
Trump exige que aliados da NATO atinjam 5% do PIB em defesa antes da cimeira de Ancara
A poucos dias do encontro da Aliança Atlântica, o presidente dos EUA criticou os gastos dos parceiros e o embaixador Whitaker delineou metas mais ambiciosas de investimento militar.
A menos de uma semana da cimeira da NATO em Ancara, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu a pressão sobre os aliados europeus ao divulgar na rede Truth Social uma tabela de despesas militares acumuladas entre 2014 e 2025. Segundo a publicação, Washington gastou 999 mil milhões de dólares, enquanto o Reino Unido aplicou 90,5 mil milhões, a França 66,5 mil milhões, a Itália 48,8 mil milhões e a Polónia 44,3 mil milhões, com a Alemanha e outros países “muito abaixo”. Trump classificou a diferença como “ridícula” e afirmou que os EUA não obtêm “qualquer benefício” com o esforço. O embaixador norte-americano junto da Aliança, Matthew Whitaker, detalhou depois que a Casa Branca espera que todos os membros se coloquem “no caminho” de consagrar 5% do PIB à defesa, meta acordada no ano passado em Haia.
Na perspetiva de Washington, o aumento das contribuições europeias é um resultado direto da pressão exercida por Trump desde o primeiro mandato, conjugada com a invasão russa da Ucrânia. Dados compilados por analistas da Aliança mostram que, pela primeira vez desde o compromisso do País de Gales em 2014, os 32 aliados atingiram ou superaram a fasquia de 2% do PIB. O esforço coletivo dos membros europeus e do Canadá cresceu 20% em termos reais em 2025, para 574 mil milhões de dólares, com a Alemanha a quebrar o travão constitucional da dívida para injetar 114 mil milhões e a Polónia a caminho dos 5%. Ainda assim, Whitaker reconheceu que “alguns aliados estão atrasados” e não apresentam trajetórias credíveis para cumprir o objetivo de Haia.
Observadores em Bruxelas e em Lisboa sublinham que o número de 999 mil milhões citado por Trump corresponde à despesa total de defesa dos EUA no período, e não ao contributo específico para a NATO, que inclui operações no Indo-Pacífico, no Médio Oriente e a modernização nuclear. A própria Aliança utiliza como métrica a percentagem do PIB, e não valores absolutos acumulados. Além disso, a alegação de “ausência de benefício” contrasta com o volume de investimento transatlântico — cerca de 7,4 biliões de dólares — e com a dependência norte-americana de bases, espaço aéreo e logística europeus para a projeção global de poder. A contradição é ampliada pelo apoio que Trump tem dado a partidos de extrema-direita como o AfD alemão e o Reagrupamento Nacional francês, forças que se opõem precisamente ao aumento da despesa militar, ao distanciamento tecnológico da China e às sanções contra Moscovo.
Fontes diplomáticas citadas pela imprensa italiana e espanhola indicam que a cimeira de Ancara servirá também para avaliar o uso de bases militares em território aliado, num contexto de frustração da administração Trump com a “relutância” de “um par de aliados” em autorizar operações relacionadas com a guerra contra o Irão. Whitaker afirmou que o Pentágono conduzirá uma revisão estritamente militar, sem influência política, para decidir a deslocação de tropas. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que se reuniu com Trump na semana passada, antecipou o anúncio de “milhares de milhões de dólares em novos contratos” de defesa, muitos dos quais deverão beneficiar a indústria norte-americana. A cimeira de 7 e 8 de julho será, assim, o momento de aferir se as trajetórias de investimento anunciadas convencem Washington a manter o seu envolvimento nos atuais moldes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia iraniana relata a mais recente queixa de Trump sobre os gastos da OTAN, enfatizando a contribuição desproporcional dos EUA e a falta de benefícios, com um tom de ironia distanciada sobre as tensões transatlânticas recorrentes.
A mídia indiana verifica a alegação de Trump, observando que o valor de 999 bilhões de dólares é o gasto acumulado em defesa dos EUA, não as contribuições anuais para a OTAN, e que o enquadramento é enganoso. Eles enfatizam a necessidade de contexto preciso no debate sobre compartilhamento de encargos.
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