
A modelo que virou Haaland e a humorista que sofreu a ira dos fãs
Enquanto uma modelo russa abraçava o parecido com o craque norueguês e ganhava o mundo, uma paródia argentina desencadeava ameaças de morte e um debate sobre misoginia.
Na noite de uma semifinal do Mundial, num bar de Moscovo, uma jovem de camisola da Noruega sobe ao palco e empunha o bombo. A plateia, entre risos e telemóveis erguidos, reconhece nela não uma adepta qualquer, mas a versão feminina de Erling Haaland. Anastasia Kostromitina, modelo russa de 24 anos, tornara-se, em poucas semanas, um dos fenómenos virais mais insólitos do torneio.
Tudo começou com um vídeo caseiro em que a mãe perguntava: “Não acham que a minha filha se parece com uma pessoa famosa?”. Seguiram-se recriações meticulosas de poses e expressões do avançado norueguês, que somaram mais de cem milhões de visualizações. Kostromitina, que a princípio não via a semelhança, passou a encará-la com humor. “Posso ser bonita e posso ser engraçada”, disse. O Mundial ampliou o alcance: convidada a assistir a um jogo num bar moscovita, vestiu a camisola da seleção nórdica e tocou o bombo, enquanto Haaland, já eliminado nos quartos de final pela Inglaterra, regressava a casa.
O fascínio pelos sósias de Haaland não se limitou à Rússia. Em Miami, uma influenciadora de beleza organizou um concurso de imitadores no bairro de Brickwell, com o vencedor a receber bilhetes para o jogo dos quartos de final. Mas foi na Argentina que o fenómeno ganhou contornos mais sombrios. A humorista Momi Giardina, do programa LuzuTV, criou uma paródia do jogador e viu-se submersa por uma onda de insultos e ameaças de morte. “A agressão foi muito mais dolorosa para mim, desejaram-me a morte”, confessou. Giardina pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, mas sublinhou que não havia má intenção na sua sátira. Para o também humorista Homero Pettinato, a violência da reação explicava-se por um fator simples: “Ela é mulher”.
A disparidade de reações não passou despercebida na esfera digital lusófona. No Brasil, onde o futebol e a cultura de memes se entrelaçam, os vídeos da modelo russa circularam com divertimento, enquanto a polémica argentina reacendeu debates sobre os limites do humor e a misoginia nas redes. Em Portugal, a imprensa desportiva destacou o lado mais lúdico do Mundial, com o concurso de Miami a ser visto como uma curiosidade que humaniza os ídolos. Já em África, particularmente em países como Angola e Moçambique, onde a Premier League tem uma legião de fãs, o fenómeno foi recebido como mais uma prova da omnipresença de Haaland na cultura pop global.
Resta uma imagem suspensa: a do silêncio do próprio Haaland. Nem a modelo russa, que espera um contacto, nem a humorista argentina, que lhe enviou uma mensagem, obtiveram resposta. O avançado norueguês, de volta ao seu país, permaneceu mudo perante o coro de sósias, paródias e concursos que o Mundial fez brotar. No palco de Moscovo, o bombo ressoou sem ele.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.50 | aligned |
| Imprensa africana subsaariana | +0.60 | aligned |
Momi Giardina defends herself and apologizes, while Anastasia Kostromitina enjoys her viral fame. The bloc gives voice to personal reaction and defense of the parody.
By telling the story from the local protagonist's perspective, the bloc makes the controversy a personal matter rather than a critique of the player.
Does not mention the Miami lookalike contest or organizer Emma Kate Willman, which appear in other blocs.
The Miami event celebrates lookalike culture playfully, with a contest and a prize winner. The bloc presents the phenomenon as collective fun.
By describing a concrete event with prizes, the bloc turns virality into an entertainment opportunity, avoiding any controversy.
Does not reference the controversy around Momi Giardina nor the statements of the Russian model.
Anastasia Kostromitina tells of her viral rise with surprise and gratitude. The bloc emphasizes the view count and global reach of the phenomenon.
Using impressive numbers and direct quotes from the model, the bloc legitimizes the fame as a deserved and harmless success.
Does not mention Momi Giardina's parody nor the Miami contest, focusing solely on the Russian model.
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