
Professor e aluno, Scaloni e De la Fuente decidem o Mundial
Os treinadores de Argentina e Espanha, que forjaram amizade num curso de formação em 2017, reencontram-se na final com recordes históricos em jogo.
O Estádio MetLife, em Nova Jérsia, recebe neste domingo (19) a final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha, um duelo que coloca frente a frente dois velhos conhecidos: Lionel Scaloni e Luis de la Fuente. Nove anos depois de partilharem uma sala de aula na Cidade do Futebol de Las Rozas, onde De la Fuente foi professor de táctica e Scaloni um aluno aplicado no curso de licença UEFA Pro, os dois treinadores reencontram-se no momento mais alto das suas carreiras. A relação, que começou em 2017, transformou-se em amizade e consulta permanente, como ambos admitiram em conferências de imprensa ao longo do torneio.
As trajetórias de ambos são marcadas por paralelismos notáveis. Nenhum dos dois dirigiu qualquer equipa da primeira divisão antes de assumir o comando das respetivas seleções principais. Scaloni, antigo defesa-direito, iniciou-se como adjunto de Jorge Sampaoli e assumiu interinamente a Albiceleste após o fracasso na Rússia 2018, enquanto De la Fuente, defesa-esquerdo de carreira modesta, construiu o seu percurso nas seleções jovens de Espanha, conquistando títulos europeus de sub-19 e sub-21 antes de substituir Luis Enrique no final de 2022. Ambos superaram desconfianças iniciais e responderam com troféus: Scaloni venceu duas Copas América, a Finalíssima e o Mundial do Qatar; De la Fuente ergueu a Liga das Nações e a Eurocopa de 2024. Na campanha até à final, a Argentina precisou de prolongamentos frente a Cabo Verde e Suíça, e eliminou a Inglaterra nas meias-finais, enquanto a Espanha afastou a França nos quartos-de-final e também garantiu a vaga na decisão.
O jogo carrega um peso histórico raro. Se vencer, Scaloni tornar-se-á o segundo treinador bicampeão mundial, igualando o italiano Vittorio Pozzo, que triunfou em 1934 e 1938. De la Fuente, por sua vez, procura a dobradinha Europeu-Mundial, feito que apenas Vicente del Bosque conseguira pela Espanha, ainda que em ordem inversa (Mundial 2010 e Euro 2012). Na imprensa italiana, sublinha-se o triunfo da “normalidade” numa final que reúne dois técnicos sem o estatuto mediático de outros nomes de topo. No Brasil, a busca pelo bicampeonato evoca a memória de Luiz Felipe Scolari, que esteve perto de repetir o êxito de 2002 com a seleção portuguesa em 2006 e com a canarinha em 2014, mas parou nas meias-finais e na semifinal, respetivamente. Observadores em Lisboa recordam que, desde Pozzo, apenas quatro treinadores chegaram a uma segunda final: Carlos Bilardo, Franz Beckenbauer, Didier Deschamps e o próprio Scaloni, agora com a oportunidade de ser o primeiro a vencer duas consecutivas.
Apesar da rivalidade, o ambiente pré-jogo foi pautado por elogios mútuos. Scaloni afirmou que se preocupa “com tudo” da Espanha e destacou a semelhança de estilos: ambas as equipas procuram o controlo da posse e a verticalidade no ataque. De la Fuente retribuiu, dizendo admirar o campeão do mundo e considerando Scaloni “um amigo”. Os dois chegaram a participar num evento com adeptos em Manhattan, descrito como “surrealista” pelo argentino. A final, contudo, dissolverá a cordialidade durante 90 minutos — ou mais — e definirá qual dos dois gravará o nome na história do futebol mundial.
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Argentina claims pride in Scaloni's journey from student to master, and emphasizes the personal bond with De la Fuente.
By portraying the final as a meeting of friends, the narrative humanizes the contest and shifts focus from competition to relationship.
Europe observes with historical detachment, measuring the achievements of both coaches without taking sides.
By framing the event within a context of records and precedents, emotional tension is neutralized and analysis is privileged.
Omits the narrative of the personal relationship between the two coaches, focusing solely on historical data.
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