
Trump publica vídeo gerado por IA como médico que 'cura' críticos com Coca-Cola Diet
Presidente dos EUA usa deepfakes de celebridades para ridicularizar opositores e oferece 'tratamento' para a 'Síndrome de Perturbação Trump', em mais um episódio de uso polêmico de inteligência artificial.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou na sua rede social Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial onde se apresenta como médico e diagnostica figuras de Hollywood com a chamada 'Síndrome de Perturbação Trump' (TDS, na sigla em inglês). Na peça de 90 segundos, uma versão digital de Trump, de bata branca e estetoscópio, anuncia um 'plano de tratamento' e exibe depoimentos falsos de atores e apresentadores como Robert De Niro, Julia Roberts, Whoopi Goldberg e Rosie O’Donnell, que descrevem sintomas de ansiedade, insónia e raiva constante. O 'tratamento' prescrito inclui desligar as 'notícias falsas', rezar e, em caso de ansiedade, beber uma Coca-Cola Diet.
A publicação insere-se num padrão de uso de conteúdos sintéticos por parte do presidente para atacar adversários, conforme documentado pela imprensa internacional. Em abril, Trump partilhou e depois apagou uma imagem que o representava como Jesus Cristo, em meio a um conflito com o Papa Leão XIV, o que gerou críticas até de aliados republicanos. Em fevereiro, um vídeo que mostrava Barack e Michelle Obama como símios foi removido após acusações de racismo, inclusive de senadores do próprio partido. Outras montagens circularam com Trump como Superman, como Papa ou como um rei a lançar dejetos sobre manifestantes.
Observadores da comunicação política nos Estados Unidos notam que o vídeo recorre ao termo TDS, cunhado por apoiantes de Trump para sugerir que a oposição ao presidente é irracional. O próprio mandatário já afirmou, em eventos na Casa Branca, que ouviu dizer que a síndrome 'é realmente uma doença'. A peça audiovisual imita o formato de anúncios de medicamentos, com depoimentos de 'pacientes' que alegam melhora após seguirem as recomendações do 'Dr. Trump'. A utilização de deepfakes de celebridades sem consentimento reacendeu o debate sobre os limites éticos e legais da manipulação de imagem e voz por figuras públicas.
Na perspetiva de analistas europeus, a repetição deste tipo de publicação por um chefe de Estado em exercício contribui para normalizar a desinformação visual e enfraquecer a confiança em conteúdos audiovisuais. Apesar de alguns conteúdos terem sido removidos após reações negativas, o vídeo mais recente permaneceu online sem comentários oficiais da Casa Branca. O episódio soma-se a uma série de ações de Trump que utilizam a inteligência artificial para amplificar a sua retórica contra críticos, num momento em que a regulação das plataformas e da tecnologia deepfake continua a ser debatida em fóruns multilaterais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The video of Trump as a doctor diagnosing 'Trump syndrome' and prescribing Diet Coke is framed as a biting satire, but also as a symptom of American populist drift. The focus is on ridiculing Trump as an act of cultural resistance.
The video is presented as yet another example of the spectacularization of Western politics, without particular emphasis. The banality of the content and its function as a distraction from real geopolitical issues are highlighted.
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