
Tesla entrega 480 mil veículos no trimestre e supera expectativas, mas ações caem
As vendas globais subiram 25% impulsionadas pela Europa e China, mas a desvalorização das ações reflete o ceticismo dos investidores quanto ao futuro da empresa.
A Tesla entregou 480.126 veículos elétricos no segundo trimestre de 2026, um salto de 25% face ao período homólogo e um resultado muito acima das projeções dos analistas, que apontavam para cerca de 401 mil unidades, segundo o consenso da FactSet. Apesar do desempenho comercial, as ações da fabricante chegaram a cair 8% na bolsa de Nova Iorque, num movimento que, para observadores em Wall Street, sinaliza que o mercado já não avalia a empresa apenas pelas vendas de automóveis, mas sobretudo pelas promessas de Elon Musk nos domínios da inteligência artificial, robótica e condução autónoma.
A recuperação foi liderada pela Europa, onde as matrículas de veículos Tesla cresceram 77% entre janeiro e maio, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). Na Alemanha, as vendas dispararam 300% em maio, e analistas do Deutsche Bank estimam que o mercado europeu tenha registado uma expansão de cerca de 40% no trimestre. A China também contribuiu para o impulso, enquanto a América do Norte viu as entregas recuarem 21%, penalizadas pelo fim de um crédito fiscal federal de 7.500 dólares e pelo impacto residual dos boicotes que marcaram o primeiro semestre de 2025, quando a colaboração de Musk com a administração Trump e o seu apoio a partidos de extrema-direita europeus geraram protestos e atos de vandalismo.
A Tesla permanece, contudo, atrás da rival chinesa BYD, que vendeu 557.090 elétricos no mesmo período e reassumiu a liderança global. A quase totalidade das entregas da Tesla concentrou-se nos modelos mais acessíveis Model 3 e Model Y; o Cybertruck representou apenas 12.364 unidades. A empresa descontinuou os Model S e Model X em maio, convertendo espaço fabril em Fremont, na Califórnia, para a produção de robôs humanoides Optimus. Este redirecionamento estratégico é acompanhado por um plano de investimento de mais de 25 mil milhões de dólares em 2026, o triplo do ano anterior, com foco em robotáxis Cybercab e sistemas de condução autónoma.
A reação negativa das ações, apesar dos números de entregas, foi amplificada pela revelação de que o investidor Michael Burry, conhecido por antecipar a crise do subprime, assumiu uma posição curta sobre a Tesla. Paralelamente, a recente entrada em bolsa da SpaceX, avaliada em cerca de 2,1 biliões de dólares, alimenta especulações sobre uma possível fusão entre as duas empresas de Musk. O próximo marco factual será a divulgação dos resultados financeiros completos do segundo trimestre, agendada para 22 de julho, quando a empresa detalhará margens, receitas e o desempenho do negócio de armazenamento de energia, que cresceu 53% face ao primeiro trimestre.
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O salto de 25% nas entregas da Tesla, superando em muito as previsões de Wall Street, sinaliza que a reação negativa dos consumidores contra Elon Musk está a diminuir. Os preços elevados dos combustíveis e a recuperação da procura europeia estão a impulsionar a retoma, embora as vendas nos EUA permaneçam fracas após o fim dos créditos fiscais. A empresa parece estar a deixar a crise para trás e a recuperar o ímpeto.
A Tesla registou um aumento de 25% nas entregas do segundo trimestre, para 480.126 veículos, superando as expectativas dos analistas. A empresa produziu e vendeu mais dos seus modelos económicos Model 3 e Model Y. Os números foram divulgados num comunicado empresarial de rotina, sem comentários adicionais.
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