
Cimeira da NATO em Ancara reafirma defesa coletiva e promete 80 mil milhões à Ucrânia
Líderes dos 32 membros, incluindo Trump, subscrevem compromisso 'inquebrantável' com artigo 5.º e fixam metas de despesa militar, enquanto tentam superar tensões transatlânticas.
Os embaixadores da NATO aprovaram na sexta-feira o texto da declaração que os líderes da Aliança, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, deverão subscrever na cimeira de 7 e 8 de julho em Ancara. O documento, a que a Reuters teve acesso, reafirma um “compromisso inquebrantável” com a defesa coletiva prevista no artigo 5.º do Tratado de Washington e fixa um pacote de 70 mil milhões de euros (cerca de 80 mil milhões de dólares) em assistência militar à Ucrânia para 2026, com níveis “pelo menos equivalentes” em 2027. A declaração inclui ainda uma advertência direta ao Irão: os aliados reiteram que Teerão nunca deve obter uma arma nuclear e exigem o respeito pela liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
A cimeira decorre num momento de fricção transatlântica acentuada. Na perspetiva de diplomatas europeus, o encontro servirá para demonstrar que os membros europeus e o Canadá estão a cumprir as metas de aumento da despesa militar — acordadas na cimeira de Haia no ano passado — e a assumir maior responsabilidade pela defesa convencional do continente. O secretário-geral, Mark Rutte, afirmou em Berlim que a cimeira se centrará em “transformar a despesa adicional em capacidades operacionais” e em “expandir significativamente” as indústrias de defesa. A administração Trump, por seu lado, mantém a pressão: na quinta-feira, o presidente queixou-se na rede Truth Social de que os EUA protegem os aliados “sem obter qualquer benefício”, e o Pentágono já reduziu os meios atribuídos aos planos de defesa da NATO e iniciou uma revisão da presença militar americana na Europa.
Apesar das tensões, o texto aprovado pelos 32 embaixadores — incluindo o representante permanente dos EUA — sugere que Trump está disposto a subscrever a reafirmação do artigo 5.º, depois de ter posto em causa o compromisso americano com a defesa mútua na sequência da guerra contra o Irão. Aquele conflito, que abalou a economia global e fraturou relações pessoais entre Trump e líderes como Giorgia Meloni e Keir Starmer, é apontado por responsáveis europeus como o principal fator de incerteza para a cimeira. “A Aliança está viva e de pé, mas um pouco magoada”, resumiu um diplomata europeu sob anonimato. Ancara, que mantém canais abertos com Washington e Moscovo, acolhe o encontro com a expectativa de que as relações sólidas entre Trump, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e Rutte garantam uma cimeira sem sobressaltos.
A declaração classifica a Rússia como “ameaça de longo prazo” à segurança euro-atlântica e sublinha que os aliados europeus e o Canadá estão a construir “uma Europa mais forte numa NATO mais forte”. O texto recorda o compromisso de Haia de destinar 3,5% do PIB a itens essenciais de defesa até 2035 e mais 1,5% a investimentos complementares, como cibersegurança. Pela primeira vez, os líderes da NATO dedicarão uma sessão específica aos desafios do flanco sul, com a presença de representantes de países do Golfo convidados no âmbito da Iniciativa de Cooperação de Istambul. A aprovação final da declaração depende ainda da chancela dos chefes de Estado e de Governo durante a cimeira.
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
Europe denounces the uncertainty generated by Trump's transactional approach and presents itself as the only bulwark for Ukraine.
By emphasizing the risk of American disengagement, the narrative shifts focus from the concrete aid to the fragility of the alliance.
It does not mention the specific amount of 70 billion euros, focusing instead on political uncertainties.
The NATO summit confirms Article 5 and allocates 70 billion for Ukraine, a concrete commitment to collective defense.
The news is presented as an objective fact, without critical analysis or contextualization of internal alliance tensions.
It does not mention European concerns about American disengagement or political uncertainties.
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