
Eisenkot ameaça hegemonia de Netanyahu com apelo a eleitores mizrahi
Antigo chefe militar de origem marroquina lidera sondagens e pode tornar-se o primeiro primeiro-ministro israelita de raízes não europeias, reconfigurando a base eleitoral do Likud.
A menos de quatro meses das eleições legislativas em Israel, previstas para outubro, o antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot e o seu partido centrista Yashar ultrapassaram o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em várias sondagens recentes. De acordo com inquéritos divulgados pela imprensa israelita, Eisenkot reúne 43% das preferências para liderar o governo, contra 34% de Netanyahu, enquanto o Yashar obteria 23 ou 24 lugares no Knesset, à frente dos 22 atribuídos ao Likud. É a primeira campanha eleitoral desde o colapso de segurança de 7 de outubro de 2023 e a primeira em muitos anos em que Netanyahu parte em desvantagem.
Na perspetiva de analistas em Telavive, a ascensão de Eisenkot assenta em parte na sua capacidade de disputar o eleitorado mizrahi — judeus originários do Médio Oriente e do Norte de África, que representam mais de 40% da população e constituem a base tradicional do Likud. Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot cresceu em Tiberíades e Eilat, longe dos círculos da elite asquenaze de Netanyahu, que viveu nos Estados Unidos e frequentou uma unidade de comandos de prestígio. Um vídeo da máquina de propaganda do Likud que ridicularizava o inglês de Eisenkot foi interpretado por observadores israelitas como um “autogolo”, por reforçar estereótipos que os eleitores mizrahi associam à discriminação histórica. A morte do filho de Eisenkot, Gal, em combate em Gaza, e a de um sobrinho, contrastam com a ausência dos filhos de Netanyahu do serviço militar ativo, acentuando a imagem de um líder que partilha os sacrifícios da população.
Segundo um antigo conselheiro de comunicação de Netanyahu, Avi Bushinsky, o objetivo do primeiro-ministro não é necessariamente vencer, mas impedir que o bloco opositor atinja os 61 mandatos necessários para formar governo, forçando um impasse que o mantenha à frente de um executivo de transição. Esta estratégia, notam analistas, está ligada ao processo de corrupção que Netanyahu enfrenta: uma mudança de poder enfraqueceria a sua posição judicial. As projeções atuais dão ao bloco de Netanyahu, que inclui partidos ultraortodoxos e de colonos, 51 lugares, enquanto a oposição judaica sob Eisenkot soma 59. Dois partidos árabes recolhem cinco mandatos cada, e o apoio de pelo menos um deles seria indispensável para Eisenkot formar governo — uma hipótese que Netanyahu classifica como “antipatriótica”, apesar de ter negociado com o partido islâmico Ra’am em 2021.
Eisenkot é descrito pela imprensa israelita como um político de estilo sóbrio, centrista em matéria interna — aberto a coligações com a esquerda e ao recrutamento de árabes e ultraortodoxos — mas alinhado com a dureza securitária dominante. Criticou Netanyahu por ceder a exigências americanas de cessar-fogo no Líbano e considera “fora de contexto” as reivindicações de um Estado palestiniano. Ainda assim, a sua eventual vitória representaria uma estreia histórica: o primeiro chefe de governo israelita de origem mizrahi. O desfecho permanece incerto, num sistema parlamentar fragmentado e sem data exata para o escrutínio, que deverá ocorrer até ao final de outubro.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.40 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | −0.30 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
Eisenkot, filho de imigrantes marroquinos, representa um desafio direto à base eleitoral de Netanyahu.
A técnica retórica é a personalização étnica: enfatizar a identidade mizrahi de Eisenkot para explicar sua ascensão, tornando plausível que ele possa atrair eleitores tradicionalmente leais ao Likud.
Omite as manobras de Netanyahu para garantir a segurança de sua família e sua estratégia de impasse, presentes na imprensa israelense.
Netanyahu agarra-se ao poder com manobras desesperadas, enquanto Eisenkot surge como uma ameaça credível.
Fragmentação estratégica: ao cobrir múltiplos aspetos (segurança pessoal, estratégia eleitoral, críticas políticas), a imprensa cria um retrato composto de um líder em dificuldades.
Não aprofunda o papel dos eleitores mizrahim e a identidade marroquina de Eisenkot, que são centrais na imprensa árabe.
O regime sionista está em crise: as sondagens mostram a derrota iminente de Netanyahu.
Deslegitimação sistémica: o uso do termo 'regime' e o foco na derrota de Netanyahu servem para minar a legitimidade do Estado israelense.
Omite as divisões internas israelenses e o histórico de Eisenkot, que poderiam humanizar a competição.
Netanyahu é um líder enfraquecido, a lidar com as consequências de 7 de outubro e uma campanha eleitoral difícil.
Historicização crítica: ao colocar a eleição no contexto da falha de segurança de 7 de outubro, sugere-se que Netanyahu é responsável e que o seu declínio é merecido.
Não menciona o papel dos eleitores mizrahim nem a perspetiva iraniana, concentrando-se apenas em Netanyahu e no contexto histórico.
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