo e o paralelo mostra uma diferença modesta, reflexo da escassez de dólares que persiste mesmo após o fim dos controles.
O iene teve oscilações bruscas no final do pregão, com um fortalecimento repentino que evidencia a fragilidade dos fluxos globais de carry trade. Essa turbulência ecoa nas moedas emergentes: o peso colombiano se beneficia, enquanto o argentino segue pressionado pela escassez de dólares.
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