
Ataque ucraniano a centros logísticos na Rússia deixa oito mortos e dezenas de feridos
Kiev reivindica os ataques a armazéns da Wildberries, alegando uso militar, enquanto Moscovo abre investigações por terrorismo e a empresa pondera indemnizações.
Pelo menos oito pessoas morreram e mais de sessenta ficaram feridas na madrugada de sábado, 18 de julho, quando drones ucranianos atingiram dois centros logísticos da retalhista online Wildberries nas regiões russas de Tambov e Moscovo, além de provocarem um incêndio num depósito de petróleo em Noginsk. O ataque mais letal ocorreu em Kotovsk, onde sete funcionários do turno noturno pereceram e 25 ficaram feridos; em Elektrostal, a leste da capital, uma pessoa morreu e 37 sofreram ferimentos. As defesas aéreas russas afirmam ter intercetado 379 drones sobre dezanove regiões, incluindo a Crimeia anexada, mas os projéteis que escaparam causaram danos significativos em infraestruturas civis.
Na perspetiva de Kiev, o presidente Volodymyr Zelensky confirmou a operação, descrevendo os alvos como “duas grandes instalações logísticas” utilizadas para fornecer componentes sancionados destinados ao fabrico de drones e equipamentos de navegação. Zelensky enquadrou a ofensiva como retaliação pelos bombardeamentos russos contra infraestruturas civis ucranianas, sublinhando que os armazéns se situavam a mais de 500 e 700 quilómetros da linha da frente. Já Moscovo, através do Comité de Investigação, abriu processos por terrorismo, enquanto o governador de Tambov classificou o ataque como “o mais maciço e desumano” contra a região, alegando que os drones estavam equipados com elementos de fragmentação para maximizar vítimas civis.
A Wildberries, frequentemente comparada à Amazon, viu arder dois dos seus maiores centros de distribuição. A fundadora e CEO, Tatyana Kim, prometeu indemnizações de dois milhões de rublos às famílias das vítimas e de um milhão aos feridos graves, mas lembrou que a empresa não tem obrigação legal de compensar os vendedores pelos bens destruídos, uma vez que a atualização contratual de 7 de julho passou a classificar ataques de drones como caso de força maior. Vendedores independentes relatam prejuízos de milhões de rublos e temem a falência, enquanto a plataforma retirou temporariamente de venda os artigos armazenados nos complexos afetados.
O episódio insere-se numa escalada de ataques de longo alcance com que a Ucrânia procura perturbar a logística militar e energética russa, numa guerra que entra no seu quinto ano. No mesmo dia, a Rússia bombardeou infraestruturas portuárias em Odessa, matando um civil e danificando navios de bandeira estrangeira, o que levou a Finlândia a encerrar preventivamente uma zona marítima no sudeste do país por receio de drones extraviados. Observadores em Brasília e Lisboa notam que a extensão geográfica dos ataques e o recurso a alvos civis com alegada dupla utilização militar tornam mais remota qualquer perspetiva de retoma das negociações de paz, atualmente paralisadas.
As investigações russas prosseguem com perícias aos fragmentos dos drones, enquanto a Wildberries avalia os volumes de compensação aos parceiros comerciais. A dimensão dos danos materiais ainda não foi totalmente apurada, mas fontes próximas da empresa estimam que entre 10% e 15% da capacidade logística do grupo possa ter sido afetada, com impacto particular no mercado de Moscovo.
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
A Rússia condena o ataque terrorista ucraniano e anuncia investigações criminais por terrorismo, reafirmando a necessidade de defender a soberania nacional.
A Rússia utiliza o quadro jurídico do terrorismo para deslegitimar a ação ucraniana e mobilizar o apoio interno, transformando um ataque militar em um crime contra a nação.
A Rússia omite a justificativa ucraniana de que os centros logísticos eram usados para fornecer componentes de drones, e o contexto dos bombardeios russos na Ucrânia.
O Ocidente considera o ataque ucraniano uma retaliação legítima contra alvos militares russos, parte de uma campanha para enfraquecer a máquina de guerra de Moscou.
O Ocidente enquadra o ataque em uma lógica de escalada simétrica, apresentando-o como uma resposta proporcional aos bombardeios russos, normalizando assim os ataques profundos em território russo.
O Ocidente omite a caracterização russa do ataque como terrorista e as investigações criminais iniciadas, bem como o número de vítimas civis do ponto de vista russo.
A Índia relata o ataque ucraniano e a justificativa de Zelensky, equilibrando as declarações russas e ucranianas sem tomar partido.
A Índia adota uma abordagem de equilíbrio, relatando ambas as narrativas sem hierarquia, o que cria uma impressão de objetividade, mas pode obscurecer assimetrias de poder.
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