
Trump alterna ataques e elogios na cimeira da NATO em Ancara
Presidente dos EUA passou de ameaças comerciais a Espanha e reivindicações sobre a Gronelândia para um discurso de “amor imenso” entre aliados, enquanto a cimeira aprovou novo pacote de ajuda à Ucrânia.
A cimeira da NATO em Ancara, encerrada esta quarta-feira, ficou marcada por uma oscilação retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, que, após dois dias de críticas frontais a aliados, descreveu o encontro como palco de “amor imenso” e “enorme unidade”. Na conferência de imprensa final, Trump afirmou ter sentido “muito amor na sala” durante a sessão de trabalho dos 32 líderes e relatou que estes lhe terão dito: “Senhor, nós amamo-lo”. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, corroborou a leitura de um encontro bem-sucedido, sublinhando que a aliança “está mais forte do que nunca” e que as disputas públicas não beliscaram o compromisso com a defesa coletiva.
Horas antes, o tom fora radicalmente distinto. Trump ameaçara interromper todo o comércio com Espanha, classificando o país como “parceiro terrível” por se recusar a ceder bases militares para operações contra o Irão e por não atingir a meta de 5% do PIB em defesa. A Comissão Europeia, em Bruxelas, reagiu de imediato, lembrando que os acordos comerciais vinculam os Estados-membros da UE e que se espera que Washington cumpra os seus compromissos. Em paralelo, o presidente reiterou a pretensão de controlar a Gronelândia, território dinamarquês, e ameaçou retirar tropas americanas da Europa, exigência rejeitada de forma categórica pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que assegurou estar pronta a “defender cada centímetro do território da NATO”.
Apesar das tensões, a declaração final do encontro trouxe compromissos concretos. Os aliados reafirmaram o artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte e anunciaram novas aquisições de defesa no valor de mais de 50 mil milhões de dólares, com o objetivo de reforçar a capacidade industrial conjunta. O documento consagra ainda um pacote de ajuda militar à Ucrânia de 70 mil milhões de euros para 2026, com o compromisso de manter, no mínimo, um nível equivalente em 2027. Na perspetiva de Berlim e de outras capitais do flanco leste, esta garantia plurianual é essencial para sinalizar determinação face a Moscovo, embora, segundo fontes diplomáticas, a redação final tenha exigido negociações intensas com Roma, que resistia a um horizonte de dois anos.
O contexto mais amplo do conflito com o Irão também permeou a cimeira. Trump advertiu que os ataques seriam “duros” e que o cessar-fogo estava terminado, mas, na mesma conferência de imprensa, minimizou a hipótese de uma guerra em grande escala, afirmando que qualquer ação seria “muito rápida”. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a volatilidade do discurso de Washington introduz incerteza sobre a coesão transatlântica, num momento em que a NATO procura projetar firmeza simultaneamente no flanco leste e no Médio Oriente. A cimeira encerrou com a adoção formal da declaração e com a promessa de que os compromissos financeiros e militares agora assumidos serão monitorizados nas próximas reuniões ministeriais da Aliança.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
Trump contradiz-se: depois de atacar os aliados, agora fala de amor.
O contraste entre declarações anteriores e atuais é enfatizado para destacar a inconsistência.
Não menciona as críticas específicas de Trump à Dinamarca e Espanha, que teriam tornado a contradição mais evidente.
Trump encena um roteiro: primeiro ameaças, depois final feliz.
O evento é descrito como uma performance teatral, enfatizando a contradição entre ataques e elogios.
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