
Trump considera 'ridículo' manter apoio à NATO e Merz defende gastos militares
A poucos dias da cimeira de Ancara, Presidente dos EUA critica aliados europeus por falta de reciprocidade e despesas insuficientes, enquanto chanceler alemão rejeita acusações.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou de “ridículo” o atual nível de apoio norte-americano à NATO, numa série de publicações na rede Truth Social a 3 de julho de 2026, a menos de uma semana da cimeira da Aliança em Ancara, Turquia. Trump afirmou que a relação “não é recíproca” e que os aliados “não estiveram presentes” quando necessários, exibindo um gráfico com as despesas de defesa em que os EUA surgem com 999 mil milhões de dólares, muito acima do Reino Unido (90,5 mil milhões), França (66,5 mil milhões), Itália (48,8 mil milhões) e Polónia (44,3 mil milhões). A mensagem visou em particular a Alemanha, cujos gastos classificou como “muito inferiores” e “ridículos”.
Na perspetiva de Washington, a crítica insere-se numa pressão continuada para que os parceiros europeus assumam a liderança da sua própria defesa. A administração Trump já iniciou uma revisão da postura das forças norte-americanas na Europa, anunciada pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, que poderá durar até seis meses e visa garantir que a Europa “assuma a responsabilidade primária”. Fontes citadas pelo Wall Street Journal indicam que Hegseth pretendia anunciar cortes significativos na presença militar durante a reunião ministerial de junho, mas foi travado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e por outros altos funcionários, sinalizando divisões internas sobre o ritmo da redução. A insatisfação de Trump é amplificada pela guerra contra o Irão: vários aliados restringiram o uso de bases para operações ofensivas norte-americanas, o que o Presidente descreveu como falta de reciprocidade.
Em Berlim, o chanceler Friedrich Merz rejeitou as acusações. “A Alemanha duplicará o seu orçamento de defesa em quatro anos. Este é o maior esforço que alguma vez fizemos para reforçar as nossas capacidades de defesa. Não temos razão para nos acanharmos perante ninguém”, declarou a 4 de julho. Merz sublinhou que o país atingirá a meta de 3,5% do PIB em despesas essenciais de defesa já em 2029, antecipando o prazo de 2035 acordado na cimeira da NATO em Haia, no ano anterior. O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, visitou a Casa Branca na semana anterior e apresentou a Trump gráficos que demonstram o aumento das contribuições europeias desde 2017, procurando atenuar as tensões. Apesar disso, Rutte reconheceu “desapontamento” com alguns aliados, embora os tenha classificado como “casos isolados”.
Observadores em Bruxelas notam que a retórica de Trump coloca sob pressão a coesão da Aliança num momento em que a Europa tenta demonstrar progressos na partilha de encargos. A cimeira de Haia elevou a meta de despesa para 5% do PIB até 2035, mas a implementação permanece desigual. As fricções em torno da Gronelândia — território dinamarquês que Trump ameaçou tomar — e a guerra no Irão, lançada sem consulta prévia aos aliados, deterioraram as relações pessoais entre o Presidente norte-americano e líderes europeus. A próxima cimeira de Ancara, que reúne os 32 Estados-membros a 7 e 8 de julho, será o primeiro teste presencial para avaliar se a Aliança consegue conter a erosão da confiança mútua e reafirmar compromissos de defesa coletiva.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.80 | aligned |
A OTAN é uma aliança em crise, e Trump confirma isso.
Ao selecionar e relatar as declarações de Trump sem contrapontos, cria-se a impressão de que sua crítica é a única verdade.
As reações de outros membros da OTAN e o contexto da cúpula de Ancara não são relatados.
Trump é o grande líder americano que celebra a nação.
Ao enfatizar o evento patriótico e omitir as críticas à OTAN, constrói-se uma imagem positiva e unificada do presidente.
Qualquer menção às declarações de Trump sobre a OTAN é omitida, o que poderia ter criado dissonância.
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