
Ellen Burstyn recebe Leão de Ouro em Veneza com curta que evoca o 'impacto carnal' de Marilyn Monroe
Aos 93 anos, a atriz de 'O Exorcista' e 'Alice Não Mora Mais Aqui' será homenageada pelo conjunto da obra no festival italiano, onde também apresentará um filme sobre a icónica estrela.
Há uma expressão antiga, caída em desuso, que descrevia a aura de Marilyn Monroe no ecrã: “flesh impact”, o impacto da carne. Era a sensação de que a sua presença era tão real, tão luminosa, que o espectador sentia poder tocá-la. Esse efeito dá título à curta-metragem que Maggie Gyllenhaal realizou para o centenário de Monroe — e é nessa sessão, a 2 de setembro de 2026, que Ellen Burstyn receberá o Leão de Ouro de carreira da 83.ª Mostra de Veneza. No filme, Burstyn interpreta uma versão de Monroe que o mundo nunca viu, enquanto Dakota Johnson encarna a estrela no auge da fama. A escolha do festival sublinha um diálogo entre duas figuras femininas que, em épocas distintas, redefiniram a presença da mulher no cinema.
A decisão, anunciada esta terça-feira pelo conselho de administração da Bienal, acolheu a proposta do diretor artístico Alberto Barbera. “Intérprete de rara intensidade e verdade”, afirmou Barbera, Burstyn “atravessou mais de cinquenta anos de cinema americano devolvendo profundidade e complexidade a personagens femininas inesquecíveis”. A atriz, que conta mais de 150 títulos no currículo, reagiu com um entusiasmo quase infantil: “Uau! Não só vou viajar para uma das minhas cidades preferidas no mundo… como volto para casa com um Leão de Ouro nos braços!”. É o segundo galardão honorário desta edição — George Clooney também será distinguido — e insere-se num festival que decorrerá até 12 de setembro, com o júri presidido pela própria Gyllenhaal.
Nascida em Detroit em 1932, Burstyn tornou-se conhecida do grande público com o sucesso planetário de “O Exorcista” (1973), de William Friedkin, e conquistou o Oscar de melhor atriz por “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974), de Martin Scorsese, um manifesto sobre a reconquista da identidade feminina. A sua filmografia inclui colaborações com Alain Resnais, Darren Aronofsky e Christopher Nolan, entre muitos outros. Em Lisboa, críticos recordam a sua passagem pelo cinema de autor europeu; no Brasil, a sua figura é indissociável da renovação das personagens femininas em Hollywood nos anos 1970. Copresidente do Actors Studio, Burstyn fez da fragilidade e da disciplina metódica os alicerces de uma interpretação assente na verdade emocional — um percurso que lhe valeu a rara “Tripla Coroa” da representação (Oscar, Tony e Emmy).
A entrega do Leão de Ouro durante a projeção de “Flesh Impact” acrescenta uma camada simbólica à homenagem. O título recupera a ideia de uma presença tão tangível que parecia ter peso físico — e Burstyn, aos 93 anos, continua a oferecer provas dessa mesma qualidade. O realizador italiano Barbera descreveu-a como “um modelo absoluto de autenticidade interpretativa e de compromisso cívico no ofício de atriz”. A curta-metragem, com Dakota Johnson, Peter Sarsgaard e Sepideh Moafi, revisita o mito de Monroe sem nostalgia, propondo antes um olhar sobre o que ficou por revelar. Nesse gesto, o festival veneziano celebra não apenas uma carreira, mas uma ideia de cinema em que a verdade do corpo e da emoção ainda pode tocar o espectador.
| Imprensa europeia continental | +0.60 | aligned |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
| Imprensa russa e CEI | +0.80 | aligned |
The Venice Biennale officially recognizes Ellen Burstyn's contribution to cinema, emphasizing the institutional procedure and the festival context.
The mechanism is institutional validation: by listing the board's decision and the director's proposal, the award is presented as an authoritative, shared judgment.
Omits the statements of artistic director Alberto Barbera praising the actress's 'rare emotional brightness', present in the Russian press.
The 93-year-old actress is celebrated for her longevity and her Oscar, with an admiring but detached tone.
The mechanism is numerical emphasis: by citing age and number of films, the award is presented as inevitable and deserved based on quantity and time.
Omits the institutional context of the festival (board decision, Clooney award) and the artistic statements of the director, present in other blocs.
Artistic director Alberto Barbera speaks with authority, calling the actress of 'rare emotional brightness', and the source Variety confirms the news.
The mechanism is artistic elevation: through a laudatory quote from the director, the award is elevated from a mere career recognition to a tribute to artistic excellence.
Omits the institutional details (board decision, Clooney award) and the short film by Maggie Gyllenhaal, present in the continental European press.
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