
Chanceler alemão lança pacote de 34 reformas para reativar economia e travar avanço da AfD
Medidas incluem alívio fiscal de 10 mil milhões de euros, endurecimento das baixas médicas e cortes na administração pública, financiados por aumento de impostos sobre rendimentos mais altos.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, apresentou esta quinta-feira um pacote de 34 medidas que visa relançar a maior economia europeia, estagnada há dois anos, e conter a ascensão da extrema-direita. O plano, acordado entre a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social-Democrata (SPD), prevê um alívio fiscal anual de 10 mil milhões de euros para famílias de rendimentos médios e baixos, financiado em parte pelo aumento da taxa máxima de IRS de 45% para 47% sobre rendimentos superiores a 280 mil euros anuais. A coligação governamental, sob pressão nas sondagens face ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD), comprometeu-se a aprovar os elementos centrais do pacote até ao final de 2026.
Na perspetiva de Berlim, o pacote procura responder ao descontentamento do eleitorado com a paralisia governativa e a perda de competitividade industrial. O vice-chanceler social-democrata, Lars Klingbeil, sublinhou que os cidadãos “querem decisões, não conflitos”. Contudo, a central sindical IG Metall denunciou o risco de desequilíbrio em detrimento dos trabalhadores, sobretudo na flexibilização dos contratos a termo, que passam a poder durar até 48 meses até 2030, e na maior liberdade para despedir quadros com rendimentos elevados mediante indemnização. As confederações patronais, por seu lado, aplaudiram a “correção de rumo”, segundo relatos da imprensa alemã.
O conjunto de reformas abrange ainda a segurança social e a administração pública. A idade da reforma será gradualmente indexada à esperança de vida, seguindo recomendações de uma comissão de peritos, e será criado um regime de capitalização legal. No imediato, os trabalhadores deixarão de poder comunicar a baixa por telefone, passando a ser exigido atestado médico desde o primeiro dia de ausência — medida que Merz justifica com os elevados níveis de absentismo. Paralelamente, o governo federal reduzirá em 8% o pessoal dos ministérios através da digitalização e simplificará obrigações de due diligence para as empresas. Será ainda constituída uma sociedade federal de habitação para construir casas a preços acessíveis e travar tentativas de expropriação municipal, como a que foi a referendo em Berlim.
Observadores em Lisboa e Brasília notam que o pacote alemão ecoa debates comuns na União Europeia sobre a sustentabilidade dos sistemas de pensões e a flexibilização do mercado de trabalho, num contexto de pressão demográfica e concorrência global. A economia alemã, depois de dois anos de contração, deverá crescer apenas 0,5% em 2025, segundo projeções governamentais, penalizada pelos custos energéticos e pela fraca procura externa. A coligação de Merz, no poder há pouco mais de um ano, enfrenta o desafio de traduzir o anúncio em resultados legislativos até às eleições de 2026, enquanto a AfD capitaliza o descontentamento em vários Länder. O governo espera que as primeiras medidas, como o alívio fiscal para famílias com dois filhos e rendimento tributável de 60 mil euros (mais de 600 euros anuais a partir de 2028), comecem a produzir efeitos antes do final da legislatura.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A coligação governante alemã superou divisões internas para acordar um pacote de reformas com cortes fiscais para os rendimentos baixos, visando reavivar o crescimento e contrariar a extrema-direita. As medidas assinalam uma viragem pragmática para restaurar a confiança.
Após meses de lutas internas e um 'outono de reformas' adiado, o impopular governo de Merz apresenta finalmente um plano de 34 pontos que pode ser muito pouco e muito tarde. O pacote, com impostos sobre os ricos e alívio para os rendimentos baixos, parece uma tentativa desesperada de inverter as sondagens e travar o avanço da AfD, mas a credibilidade do chanceler está em frangalhos.
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