
Petróleo dispara com bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz e atinge maior nível em um mês
Brent supera os US$ 87 e WTI se aproxima de US$ 80 após Trump reinstaurar bloqueio naval ao Irã e propor pedágio de 20% sobre cargas, elevando temores de interrupção no fornecimento global de energia.
Os preços do petróleo saltaram para o patamar mais elevado em quatro semanas nesta terça-feira, com o barril do Brent a superar os US$ 87 e o West Texas Intermediate (WTI) a aproximar-se dos US$ 80. A escalada reflete a decisão dos Estados Unidos de reimpor o bloqueio naval ao Irão e a proposta do presidente Donald Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre a carga que transitar pelo Estreito de Ormuz, num momento em que ambos os países intensificam ataques militares na região. O Brent chegou a registar uma subida diária de 9,6% na sessão anterior, a maior desde maio de 2020, e os contratos futuros operam agora nos níveis mais altos desde o memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão, a 17 de junho.
A via marítima, por onde antes do conflito escoava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais, voltou a ser o epicentro da incerteza. Dados de rastreio de navios indicam que o número de petroleiros a atravessar o estreito caiu para o mínimo em dois meses, enquanto a consultora Eurasia Group alerta que o tráfego pode reduzir-se a apenas 5% a 15% da capacidade normal. Dois navios dos Emirados Árabes Unidos foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos, causando a morte de um tripulante indiano e ferimentos em oito outros. Em paralelo, os houthis do Iémen dispararam mísseis contra a Arábia Saudita, ampliando as frentes de risco na região.
Na perspetiva de Brasília, o presidente Lula da Silva classificou a proposta de pedágio marítimo como “pirataria” internacional, enquanto a CEPAL estima que o aumento da energia poderá adicionar entre 0,3 e 4,6 pontos percentuais à inflação anual de 2026 nos países da América Latina — no caso da Argentina, o impacto oscilaria entre 0,9 e 2,5 pontos. Observadores em Lisboa notam que a subida das cotações pressiona os custos de importação de energia da Europa, num momento em que as bolsas europeias recuavam e a Agência Europeia para a Segurança da Aviação recomendava evitar o espaço aéreo de vários Estados do Golfo. A China, maior importador mundial, viu as suas compras de crude em junho desabarem 41,3%, para o nível mais baixo em quase uma década, reflexo da fraca procura interna e das restrições à exportação de produtos refinados.
O mercado monitora agora a implementação efetiva do bloqueio, prevista para o final da tarde desta terça-feira no horário de Nova Iorque, e a divulgação dos dados de inflação nos EUA. A continuidade das hostilidades e a eventual extensão dos ataques a infraestruturas petrolíferas sauditas no Mar Vermelho são apontadas por analistas do Gabelli Funds como fatores que podem introduzir novas incertezas sobre os fluxos de crude, mantendo a pressão altista sobre as cotações.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | +0.10 | neutral |
The United States reinstates the naval blockade and imposes a toll to guarantee freedom of navigation, and the market reacts accordingly.
Market logic naturalizes the US action by presenting the price surge as an automatic response to risk, without questioning the legitimacy of the blockade or toll.
The US action is presented without mentioning the Iranian missile attacks on UAE tankers and the Indian crew member killed, which would provide a context of provocation.
Iran denounces the American aggression as illegal and destabilizing, warning of a countdown to $95 oil and long-term regional consequences.
The narrative uses victimization and the threat of escalating oil prices to delegitimize the US action, framing it as an unprovoked assault on Iranian sovereignty.
The Iranian missile attacks on UAE tankers that triggered the US response are not mentioned, omitting the context of retaliation.
India suffers the human cost of the conflict with a killed crew member and faces the risk of energy supply disruption.
The personalization of the conflict through the Indian casualty makes the geopolitical tension tangible and urgent, shifting focus from abstract market moves to concrete human impact.
The 20% toll imposed by the US and the broader justification of Iranian attacks are not discussed, narrowing the frame to immediate human and market consequences.
Russia observes with irony the US move to monetize the strait, noting that such a toll has never been charged before.
The ironic detachment and surprise at the novelty of the toll imply that the US action is unprecedented and potentially overreaching, without directly condemning it.
The Iranian missile attacks on tankers and the Indian casualty are not mentioned, keeping the focus purely on market mechanics and geopolitical novelty.
Amplie o olhar
Derrota de Meloni em votação eleitoral expõe fissuras na coalizão governista italiana
4 idiomas · 21 veículos
De TechnologySoyuz lança astronauta da NASA Anil Menon e dois cosmonautas para missão de oito meses na ISS
3 idiomas · 9 veículos
De Science & HealthTeste de sangue prevê risco de Alzheimer com até 10 anos de antecedência
6 idiomas · 12 veículos