
Inflação acelera em Gana e Indonésia, mas arrefece no Brasil e Argentina em junho
Dados de junho de 2026 mostram pressões de combustíveis e alimentos em economias emergentes, enquanto São Paulo e Buenos Aires registam moderação.
O índice de preços ao consumidor no Gana subiu para 5,3% em junho de 2026, face a 3,7% em maio, impulsionado sobretudo pelos preços não alimentares, que contribuíram com 68,5% da inflação total. As tarifas de transporte público e as rendas lideraram as pressões, enquanto o preço do gengibre disparou 102,5% em termos anuais, contrastando com a queda de 38% do kontomire, uma hortaliça local. Esta divergência extrema no cabaz alimentar reflete choques de oferta e uma procura ainda resiliente por serviços, num contexto em que a inflação permanece muito abaixo dos 13,7% registados um ano antes.
Na Indonésia, a inflação homóloga atingiu 3,34% em junho, aproximando-se do limite superior da meta de 2,5±1% definida pelo banco central. O principal fator foi o reajuste dos combustíveis não subsidiados, com o litro da Pertamax a passar de 12.300 para 16.250 rupias, a que se somou o aumento das tarifas aéreas devido à subida do preço do querosene de aviação. Em Jacarta, o banco central assegurou que a inflação se mantém controlada e dentro do intervalo-alvo, sustentada pela coordenação com as autoridades regionais nos programas de estabilização de preços alimentares.
Em contraste, o cenário na América do Sul é de moderação. O IPC-Fipe da cidade de São Paulo subiu apenas 0,18% em junho, desacelerando face aos 0,45% de maio, com a inflação acumulada em 12 meses a fixar-se em 3,92%. Na Argentina, as projeções privadas apontam para uma taxa mensal entre 1,8% e 1,9%, o que representaria o terceiro mês consecutivo de abrandamento, após o pico de 2,6% em abril. A estabilidade dos preços dos alimentos e o ritmo mais gradual de atualização das tarifas explicam esta trajetória, embora analistas em Buenos Aires alertem para pressões sazonais ligadas às férias de inverno em julho.
A divergência entre as economias emergentes ilustra o impacto assimétrico dos preços da energia e da volatilidade alimentar. Enquanto Gana e Indonésia enfrentam o efeito de medidas administrativas sobre combustíveis e transportes, Brasil e Argentina beneficiam de uma política monetária previamente restritiva e de uma oferta agrícola mais estável. O próximo marco factual será a divulgação do IPC argentino de junho pelo INDEC, a 14 de julho, que confirmará se a desinflação se mantém abaixo dos 2%.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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In June 2026, Ghana's inflation was driven mainly by non-food items, which overtook food as the main source of price increases. The Ghana Statistical Service report shows non-food inflation at 6.3% and food inflation at 3.9%, with non-food contributing 68.5% of headline inflation. This indicates a shift in the country's inflation dynamics.
Latin American media did not report on the global inflation story, focusing instead on local news such as weather, sports, and celebrity gossip. This suggests an editorial priority towards entertainment and daily life, overlooking international economic trends.
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